Deep Dish Dungeon faz da curiosidade sua maior recompensa
Com cenários retrô cheios de personalidade, puzzles inteligentes e um sistema de culinária surpreendente, a aventura brasileira encontra sua força na exploração.
Por Kleber Willyan · 12 out 2026 · 11:00 · 9 min de leitura

📷 Arte oficial de Deep Dish Dungeon. Créditos: Behold Studios / Raw Fury
Nota final do Acerto Games
Existem jogos que nos conduzem pela mão e outros que preferem confiar na curiosidade de quem está do outro lado da tela. Deep Dish Dungeon pertence ao segundo grupo. Desenvolvido pelo estúdio brasileiro Behold Studios e publicado pela Raw Fury, o jogo constrói uma aventura em que um corredor desconhecido, uma passagem discreta ou um objeto aparentemente comum podem esconder uma descoberta surpreendente.
O que inicialmente parece ser uma exploração relativamente simples por masmorras revela uma experiência mais elaborada. Há equipamentos para fabricar, ingredientes capazes de modificar radicalmente os atributos do personagem, inimigos que exigem estratégias diferentes e quebra-cabeças que recompensam a atenção.
Durante minha jornada, o que mais me prendeu foi essa sensação de encontrar algo novo a cada retorno. Nem sempre há uma indicação clara do próximo passo, e essa escolha faz bem à aventura: parte do prazer está em compreender seus espaços por conta própria.
Deep Dish Dungeon será lançado em 13 de outubro de 2026 para PC via Steam e também estará disponível no Xbox Game Pass desde o primeiro dia, com acesso em console, PC e nuvem nos planos elegíveis.
Uma identidade retrô cheia de personalidade

Deep Dish Dungeon é visualmente encantador. Seus gráficos retrô, com geometria marcada e texturas pixelizadas, dão aos cenários uma identidade própria. A ambientação consegue alternar entre lugares acolhedores, corredores ameaçadores e espaços monumentais sem perder a coerência.
A iluminação merece atenção. A tocha se torna companhia constante na travessia por salas escuras, enquanto contrastes entre luz e sombra ajudam a construir a sensação de mistério. A direção de arte não está ali apenas para enfeitar: ela reforça a vontade de descobrir o que existe além da próxima porta.

O melhor caminho nem sempre é o mais evidente
A exploração se apoia em corredores interligados, caminhos que exigem atenção e enigmas que convidam a testar hipóteses. Os puzzles são desafiadores na medida certa e, na maior parte do tempo, não parecem uma interrupção artificial do ritmo. Pelo contrário, fazem parte da linguagem da própria masmorra.
Colecionáveis e tesouros dão motivos para revisitar espaços conhecidos. Dos 22 tesouros indicados pelo jogo, encontrei 16 durante esta experiência, e ainda restaram segredos a investigar. Isso ajuda a dimensionar quanto conteúdo pode escapar a quem simplesmente procura o caminho mais direto.

A cozinha é uma das grandes estrelas da aventura
O sistema culinário de Deep Dish Dungeon vai muito além de cozinhar para recuperar vida. As receitas podem alterar velocidade, altura dos saltos, saúde e outros atributos, transformando o preparo dos alimentos em parte efetiva da estratégia. Entre as 62 receitas apresentadas pelo jogo, consegui preparar aproximadamente 45.
Ingredientes como manjericão e coentro entram em combinações que modificam os efeitos dos pratos. Algumas receitas criam buffs, enquanto outras produzem debuffs. A liberdade para experimentar faz com que preparar uma refeição seja também uma maneira de descobrir o funcionamento do sistema.
Um ingrediente se destacou especialmente: o guaraná, planta nativa da Amazônia. A presença desse elemento em um título desenvolvido por um estúdio brasileiro é um detalhe interessante, ainda mais porque ele pode produzir resultados expressivos nas receitas.
Em uma das combinações que preparei, adicionei guaraná a um prato que já melhorava a movimentação, o salto e a saúde. O resultado foi imediato: o personagem passou a se mover muito mais rápido, saltar mais alto e contar com uma reserva maior de vida. Essa experiência fez a cozinha deixar de ser um recurso complementar e se tornar parte da preparação para explorar áreas mais difíceis.
As poções ampliam esse leque. Testei a poção refrescante, cuja descrição aponta aumento de 500% na recuperação de vida e estamina durante um minuto.
O mais interessante não é a quantidade de receitas por si só, mas a maneira como suas propriedades transformam as decisões antes de um confronto ou de uma travessia arriscada.
Equipamentos que fazem diferença dentro e fora do combate

A variedade de equipamentos reforça essa ideia de preparação. Durante a campanha encontrei espadas, arcos, machados, escudos, adagas, maças e ferramentas com finalidades próprias. Martelos e picaretas, por exemplo, não se limitam ao combate: também ajudam a superar obstáculos e acessar novos espaços.
As opções defensivas incluem armaduras de couro e ferro, diferentes escudos, capas e acessórios. Uma das capas pode ajudar a reduzir o ruído da movimentação, acrescentando uma dimensão de discrição à exploração.

