Valor Mortis leva o parkour de Ghostrunner a uma Europa napoleônica em ruínas
Soulslike em primeira pessoa da One More Level combina exploração no estilo metroidvania, combate desafiador e uma boa dose de horror.
Por Kleber Willyan · 18 out 2026 · 20:53 · 6 min de leitura

📷 Imagem oficial de Valor Mortis. Créditos: One More Level / Lyrical Games
Nota final do Acerto Games
Poucas sequências de Valor Mortis ficaram comigo como a do carrinho na mina. É um trecho simplesmente insano, daqueles em que velocidade, reflexo e tensão se juntam, e talvez seja a melhor síntese do que o jogo tem a oferecer.
Desenvolvido pela One More Level, o mesmo estúdio de Ghostrunner, e publicado pela Lyrical Games, Valor Mortis nos coloca na pele de William. Ele é um soldado do exército de Napoleão que enfrenta uma jornada sombria e sobrenatural numa Europa devastada pela guerra.
É um soulslike em primeira pessoa, com um mundo semiaberto inspirado em metroidvania. O jogo foi lançado em 13 de outubro para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Joguei no PC, pela Steam. Comecei a campanha um dia antes da primeira atualização, lançada em 16 de outubro, e segui a jornada já com as correções de travamentos e de progressão.

Um mundo que pede para ser revisitado
A estrutura semiaberta incentiva a exploração o tempo todo. Caminhos alternativos aparecem para quem presta atenção, e voltar a áreas anteriores com novas possibilidades faz parte do ritmo da campanha.
Os mistérios e puzzles reforçam essa ideia. Eles recompensam a curiosidade e tornam a exploração ainda mais envolvente, porque quase sempre há algo a descobrir além do caminho principal.


Um combate que cobra e diverte
O combate é desafiador. O arsenal tem poucas armas, mas elas são marcantes e contam com uma boa progressão.
Aparar é o coração dos confrontos. Em primeira pessoa, ler o golpe do inimigo e responder no tempo certo exige atenção redobrada, e acertar esse tempo é extremamente satisfatório.
Lâminas e armas de fogo trabalham juntas, uma em cada mão. Os golpes têm peso, a resposta aos comandos é precisa e mirar nos pontos fracos dos inimigos dá uma camada tática a cada encontro.
Os inimigos também têm pouca variedade. São 22 tipos, mas eles parecem poucos para uma campanha deste tamanho, e os mesmos adversários voltam com frequência. É o ponto em que Valor Mortis mais fica devendo.

O gore também é satisfatório para quem curte combates mais brutais. A violência tem peso visual e combina com o tom de horror que o jogo constrói desde o início.


A herança de Ghostrunner
O parkour merece destaque. A movimentação é rápida, a verticalidade está por toda parte e os desafios de plataforma exigem precisão.
É possível perceber uma herança direta de Ghostrunner. Valor Mortis troca a cidade futurista pela Europa napoleônica, mas mantém a sensação de que o corpo do personagem é uma ferramenta tão importante quanto a arma.
A sequência do carrinho na mina leva essa herança ao limite e está entre as partes mais marcantes da jornada.
Acenos a outros jogos
Outro detalhe interessante são as possíveis referências a outros jogos. No Capítulo 3, a Aldeia em Ruínas me lembrou bastante a estética e os inimigos de Resident Evil 4.
Já na fortaleza, a referência a Dark Souls é direta: uma espada cravada numa fogueira, que William precisa acender. O gesto rende a conquista Chama Frenética, um detalhe que os fãs do gênero certamente vão apreciar.

Chefes que deixam marca
Entre os chefes, o Órfão e a Entidade são os mais tenebrosos, tanto pela presença quanto pelo desafio. A Entidade foi, sem dúvida, o combate em que mais tive dificuldade.


A história também reserva momentos marcantes, especialmente envolvendo Picanço. A participação dela guarda surpresas que valem a pena descobrir sem spoilers.
Fica um conselho: seja o mais gentil possível com as crianças de Picanço, os famosos ratos. Você vai entender.
Veredito
Valor Mortis entrega uma experiência intensa, com identidade própria, exploração envolvente e combates desafiadores. A herança de Ghostrunner aparece no parkour, mas o jogo encontra voz própria no horror e na Europa em ruínas.
O final deixa aquele gostinho de quero mais. Ele dá a entender que ainda há história para contar, o que parece abrir espaço para uma possível sequência.
É uma ótima pedida para quem curte soulslikes, exploração no estilo metroidvania, referências a outros jogos e uma boa dose de horror.
Veredito
Um soulslike em primeira pessoa com identidade própria, exploração que recompensa a curiosidade e um combate preciso, de golpes pesados e aparar satisfatório. O parkour herdado de Ghostrunner e os chefes tenebrosos marcam a jornada, mesmo com a pouca variedade de inimigos.
Pontos positivos
- Combate com aparar preciso e golpes de peso
- Exploração semiaberta e caminhos alternativos
- Armas marcantes com boa progressão
- Parkour rápido e vertical
- Chefes marcantes
Pontos negativos
- Pouca variedade de inimigos

Ficha técnica
Valor Mortis
9.0/10 Excelente
- Lançamento
- 13 de outubro de 2026
- Plataformas
- PC (Steam), PlayStation 5 e Xbox Series X|S
- Desenvolvedora
- One More Level
- Distribuidora
- Lyrical Games
Agradecimento
O Acerto Games agradece à Lyrical Games e à One More Level pelo envio da chave de Valor Mortis e pela oportunidade de conhecer e analisar o jogo.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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