Enshrouded 1.0: 25 horas num mundo aberto que dá vontade de explorar até o último canto
Jogamos a versão completa no PC. Exploração, construção e combate com parry seguram a jogatina, mas a progressão por coleta e a falta de dublagem pesam.
Por Iago França · 31 out 2026 · 20:11 · 6 min de leitura

📷 Enshrouded. Divulgação/Keen Games
Enshrouded saiu do acesso antecipado em 15 de outubro, com a versão 1.0 no PC e a estreia no PS5. Jogamos 25 horas no PC, sozinhos e na dificuldade padrão. Ainda não chegamos ao fim, mas já deu para entender por que o jogo da Keen Games prende tanta gente.
A proposta junta mundo aberto, combate, construção de base e coleta de recursos num reino tomado por uma névoa que corrompe tudo. E, no geral, a mistura funciona muito bem.
Um mundo que pede para ser explorado
A exploração foi o que mais nos prendeu. O mapa é amplo e bonito, com vegetação bem trabalhada e paisagens que mudam bastante de uma região para outra. Até aqui, não sentimos repetição excessiva de cenários.

As cavernas e dungeons são o ponto alto. Cada uma tem ambientação própria, e sempre aparece algum encontro inesperado no caminho. O planador e o gancho ajudam muito nessa parte. Eles deixam os deslocamentos mais dinâmicos e abrem rotas que a pé dariam bem mais trabalho.

Um pé em Breath of the Wild
Difícil explorar esse mapa sem lembrar de Zelda: Breath of the Wild. O planador faz o mesmo convite de pular de qualquer ponto alto e ver onde dá para chegar. A barra de estamina dita até onde vai cada corrida, planada ou esquiva. E a comida funciona como preparação, com bônus para a próxima saída, não como uma fome que pune a cada minuto.
A semelhança não é acaso. Antony Christoulakis, diretor criativo da Keen Games, já disse que Breath of the Wild foi "uma inspiração" para o jogo. O que mais o marcou no Zelda da Nintendo foi "explorar o mundo por conta própria", sem seguir a missão principal. É essa a sensação que Enshrouded passa: o objetivo está lá, mas o mapa sempre parece mais interessante.
A diferença está no resto. Aqui o mundo é coberto por uma névoa que limita o tempo de exploração, e a construção da base ocupa um espaço que Zelda nunca teve.
O susto no Bosque Farto
O momento mais marcante veio numa estrada entre duas formações rochosas do Bosque Farto. Do nada, um Lobo Atroz apareceu e partiu para o ataque. Nosso personagem ainda estava em nível baixo, e a melhor decisão foi fugir.
O encontro deixou claro que há criaturas muito mais fortes escondidas pelo mapa. E deu vontade de voltar lá mais bem preparado.

Combate com parry e esquiva
O combate foi uma boa surpresa. O parry exige atenção e precisão no momento certo, e a esquiva completa o pacote. Os confrontos ficam mais estratégicos e desafiadores do que esperávamos de um jogo de sobrevivência. A resposta dos comandos é boa, embora ainda possa melhorar um pouco.
Quem chega esperando um soulslike vai encontrar algo mais acessível. O ritmo fica mais perto de Zelda do que de Dark Souls, e isso parece ser escolha.

Construir, destruir e reconstruir
A liberdade de construção é outro destaque. Dá para destruir estruturas e elementos do cenário e erguer novos espaços conforme a necessidade. A base deixa de ser só um abrigo e vira um projeto pessoal.
Ela também ganha vida com os sobreviventes resgatados pelo mundo. Até aqui, desbloqueamos cinco artesãos: ferreiro, carpinteiro, caçadora, alquimista e fazendeira. Cada um libera novas receitas, melhorias e possibilidades para a base.
E eles não são os únicos. Ainda há o colecionador, a barda, o pescador, o barbeiro e a pesquisadora ancestral esperando para ser encontrados durante a aventura.

O outro lado da moeda é a progressão. Ela depende muito de coletar recursos e fabricar equipamentos. Quem não gosta desse ciclo pode achar essa parte repetitiva.
Uma história contada em diários e notas
A história de Enshrouded não vem em grandes cenas. Ela fica espalhada pelo mundo, em diários, cartas, livros e registros deixados por quem viveu antes da névoa. Quem gosta de juntar as peças vai se divertir. Quem espera uma trama conduzida, com personagens fortes, pode achar tudo um pouco magro.
A versão 1.0 ajudou bastante nesse ponto. Os textos encontrados pelo mapa agora são narrados, e os artesãos e os personagens que passam missões ganharam vozes. Assim dá para conhecer a história sem parar tudo para ler, e a trilha sonora combina bem com a fantasia do jogo.
Desempenho no PC
Jogamos num PC com Ryzen 5 3400G, Radeon RX 6600, 16 GB de RAM e SSD, em 2560 x 1440 e com gráficos personalizados. O jogo ficou próximo dos 60 fps, com poucas quedas, mesmo nas regiões mais abertas.
No geral, rodou tranquilo. Ainda assim, por ser um mundo aberto amplo e cheio de elementos, ele parece pedir uma máquina mais potente para aproveitar toda a qualidade gráfica.

Legendas sim, dublagem não
Enshrouded tem textos e legendas em português do Brasil, com uma boa tradução. Jogamos com o áudio original. A narração nova da 1.0 saiu em inglês, alemão e chinês, e sentimos falta de ouvir os personagens no nosso idioma.
Não há edição física do jogo no Brasil.
Vale a pena?
Enshrouded é um mundo aberto com exploração, combate, construção e aventura cooperativa, e faz tudo isso muito bem. Se você curte o estilo, vale muito a pena jogar.
É um prato cheio para quem gosta de sobrevivência, RPG e construção de bases. Quem prefere jogos mais lineares, com pouca coleta e uma história mais direcionada, deve passar longe.
No preço, a nossa recomendação é esperar uma promoção. O jogo custa R$ 119,99 na Steam e R$ 229,90 na PlayStation Store.
Agradecimento
O Acerto Games agradece à Keen Games pela chave de Enshrouded para PC e pela oportunidade de conhecer a versão 1.0.
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