"Difícil achar sinal de esperança": analista diz que Gears exclusivo e CoD fora do Game Pass não ajudaram o Xbox
Mat Piscatella, da Circana, afirma que as medidas de Asha Sharma não mudaram as vendas. A meta da empresa é superar Sony e Nintendo em margem até 2030.
Por Bruno Vazquez · 29 out 2026 · 14:27 · 4 min de leitura

📷 Gears of War: E-Day. Divulgação/Xbox Game Studios
As apostas recentes do Xbox ainda não aparecem nos números. É o que diz Mat Piscatella, analista da Circana, empresa que acompanha as vendas de games nos Estados Unidos. Em entrevista ao site The Game Business, ele afirmou que não vê efeito positivo nas medidas tomadas pela divisão neste ano.
"É muito difícil encontrar qualquer sinal de positividade ou de esperança nessa plataforma agora", disse. "Tudo o que eles fazem parece render curtidas no Twitter da parte mais apaixonada da base de fãs. Mas, fora isso, em termos de resultados reais, não estou vendo nada. E estou procurando com muita atenção."
Gears exclusivo não vendeu mais consoles
O alvo principal da crítica é Gears of War: E-Day. A presidente do Xbox, Asha Sharma, fez da exclusividade do jogo nos consoles da marca uma bandeira. Segundo Piscatella, isso não mudou a tendência de vendas do hardware. "Na verdade, ela continua piorando", afirmou.
O analista chamou E-Day de um Gears legítimo e bonito. Para ele, deixar o jogo fora do PS5 cortou o potencial do lançamento sem trazer ganho visível para a plataforma, pelo menos no curto prazo.

Call of Duty fora do Game Pass também pesou
Piscatella também criticou a decisão de tirar o novo Call of Duty do Game Pass no lançamento. Segundo ele, a série "perdeu muito engajamento" no Xbox porque Modern Warfare 4 não está no serviço, "e não houve benefício nenhum". O programa de troca de jogos físicos por digitais, segundo o analista, também não alterou as vendas de mídia física.
Do outro lado, o analista vê o modelo antigo funcionando para a Sony. Mesmo com recepção dividida, Marvel's Wolverine fez as vendas de PS5 de setembro subirem em relação ao ano passado, puxando também o pacote do console e o novo DualSense. Para Piscatella, foi o efeito clássico de um exclusivo vendendo hardware.
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A meta de 2030
A análise contrasta com a ambição da empresa. Em memorando enviado aos funcionários em julho, revelado pela CNBC, Sharma colocou uma meta para o ano fiscal de 2030. A ideia é ter as melhores margens do setor, acima das de Sony e Nintendo, e crescer o número de jogadores na casa dos dois dígitos.
Por enquanto, o caminho parece longo. A receita de hardware caiu 14% no último trimestre, e Sharma atribuiu parte da queda à falta de consoles nas lojas. Nos Estados Unidos, a Circana já tinha registrado o pior setembro da história para os consoles Xbox Series.
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O preço da estratégia
A estratégia aparece na hora de pagar. Gears of War: E-Day custa R$ 299 na Steam brasileira, onde o jogo também saiu, já que a exclusividade vale só entre os consoles. Modern Warfare 4, que ficou fora do Game Pass no lançamento, tem o mesmo preço por lá.
Os números da Circana são dos Estados Unidos e não incluem o Brasil, onde a Microsoft não divulga vendas. Mas, com consoles cada vez mais caros e os grandes lançamentos fora do serviço, a conta para quem joga no Xbox por aqui parece só ficar mais pesada.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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