Últimas
▸ Zelda contra GTA: novembro junta as duas séries que ensinaram os games a construir mundos▸ Aonuma "tinha uma tarefa pendente": remake de Ocarina of Time ajusta o Templo da Água e traz de volta um dublador do N64▸ Diretor de South of Midnight diz que não teria financiado o próprio jogo e chama a "torneira de dinheiro" do Xbox de insustentável▸ Sony abre nova fase do China Hero Project com US$ 1 milhão por jogo, na semana do sucesso de Phantom Blade Zero▸ GTA 6 antecipa o pré-download para 10 de novembro e confirma 212 GB; veja os horários no Brasil▸ Zelda contra GTA: novembro junta as duas séries que ensinaram os games a construir mundos▸ Aonuma "tinha uma tarefa pendente": remake de Ocarina of Time ajusta o Templo da Água e traz de volta um dublador do N64▸ Diretor de South of Midnight diz que não teria financiado o próprio jogo e chama a "torneira de dinheiro" do Xbox de insustentável▸ Sony abre nova fase do China Hero Project com US$ 1 milhão por jogo, na semana do sucesso de Phantom Blade Zero▸ GTA 6 antecipa o pré-download para 10 de novembro e confirma 212 GB; veja os horários no Brasil
◂ Voltar para a home
review

Tombwater transforma o faroeste num soulslike de horror cósmico ao som de tango

Soulslike em pixel art da dupla Moth Atlas junta metroidvania, horror e trilha de faroeste com segurança rara, mesmo com um mapa confuso e comandos que às vezes falham.

Foto de Kleber Willyan

Por Kleber Willyan · 03 nov 2026 · 13:10 · 6 min de leitura

Arte oficial de Tombwater com o logo do jogo, a criatura de crânio de cervo e chifres à esquerda e o pistoleiro de chapéu à direita

📷 Arte oficial de Tombwater. Créditos: Moth Atlas / Midwest Games

10.0

Nota final do Acerto Games

A luta contra Catalina acontece logo no começo de Tombwater. Ela é uma espadachim ágil, que pune qualquer hesitação, e o duelo corre ao som de um tango. A cena resume o que o jogo faz de melhor: junta ideias que não deveriam combinar e executa cada uma delas com precisão.

Tombwater é um soulslike em pixel art, visto de cima, com mapa interligado no estilo metroidvania e horror cósmico no lugar dos castelos góticos. Saiu em 31 de março para PC. É obra da Moth Atlas, a dupla Max Mraz e Jake Wagner, com publicação da Midwest Games e da Minimap.

Joguei na Steam, na versão 1.1.12, já com os textos em português que chegaram na atualização 1.1. Foram 19 horas até fechar a campanha e boa parte do conteúdo extra. Terminei no nível 49, com 16 chefes derrubados.

Leia também: Tombwater ganha textos em português, chefe novo e troca de classe

Um pistoleiro atrás do amigo

Comecei com a classe Nameless, que entra na jornada praticamente sem nada. É a mesma ideia do Miserável do Dark Souls, e joguei assim na dificuldade padrão.

A trama é direta. O protagonista procura o xerife Elliott Flintwood, seu único amigo, desaparecido numa cidade mineira tomada pela loucura. O roteiro segura o mistério até o fim, e o desfecho deixa pontas soltas que parecem preparar uma continuação.

Há ainda um final verdadeiro, escondido atrás de mais exploração. Ele revela os mistérios que o final padrão deixa em aberto.

O xerife Flintwood numa rua da cidade, o amigo que o protagonista procura. Captura feita pelo Acerto Games no PC.
📷 O xerife Flintwood numa rua da cidade, o amigo que o protagonista procura. Captura feita pelo Acerto Games no PC. Créditos: Moth Atlas / Midwest Games.

Um combate que pede estratégia

O combate é o centro de tudo. Cada inimigo pede uma resposta diferente, e as ferramentas ajudam a montá-la. O lança-gancho e o Tiro Espectral estão entre as melhores ideias do jogo, porque servem tanto à luta quanto aos puzzles que liberam novas áreas.

Há tropeços. Em alguns momentos, a esquiva parece não adiantar. Quando mais de dois monstros atacam juntos, o personagem pode ficar preso entre eles, sem saída. A mira também travou algumas vezes, e os comandos chegaram a falhar no uso do carvão espectral.

A variedade compensa. Pelas minhas contas, são perto de cem tipos de monstro, e cada chefe traz mecânicas próprias. As builds também mudam a forma de jogar: fechei a campanha com 31 armas, entre de fogo e brancas, e 29 amuletos.

Catalina, a espadachim do duelo ao som de tango. Captura feita pelo Acerto Games no PC.
📷 Catalina, a espadachim do duelo ao som de tango. Captura feita pelo Acerto Games no PC. Créditos: Moth Atlas / Midwest Games.

