Últimas
▸ Zelda contra GTA: novembro junta as duas séries que ensinaram os games a construir mundos▸ Aonuma "tinha uma tarefa pendente": remake de Ocarina of Time ajusta o Templo da Água e traz de volta um dublador do N64▸ Diretor de South of Midnight diz que não teria financiado o próprio jogo e chama a "torneira de dinheiro" do Xbox de insustentável▸ Sony abre nova fase do China Hero Project com US$ 1 milhão por jogo, na semana do sucesso de Phantom Blade Zero▸ GTA 6 antecipa o pré-download para 10 de novembro e confirma 212 GB; veja os horários no Brasil▸ Zelda contra GTA: novembro junta as duas séries que ensinaram os games a construir mundos▸ Aonuma "tinha uma tarefa pendente": remake de Ocarina of Time ajusta o Templo da Água e traz de volta um dublador do N64▸ Diretor de South of Midnight diz que não teria financiado o próprio jogo e chama a "torneira de dinheiro" do Xbox de insustentável▸ Sony abre nova fase do China Hero Project com US$ 1 milhão por jogo, na semana do sucesso de Phantom Blade Zero▸ GTA 6 antecipa o pré-download para 10 de novembro e confirma 212 GB; veja os horários no Brasil
◂ Voltar para a home
especial

Zelda contra GTA: novembro junta as duas séries que ensinaram os games a construir mundos

O remake de Ocarina of Time chega em 5 de novembro, e GTA 6 em 19. Revisitamos como as duas franquias mudaram a indústria, cada uma do seu jeito.

Por · 03 nov 2026 · 13:45 · 8 min de leitura

Montagem com Link criança, do remake de Ocarina of Time, à esquerda, e Jason e Lucia, de GTA 6, à direita, separados por uma linha diagonal dourada

📷 Montagem do Acerto Games com artes oficiais. Divulgação/Nintendo e Rockstar Games

Novembro de 2026 tem duas datas marcadas no calendário de quase todo jogador. Na quinta-feira, 5, o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time chega ao Switch 2. Duas semanas depois, na quinta-feira, 19, GTA 6 libera à 0h de Brasília no PS5 e no Xbox Series.

Chamar isso de embate é quase uma provocação, porque os dois jogos nem disputam o mesmo console. Mas a coincidência junta no mesmo mês as duas séries que mais influenciaram a forma como os games constroem mundos. Uma ensinou a indústria a transformar o espaço em descoberta. A outra mostrou que uma cidade inteira podia ser a protagonista.

Ainda há uma rima curiosa no calendário. Ocarina of Time saiu originalmente em novembro de 1998. Vinte e oito anos depois, volta no mesmo mês em que a Rockstar lança o jogo mais aguardado da história.

Zelda: uma aventura sem mapa (1986)

The Legend of Zelda nasceu em 21 de fevereiro de 1986, no Famicom Disk System, criado por Shigeru Miyamoto e Takashi Tezuka. A ideia era nova para a época: soltar o jogador num mundo aberto, sem dizer para onde ir. Ele começava com uma espada e muita curiosidade.

O jogo também ajudou a popularizar o progresso salvo. A versão ocidental, de 1987, veio num cartucho dourado com bateria interna, algo raro no NES. Uma aventura longa, que não cabia numa tarde, passou a fazer sentido no videogame de casa.

Ocarina of Time e a gramática do 3D (1998)

Doze anos depois, Ocarina of Time resolveu um problema que a indústria ainda tentava entender: como lutar num mundo em três dimensões. A resposta foi a mira travada no botão Z. Link fixa o olhar no inimigo, a câmera acompanha, e o combate deixa de ser uma briga com o controle.

Zelda contra GTA: novembro junta as duas séries que ensinaram os games a construir mundos
📷 Arte oficial do Ocarina of Time original, de 1998, no Nintendo 64. Divulgação/Nintendo.

Quase todo jogo de ação em terceira pessoa que veio depois usa alguma versão dessa trava de mira. De Dark Souls a God of War, o gesto de travar no alvo nasceu ali. O botão de ação contextual, que muda de função conforme o que está à frente de Link, é outra herança do jogo.

Ocarina saiu em 21 de novembro de 1998 no Japão e dois dias depois nos Estados Unidos. No Brasil, o Nintendo 64 era vendido oficialmente pela Playtronic, mas o jogo nunca teve tradução. O remake muda isso: chega dublado em português do Brasil.

Link adulto e Epona diante da Montanha da Morte, no remake para Switch 2.
📷 Link adulto e Epona diante da Montanha da Morte, no remake para Switch 2. Divulgação/Nintendo.

Aonuma "tinha uma tarefa pendente": remake de Ocarina of Time ajusta o Templo da Água e traz de volta um dublador do N64

GTA: o jogo de carro que virou escândalo (1997)

Enquanto Link aprendia a lutar em 3D, um estúdio escocês fazia barulho por outro motivo. Grand Theft Auto saiu em 1997, criado pela DMA Design, de Dundee, a mesma de Lemmings. A câmera ficava no alto, os gráficos eram simples e a liberdade era o grande atrativo.

O jogo deixava roubar qualquer carro, atropelar pedestres e fugir da polícia numa cidade inteira. A polêmica veio junto, e a própria publicadora usou o escândalo como divulgação. A DMA Design viraria depois a Rockstar North, que comanda a série até hoje.

GTA III e o nascimento do mundo aberto moderno (2001)

A virada veio em outubro de 2001, no PlayStation 2. GTA III levou Liberty City para o 3D e criou o molde que a indústria copiaria por uma década. Era uma cidade viva, com missões espalhadas, rádio no carro e a liberdade de ignorar tudo isso.

