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Suda51 garante a volta de Travis Touchdown nos 20 anos de No More Heroes e quer resgatar Moonlight Syndrome

Independente de novo, a Grasshopper planeja algo com a Marvelous para 2027 e quer voltar ao lado sombrio de killer7. Na lista de desejos de Suda, há até Gundam e Deadpool.

Por · 02 nov 2026 · 17:58 · 4 min de leitura

Arte oficial de No More Heroes com Travis Touchdown, de óculos amarelos e jaqueta vermelha, ao lado de Sylvia Christel diante de placas de rua

📷 No More Heroes. Divulgação/Marvelous

Travis Touchdown vai voltar. Quem garante é o próprio Goichi Suda, o Suda51, em entrevista à Famitsu feita no início de outubro, logo depois de a Grasshopper Manufacture deixar a NetEase. Questionado sobre os 20 anos de No More Heroes, lançado no Japão em 2007, ele não deu detalhes, mas foi direto: "Travis Touchdown com certeza vai voltar!"

A série pertence à Marvelous, e Suda deixou claro que a comemoração depende das duas empresas. "A Marvelous também está ciente disso, então queremos muito fazer alguma coisa juntos na época dos 20 anos. Queremos entregar algo, então podem esperar", disse.

O que pode ser

Não há pista do formato. Pode ser um jogo novo, uma coletânea, uma remasterização ou algo fora dos games. O último capítulo, No More Heroes 3, saiu em 2021, e desde então a série ficou parada. Na época, Suda chegou a tratar o terceiro jogo como a última luta de Travis. A frase de agora parece fechar essa porta.

Travis Touchdown e o elenco de No More Heroes 3, o último jogo da série, de 2021.
📷 Travis Touchdown e o elenco de No More Heroes 3, o último jogo da série, de 2021. Divulgação/Marvelous

Os três jogos principais estão na Steam, com preço de R$ 99,99 para os dois primeiros e R$ 107,99 para No More Heroes 3. Toda a série saiu primeiro em plataformas da Nintendo, do Wii ao Switch.

De volta às raízes sombrias

Na mesma entrevista, Suda falou de outro desejo, este bem mais pessoal. Ele quer retomar a linha de Moonlight Syndrome, aventura de terror psicológico que dirigiu em 1997 para o PlayStation, ainda na Human Entertainment. O jogo nunca saiu fora do Japão.

"É uma obra que foi um ponto de partida para mim", contou. A ideia, segundo ele, é mostrar de novo o lado escuro, sério e caótico que a Grasshopper tinha até killer7. Foi com No More Heroes que chegou a fama de estúdio de ação colorida. Suda diz estar mergulhado nesse universo para criar um projeto novo, com roteiro escrito por ele. "Antes de tudo, quero lançar Moonlight Syndrome no exterior", completou.

Ele mesmo duvida que consiga voltar àquele tom. "Os roteiros daquela época só podiam ser escritos com o meu grau de loucura daquela época", brincou. Ainda assim, o caminho existe. A remasterização de The Silver Case ampliou o público, e, segundo ele, editoras independentes já procuraram o estúdio para propor parcerias.

Independente, mas aberto a tudo

A Grasshopper deixou a NetEase em 1º de outubro, depois de cerca de cinco anos. Em entrevista à 4Gamer, Suda explicou que o estúdio recomprou as ações que estavam com a empresa chinesa e voltou a ser independente pela primeira vez em mais de uma década. Nome, equipe, endereço e até os equipamentos foram mantidos, algo que ele mesmo chamou de raro.

O plano de três grandes jogos em dez anos, prometido na era NetEase, vai mudar. Agora o estúdio pode aceitar trabalhos para outras empresas, e Suda já fez a lista de desejos. Ele quer fazer Gundam e calcula, rindo, 50% de chance de conseguir. Também cita Deadpool, da Marvel.

A lição de Romeo Is a Dead Man

O último jogo da casa, Romeo Is a Dead Man, lançado em fevereiro, acabou publicado pela própria Grasshopper. Suda admite que foi difícil. "Até pessoas da indústria me diziam: ah, já tinha saído?", contou à 4Gamer. Para ele, o estúdio, perto de completar 30 anos, ainda não aproveita a própria marca, que é conhecida fora do Japão.

Por isso, o catálogo antigo entra nos planos. Suda quer que os jogos da Grasshopper possam ser jogados nos consoles atuais, e não só na Steam. Em 2028 o estúdio faz 30 anos, e ele promete um grande anúncio para a data.

Seguindo os passos do amigo Kojima, Suda51 deixa a NetEase e torna a Grasshopper independente

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

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