Liberdade de metroidvania, mapa de pouca ajuda

A estrutura dá a sensação de liberdade que todo bom metroidvania tem. São nove biomas, de cânions e matagais a florestas e minas, ligados entre si e cheios de segredos.

O mapa é o ponto fraco. O sistema é confuso e pouco ajuda a entender onde se está e para onde ir. Quem tem senso de direção ruim vai se perder com facilidade.

A campanha principal, só com os chefes obrigatórios, leva cerca de 15 horas. Fazer tudo pede de 20 a 25 horas.

A decadência em ocre e cinza

A direção de arte é o que mais impressiona. A paleta de terra, ocre e cinza retrata uma cidade do Velho Oeste abandonada ao caos. Os monstros são viscerais, e o jogo consegue ser belo e assustador na mesma cena.

O tom gótico me lembrou Blasphemous. A diferença é o cenário: em vez de catedrais, saloons, cemitérios e minas de prata.

Adelaide, uma das figuras que o pistoleiro encontra pelo caminho. Captura feita pelo Acerto Games no PC.
📷 Adelaide, uma das figuras que o pistoleiro encontra pelo caminho. Captura feita pelo Acerto Games no PC. Créditos: Moth Atlas / Midwest Games.

Faroeste e tango na trilha

A trilha sonora é a outra metade da identidade. Max Mraz e Jake Wagner compuseram as músicas eles mesmos. Elas transitam entre o acústico e o caos das lutas, sempre com cara de faroeste.

O tango de Catalina é a minha faixa favorita. Entre as músicas de chefe, Hang'em High: Deputy Bacilio é a que fica na cabeça.

Só texto, em bom português

Não há dublagem. Toda a história chega por caixas de texto, o que é comum num jogo em pixel art, mas cansa em alguns momentos. A tradução para o português é boa.

Dificuldade sob medida

Em vez de fácil, médio e difícil, Tombwater deixa ajustar o dano. Dá para receber de 1% a 200% do dano e causar de 1% a 400% nos inimigos. Ao morrer, é possível voltar ao local para recuperar o que ficou para trás, ou ativar nas opções a regra de não perder nada.

Faltam modos para daltônicos. A ausência de vozes também pode dificultar a história para quem tem dislexia.

Leve no PC

Com Ryzen 7 5700G, Radeon RX 7600 e 16 GB de memória, o jogo roda de forma extremamente fluida, com carregamentos rápidos. Não há modos gráficos para escolher.

Uma arena de pedra, palco de um dos duelos mais tensos da jornada. Captura feita pelo Acerto Games no PC.
📷 Uma arena de pedra, palco de um dos duelos mais tensos da jornada. Captura feita pelo Acerto Games no PC. Créditos: Moth Atlas / Midwest Games.

Veredito

Tombwater prova que um jogo pode ser punitivo, desafiador e sombrio em 2D. Ele ousa misturar soulslike, metroidvania, faroeste e horror cósmico, e executa cada parte com segurança. Os comandos que às vezes falham e o mapa confuso não chegam a arranhar o conjunto.

Por R$ 60 na Steam, é compra certa para quem gosta de soulslike e de metroidvania retrô. Quem procura visual em 3D ou se perde com facilidade deve pensar duas vezes.

Veredito

Um soulslike em 2D que mistura metroidvania, faroeste e horror cósmico e executa cada ideia com segurança. Combate exigente, arte marcante e uma trilha de faroeste e tango sustentam a jornada, mesmo com o mapa confuso e falhas pontuais de comando.

Pontos positivos

  • Combate que pede estratégia a cada inimigo
  • Direção de arte em pixel art marcante
  • Trilha sonora de faroeste e tango
  • Exploração livre de metroidvania com final verdadeiro
  • Dificuldade ajustável pelo dano

Pontos negativos

  • Mapa confuso
  • Travamentos pontuais de mira e de comando
  • História só em texto, sem dublagem
Arte oficial de Tombwater com o logo do jogo, a criatura de crânio de cervo e chifres à esquerda e o pistoleiro de chapéu à direita

Ficha técnica

Tombwater

10.0/10 Obra-prima

Lançamento
31 de março de 2026
Plataformas
PC (Steam)
Desenvolvedora
Moth Atlas
Distribuidora
Midwest Games e Minimap

Agradecimento

O Acerto Games agradece à Midwest Games, à Minimap e à Moth Atlas pelo envio da chave de Tombwater e pela oportunidade de conhecer e analisar o jogo.

Newsletter Acerto Games

Dê o start na informação certa

Um resumo diário com as principais notícias de games, direto no seu e-mail.

Você vai receber um e-mail para confirmar a inscrição. Ao se inscrever, concorda com a Política de Privacidade. Dá para sair a qualquer momento, com um clique, no fim de cada e-mail.

Compartilhar:WhatsAppX

Leia no celular

Aponte a câmera e abra esta matéria

▸ Leia também