BioWare vai fechar, e o próximo Mass Effect foi cancelado
Estúdio de Baldur's Gate, KOTOR, Dragon Age e Mass Effect anunciou o fim depois de mais de 30 anos. EA corta cerca de 400 vagas dois meses após ser vendida.
Por Bruno Vazquez · 21 out 2026 · 15:05 · 4 min de leitura

📷 Divulgação/BioWare e Electronic Arts
Acabou. A BioWare, estúdio de Baldur's Gate, Star Wars: Knights of the Old Republic, Dragon Age e Mass Effect, vai fechar as portas. O anúncio foi feito pelo próprio estúdio nesta quarta-feira (21), junto com o fim do próximo Mass Effect, que estava no começo do desenvolvimento.
"Depois de mais de três décadas de aventuras compartilhadas, a BioWare está fechando e o desenvolvimento inicial do próximo projeto de Mass Effect está sendo encerrado", diz o comunicado.

"Não há nada de fácil em escrever essas palavras", segue o texto. O estúdio diz que o foco agora está na equipe e agradece aos jogadores: "obrigado por serem a parte mais significativa da nossa história".
Cortes em toda a EA
O fechamento faz parte de uma reestruturação maior da Electronic Arts. Segundo a Bloomberg, a empresa vai demitir cerca de 400 pessoas, perto de 3% de toda a força de trabalho, e cerca de 50 dessas vagas são da BioWare.
Em carta aos funcionários, o diretor de operações David Tinson e o diretor de estúdios Cam Weber afirmam que, "nos últimos meses, fizemos uma análise dura do nosso negócio".
Os cortes não param na BioWare. O Project Lotus, um novo jogo de The Sims, deixou de seguir adiante, e a equipe de skate. vai ser reduzida.
Do outro lado, a EA diz que segue investindo nos jogos de esporte, em Apex Legends, no próximo Star Wars Jedi e no jogo do Homem de Ferro. Respawn e DICE vão trabalhar juntos num novo projeto, que a Bloomberg aponta como um provável Star Wars: Battlefront.
Dois meses depois da venda
O anúncio vem cerca de dois meses depois de a EA fechar capital. Em agosto, ela foi comprada por um consórcio liderado pelo PIF, o fundo soberano da Arábia Saudita, ao lado da Silver Lake e da Affinity Partners. A operação girou em torno de US$ 55 bilhões.
A compra deixou a EA com uma dívida perto de US$ 18 bilhões. O fechamento da BioWare parece a primeira consequência visível dessa conta, e dificilmente será a última.

O Mass Effect que não vai existir
O próximo Mass Effect foi anunciado no The Game Awards de 2020, com um teaser curto que mostrava uma peça da armadura N7 encontrada na neve.
Em 2025, depois de uma rodada de demissões, a BioWare disse que um núcleo da equipe seguia no projeto. A frase já soava como aviso. Parte do estúdio tinha sido realocada para outras áreas da EA, e o Mass Effect seguia sem data, sem nome e sem mostrar nada além daquele teaser.

Os últimos anos foram duros
A BioWare vinha de dois tropeços seguidos. Anthem, lançado em 2019, não convenceu e teve os servidores desligados em janeiro deste ano.
Dragon Age: The Veilguard, lançado em outubro de 2024, ficou abaixo das expectativas da EA. Os dois jogos marcaram uma década em que o estúdio parecia cada vez mais distante do que o tinha consagrado.

Mais de 30 anos de escolhas
A BioWare nasceu em 1995, em Edmonton, no Canadá, fundada pelos médicos Ray Muzyka, Greg Zeschuk e Augustine Yip. Três anos depois, Baldur's Gate redefiniu o RPG de computador.
Vieram Neverwinter Nights, Knights of the Old Republic em 2003 e, já sob o guarda-chuva da EA, que comprou o estúdio em 2007, as séries Dragon Age e Mass Effect.
O que une essa lista é a ideia de que as escolhas do jogador importam. Companheiros que podem morrer, romances que mudam a história, decisões levadas de um jogo para o outro. Muito do que hoje se espera de um RPG ocidental passou pela BioWare primeiro.

O próprio comunicado reconhece isso. "Esses jogos se tornaram muito mais porque vocês os jogaram, debateram suas escolhas, se apaixonaram pelos personagens e fizeram desses mundos os seus", escreve o estúdio.
As marcas continuam com a EA. Ninguém sabe, por enquanto, se Mass Effect e Dragon Age vão voltar algum dia, nem nas mãos de quem.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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