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Demissões na indústria de games em 2026 já passam do total de 2025, com dois meses ainda pela frente

Rastreador da ASGC, de Amir Satvat, soma 10.977 postos cortados neste ano, contra 9.197 em todo o ano passado. A projeção é fechar 2026 perto de 13 mil, com cerca de 35 estúdios fechados.

Por · 03 nov 2026 · 08:50 · 4 min de leitura

Gráfico de barras com as demissões na indústria de games: 15.631 em 2024, 9.197 em 2025, 10.977 em 2026 até agora e projeção de 13.077 para o ano

📷 Arte: Acerto Games, com dados do rastreador da ASGC

A indústria de games já demitiu mais gente em 2026 do que em todo o ano de 2025. O rastreador da Always Supporting the Games Community (ASGC), mantido por Amir Satvat, soma 10.977 postos de trabalho cortados neste ano. Em 2025 inteiro, foram 9.197. Ainda faltam novembro e dezembro.

Os números circularam no fim de semana e mostram 2026 como o segundo pior ano do ciclo de cortes que começou depois da pandemia. Só fica atrás de 2024, que fechou com 15.631 demissões, o recorde do rastreador. A projeção da ASGC é encerrar o ano em 13.077 postos perdidos, o que exigiria mais cerca de 2.100 cortes até dezembro.

O ano que deveria ser de recuperação

O dado muda a leitura de 2025. Com pouco mais de 9 mil cortes, o ano passado parecia o começo da estabilização depois do pico de 2024. A retomada não veio. Além dos empregos, o rastreador conta cerca de 35 estúdios fechados em 2026 e 161 empresas que passaram por alguma rodada de demissões.

A projeção também se moveu. Em julho, a estimativa da ASGC para o ano chegava a 14.259 demissões. A conta de agora é menor, mas parte de uma base já acima de 2025 inteiro, e o rastreador registra só cortes confirmados. Demissões silenciosas e o fim de contratos com terceirizados ficam de fora, de modo que o número funciona como piso.

Satvat é diretor de desenvolvimento de negócios da Tencent Games e mantém a ASGC desde novembro de 2022 como comunidade gratuita de apoio a quem perdeu o emprego. Em agosto, na conferência de desenvolvedores da Gamescom, ele mostrou que mais de dois terços dos casos de demissão de 2026 vinham de empresas com sede na América do Norte.

A palestra mais importante da Gamescom não foi sobre jogo nenhum

Do Xbox ao estúdio de Boltgun 2

O peso maior vem das grandes empresas. O Xbox executa um plano de cerca de 3.200 demissões no ano fiscal, e uma reportagem da Fortune revelou em outubro que a Microsoft prepara novas rodadas até janeiro. No mesmo mês, a EA anunciou o fechamento da BioWare e o cancelamento do próximo Mass Effect, dentro de um corte de aproximadamente 400 vagas.

BioWare vai fechar, e o próximo Mass Effect foi cancelado

O padrão se repete entre os estúdios médios, e muitas vezes logo depois de um lançamento. A Supermassive Games anunciou em agosto até 75 demissões, três meses depois de Directive 8020. A Sucker Punch, de Ghost of Yōtei, cortou 26 pessoas em outubro. A Auroch Digital abriu consulta para demitir um quarto da equipe 12 dias depois de lançar Boltgun 2. No sábado (31), o Nagoshi Studio, do criador de Yakuza, foi dissolvido, e Gang of Dragon morreu junto.

Estúdio do criador de Yakuza fecha as portas, e Gang of Dragon é cancelado

Receita recorde, folha menor

O contraste está no calendário. Em outubro, Call of Duty passou de US$ 40 bilhões em receita acumulada com o lançamento de Modern Warfare 4, e GTA VI chega às lojas em 19 de novembro. O dinheiro dos maiores lançamentos não se traduz em contratação. Entre as empresas que mais cortam estão algumas das que mais faturam.

Os 13 mil projetados ainda ficam abaixo de 2024. A diferença é que 2024 foi tratado como ajuste de excessos da pandemia. Um segundo ano acima de 10 mil demissões sugere que os cortes deixaram de ser correção e viraram rotina de gestão da indústria.

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

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