Aonuma "tinha uma tarefa pendente": remake de Ocarina of Time ajusta o Templo da Água e traz de volta um dublador do N64
Fim do Pergunte ao Desenvolvedor mostra paredes de treliça e troca de itens mais fácil na masmorra mais temida, Gohma mais legível e uma ocarina que reconhece a voz do jogador.
Por Bruno Vazquez · 03 nov 2026 · 13:27 · 5 min de leitura

📷 The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Divulgação/Nintendo
Quem travou no Templo da Água em 1998 pode respirar. A dois dias do lançamento no Switch 2, a Nintendo confirmou que a masmorra mais temida de Ocarina of Time foi ajustada no remake. Quem pediu a mudança foi o próprio criador dela. As partes 3 e 4 do Pergunte ao Desenvolvedor saíram nesta terça-feira (3) e fecham a série de entrevistas. Elas trazem mais mudanças de jogabilidade, a dublagem completa e uma ocarina que reconhece a voz do jogador.
A tarefa pendente de Aonuma
Eiji Aonuma projetou o Templo da Água no jogo original e hoje produz a série. "Eu também tinha uma tarefa pendente: queria muito fazer alguma coisa com o Templo da Água que eu criei há 28 anos", contou, rindo. "Como ele ficou conhecido pelo alto nível de dificuldade no jogo original, eu pedi ao time que fizesse alguns ajustes nesta versão."
A ideia de 1998 era outra. Aonuma pratica mergulho livre e queria que estar debaixo d'água fosse divertido, numa época em que poucos jogos em 3D deixavam o jogador mergulhar. O problema, segundo ele, era o caminho até lá. A estrutura complexa e a troca constante das Botas de Ferro obrigavam a abrir o menu o tempo todo, e o jogador perdia a noção de onde estava e para onde ia.
A correção ataca justamente esses dois pontos. "Nesta versão, alternar entre as opções ficou bem mais fácil", explicou o diretor HokWai Ng. Algumas paredes que faziam o jogador se perder viraram estruturas de treliça. Assim, dá para ver as salas do outro lado e entender melhor o espaço.
Os mecanismos da masmorra continuam os mesmos, e a Nintendo deixa claro que não simplificou o quebra-cabeça. O que mudou foi a leitura do espaço. Parece a solução mais respeitosa possível para o templo: o desafio de entender os níveis da água fica, a confusão do menu vai embora.
Gohma agora avisa quando dá para bater
A mesma lógica chegou aos chefes. No original, era difícil saber o momento certo de acertar o olho de Gohma, a primeira chefe do jogo. Hiroki Taguchi, diretor de programação, conta que um colega teve a ideia de usar os dois braços no alto da cabeça da criatura. Agora Gohma protege o ponto fraco com eles sempre que está imune.
"Então é assim que podemos fazer algo novo e ainda manter a essência", lembra Taguchi ter pensado quando a solução funcionou.
Uma tapeçaria para pais e filhos
A entrevista também explica a origem da trama do tempo, o recurso que acompanha a história como um livro ilustrado e que já tinha aparecido nas prévias. Conforme a aventura avança, novas ilustrações e trechos de texto são liberados até formar uma única tapeçaria. Ng explica que pensou em quem jogou na infância e hoje tem filhos, para que as duas gerações tenham assunto em comum.

O próprio diretor fez a piada que muita gente vai repetir na sala de casa. "Você sabia que, nos tempos antigos, o papai ficava preso direto no Templo da Água?" Aonuma completou: as crianças talvez respondam que nem é tão difícil assim.
O mesmo dublador, 28 anos depois
A parte 4 trata do som. Ocarina of Time ganhou dublagem completa nas cenas, e a regra foi não mexer no que o público já guarda na memória. Ng cita o "Ouve só!" da Navi como exemplo do que não podia mudar. Para escolher as vozes, a equipe fez audições às cegas no Japão, sem saber o nome dos atores.
"Um dos atores selecionados dublou o mesmo personagem na versão para o Nintendo 64, foi destino", contou Aonuma. "Ninguém esperava por essa." A Nintendo não revelou quem é.
A ocarina que escuta
O Switch 2 tem microfone embutido, e Aonuma quis aproveitar. O jogador pode cantarolar uma canção aprendida no jogo, ou tocar uma ocarina de verdade, e ver Link repetir a melodia. A ideia surgiu há cerca de um ano, quando o produtor apareceu na mesa de Ng com a proposta. O próprio Aonuma admite que o recurso não facilita nada a aventura. Ele existe pela sensação de proximidade com o mundo do jogo.

O som do instrumento também mudou. A equipe gravou uma ocarina real, e a ressonância varia conforme o lugar em que Link toca. O jogo tem som surround 5.1, com ambientes cheios de água corrente, folhas e bichos. Masato Ohashi, diretor de som, recomenda fones de ouvido para quem não tem home theater.
The Legend of Zelda: Ocarina of Time chega ao Switch 2 nesta quinta-feira (5), por R$ 329,90 na eShop brasileira. As duas primeiras partes da entrevista, com os pontos de teletransporte que Aonuma pediu e depois mandou tirar, estão na nossa matéria de ontem.
Aonuma pediu pontos de teletransporte no remake de Ocarina of Time, testou e mandou tirar
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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