Estúdio do criador de Yakuza fecha as portas, e Gang of Dragon é cancelado
Nagoshi Studio foi dissolvido em 31 de outubro, meses depois de a NetEase cortar o dinheiro. O jogo com Ma Dong-seok precisava de mais US$ 44 milhões para ficar pronto.
Por Bruno Vazquez · 02 nov 2026 · 17:54 · 4 min de leitura

📷 Gang of Dragon. Divulgação/Nagoshi Studio
Gang of Dragon não vai sair. O Nagoshi Studio, aberto em 2021 por Toshihiro Nagoshi, criador de Yakuza, foi dissolvido por decisão dos acionistas em 31 de outubro. O fim do estúdio apareceu nesta segunda-feira (2) no Kanpo, o diário oficial do governo japonês, que registra aberturas e encerramentos de empresas. O jogo de estreia, revelado há menos de um ano, morre junto.
Não houve comunicado do estúdio nem da NetEase, a empresa chinesa que bancava o projeto. Mas o desfecho parece só oficializar o que vinha se desenhando desde março.
O dinheiro acabou em março
Em março, a Bloomberg revelou que os funcionários tinham sido avisados de que a NetEase cortaria o financiamento em maio. Segundo a reportagem, Gang of Dragon ainda precisava de cerca de 7 bilhões de ienes, algo como US$ 44 milhões, para ser concluído. A NetEase não quis pagar a conta, e o estúdio teria a opção de se tornar independente se conseguisse dinheiro para comprar a própria saída.
Pelo jeito, não conseguiu. Desde então, a equipe foi perdendo gente para outras empresas, e as redes sociais do estúdio pararam no tempo. Curiosamente, a página do jogo na Steam continua no ar, ainda com o aviso de "em breve".

O Yakuza que não foi
Gang of Dragon foi apresentado no The Game Awards de dezembro de 2025, com o ator sul-coreano Ma Dong-seok, o Don Lee de Invasão Zumbi e Eternos, no papel de Shin Ji-seong. A proposta era tudo o que os fãs esperavam de Nagoshi. Era um jogo de ação em Shinjuku, com um drama de gângsteres em Kabukicho, o bairro que inspirou a Kamurocho de Yakuza.
As imagens oficiais mostravam um pé no Yakuza clássico e outro em algo maior, com tiroteios, explosões, briga de rua e até uma oficina para equipar carros com armas. O estúdio dizia estar com o desenvolvimento avançado.
Nagoshi saiu da SEGA em 2021, depois de duas décadas à frente da série Yakuza e do Ryu Ga Gotoku Studio, e levou parte da equipe antiga para a nova casa. A série seguiu na SEGA, agora como Like a Dragon, e o próximo jogo do Ryu Ga Gotoku, Stranger Than Heaven, segue em produção.
Stranger Than Heaven ganha 12 minutos de gameplay e mostra combate bem diferente de Yakuza
A NetEase sai do Japão
O Nagoshi Studio é a vítima mais conhecida de um recuo que a NetEase vem fazendo há alguns anos. A empresa, dona de Marvel Rivals, gastou alto abrindo e comprando estúdios no Japão e no Ocidente e agora desfaz boa parte disso. A Ouka Studios, de Visions of Mana, fechou em 2024. No Ocidente, a Worlds Untold, do roteirista de Mass Effect Mac Walters, perdeu o apoio da empresa. O mesmo aconteceu com a Jar of Sparks, de Jerry Hook, que liderou Halo Infinite.
Nem todo caso terminou mal. A Grasshopper Manufacture, de Suda51, saiu da NetEase em outubro e voltou a ser independente. A diferença parece estar no dinheiro em jogo. Um estúdio que já tinha lançado Romeo Is a Dead Man consegue se virar sozinho. Um projeto de ação de grande orçamento, ainda longe do fim, não.
Seguindo os passos do amigo Kojima, Suda51 deixa a NetEase e torna a Grasshopper independente
Nagoshi ainda não falou publicamente sobre o fim do estúdio. Um dos nomes mais conhecidos da indústria japonesa fica, pela primeira vez em décadas, sem um jogo conhecido em produção.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
Ver perfil e matérias →Newsletter Acerto Games
Dê o start na informação certa
Um resumo diário com as principais notícias de games, direto no seu e-mail.
Leia no celular
Aponte a câmera e abra esta matéria