Liberty City em GTA III, o jogo que levou a série para o 3D em 2001.
📷 Liberty City em GTA III, o jogo que levou a série para o 3D em 2001. Divulgação/Rockstar Games.

O sucesso foi tão grande que nasceu um rótulo: "clone de GTA". Saints Row, True Crime, Sleeping Dogs e Watch Dogs são filhos diretos daquele modelo. Vice City, em 2002, colocou os anos 1980 e as rádios no centro da experiência.

Tommy Vercetti em Vice City, de 2002, a cidade que volta em GTA 6.
📷 Tommy Vercetti em Vice City, de 2002, a cidade que volta em GTA 6. Divulgação/Rockstar Games.

San Andreas, em 2004, levou a série a um estado inteiro, com três cidades e elementos de RPG. CJ precisava comer, treinar e ganhar respeito, e o mapa ia do asfalto ao deserto.

CJ em San Andreas, de 2004, que levou a série a um estado inteiro.
📷 CJ em San Andreas, de 2004, que levou a série a um estado inteiro. Divulgação/Rockstar Games.

Zelda reinventa o mundo aberto (2017)

O mundo aberto popularizado por GTA acabou virando fórmula. Mapas cheios de ícones, torres para escalar e listas de tarefas dominaram os anos 2010. Quem quebrou esse molde foi a própria Zelda.

Breath of the Wild chegou em 3 de março de 2017, junto com o Switch. Dava para escalar qualquer superfície e resolver problemas com fogo, vento e eletricidade. Em vez de dizer o que fazer, o mundo convidava a experimentar.

Link e Zelda em Breath of the Wild, lançado com o Switch em 2017.
📷 Link e Zelda em Breath of the Wild, lançado com o Switch em 2017. Divulgação/Nintendo.

Breath of the Wild vendeu 33,84 milhões de cópias somando Wii U e Switch. A continuação, Tears of the Kingdom, chegou a 22,56 milhões. A sequência levou a ideia para o céu e para o subsolo, com veículos montados pelo próprio jogador.

Link nas ilhas do céu de Tears of the Kingdom, de 2023.
📷 Link nas ilhas do céu de Tears of the Kingdom, de 2023. Divulgação/Nintendo.

A influência apareceu rápido. Genshin Impact, Immortals Fenyx Rising e uma fila de jogos de sobrevivência adotaram planador, estamina e escalada livre. Nas nossas impressões de Enshrouded, a semelhança com Breath of the Wild foi um dos pontos de partida.

Enshrouded 1.0: 25 horas num mundo aberto que dá vontade de explorar até o último canto

GTA V e o jogo que nunca acabou (2013)

GTA V saiu em 17 de setembro de 2013 e mudou a escala do que um jogo pode vender. Faturou US$ 1 bilhão em três dias, recorde registrado pelo Guinness. Hoje passa de 230 milhões de cópias, segundo a Take-Two, somando três gerações de consoles.

Los Santos, a cidade de GTA V, lançado em 2013.
📷 Los Santos, a cidade de GTA V, lançado em 2013. Divulgação/Rockstar Games.

O jogo trouxe três protagonistas, alternados a qualquer momento, mas a mudança maior foi GTA Online. O multiplayer virou um serviço contínuo, com atualizações e microtransações por mais de uma década. Boa parte da indústria passou a perseguir esse modelo. A série inteira soma quase 475 milhões de unidades.

Duas filosofias de mundo

Lado a lado, as duas séries respondem de forma oposta à mesma pergunta: o que fazer com a liberdade do jogador. Zelda transforma o mundo num quebra-cabeça a ser decifrado. A recompensa é a descoberta, e o tom é de fábula.

GTA transforma o mundo numa sátira. A cidade é a personagem, com rádios, propagandas e gente comum reagindo a tudo. A recompensa é o caos, e o tom é de crítica ácida aos Estados Unidos.

Lucia e Jason, os protagonistas de GTA 6, em Vice City.
📷 Lucia e Jason, os protagonistas de GTA 6, em Vice City. Divulgação/Rockstar Games.

As duas também parecem um retrato de quem as faz. A Nintendo revisita o próprio passado para ensinar uma nova geração, como Eiji Aonuma explicou sobre o remake. A Rockstar passou mais de uma década construindo um único mundo novo.

Novembro de 2026

O remake de Ocarina custa R$ 329,90 na eShop brasileira. GTA 6 sai a partir de R$ 449,90 na PlayStation Store, com pré-download desde 10 de novembro e até 212 GB no PS5.

GTA 6 antecipa o pré-download para 10 de novembro e confirma 212 GB; veja os horários no Brasil

Para quem tem os dois consoles, a escolha talvez nem exista. Para a indústria, novembro funciona como um retrato: o jogo que inventou a gramática do 3D voltando repaginado, e a série que inventou a cidade aberta tentando superar a si mesma. Resta saber qual das duas vai definir a próxima década.

Lançamentos de novembro de 2026: Zelda Ocarina of Time, GTA 6 e os jogos que dividem o mês com os gigantes

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

Ver perfil e matérias →

Newsletter Acerto Games

Dê o start na informação certa

Um resumo diário com as principais notícias de games, direto no seu e-mail.

Você vai receber um e-mail para confirmar a inscrição. Ao se inscrever, concorda com a Política de Privacidade. Dá para sair a qualquer momento, com um clique, no fim de cada e-mail.

Compartilhar:WhatsAppX

Leia no celular

Aponte a câmera e abra esta matéria

▸ Leia também