A organização desse arsenal, porém, poderia ser mais cômoda. Espaços dedicados às armaduras e um suporte específico para a tocha tornariam o inventário mais fácil de administrar. São sugestões de conforto que combinariam bem com a riqueza de opções já presente no jogo.
Três grandes confrontos, três ideias diferentes
Os chefes ajudam a demonstrar a inventividade de Deep Dish Dungeon. A Aranha-Rainha se destaca pela atmosfera de terror e pelo impacto de sua presença. A Moreia aposta em uma dinâmica de interação com o ambiente, que faz o jogador pensar para além do ataque direto. A Harpia impressiona visualmente e tem uma introdução pouco convencional, acompanhada de um percurso que valoriza a observação e os quebra-cabeças.


A graça está em descobrir a lógica de cada encontro, por isso não vale antecipar suas soluções. Durante alguns confrontos, encontramos pequenas inconsistências no comportamento dos inimigos. A desenvolvedora já confirmou uma atualização de lançamento destinada a corrigir problemas identificados na versão antecipada, especialmente no multiplayer.

A movimentação pode acompanhar melhor a liberdade dos sistemas
O gerenciamento de equipamentos faz parte da sobrevivência, mas a movimentação poderia reagir de forma mais perceptível ao peso carregado. Senti falta da possibilidade de correr quando a mochila estivesse leve, com restrições progressivas conforme ela ficasse mais pesada.
Como a exploração estimula idas e vindas por corredores conhecidos, uma mobilidade mais flexível tornaria os deslocamentos mais agradáveis. É um refinamento que acrescentaria conforto sem diminuir a importância da preparação.
A aventura fica ainda melhor em cooperativo
Concluí Deep Dish Dungeon duas vezes: primeiro sozinho, no modo single-player, e depois em cooperativo. Se a primeira jornada já havia sido divertida, a segunda mostrou como a experiência melhora quando compartilhada. Explorar as masmorras acompanhado, dividir descobertas, discutir soluções para os quebra-cabeças e enfrentar os perigos em conjunto tornam a aventura ainda mais envolvente. A comunicação por voz integrada ajuda nessa dinâmica, e revisitar os cenários com outra pessoa dá um novo ritmo à exploração. O jogo que já funcionava muito bem sozinho consegue ser ainda melhor no cooperativo.
Um encerramento que convida à reflexão
Sem antecipar nenhum acontecimento, vale registrar que o desfecho surpreende e propõe uma boa reflexão sobre as motivações de quem se aventura em busca de recompensas. É o tipo de conclusão que funciona melhor quando descoberta naturalmente e que dá outra dimensão à jornada.
Veredito

Deep Dish Dungeon entende o prazer da descoberta. Sua direção artística retrô dá personalidade aos ambientes, os enigmas recompensam a curiosidade e a variedade de equipamentos torna cada incursão mais interessante. A culinária é um dos grandes destaques, criando possibilidades de experimentação que fazem diferença real na maneira de jogar.
Algumas inconsistências pontuais e aspectos da movimentação e do inventário merecem refinamento, mas não ofuscam a qualidade do conjunto. A criatividade dos três grandes confrontos e a satisfação de desvendar novos caminhos deixam uma impressão bastante positiva.
Ao final da jornada, permaneci com vontade de voltar para encontrar os segredos que ficaram para trás. É um bom sinal para qualquer jogo construído em torno da curiosidade.
Veredito
A exploração recompensa a curiosidade com cenários retrô expressivos, enigmas criativos e um sistema de culinária surpreendentemente profundo. Pequenas inconsistências e oportunidades de melhoria no inventário não ofuscam a qualidade da aventura.
Pontos positivos
- Direção artística retrô
- Exploração e puzzles
- Culinária e equipamentos
- Cooperativo divertido
Pontos negativos
- Pequenas inconsistências
- Movimentação e inventário

Ficha técnica
Deep Dish Dungeon
8.0/10 Bom
- Lançamento
- 13 de outubro de 2026
- Plataformas
- PC (Steam), Xbox Series X|S e Xbox Game Pass (console, PC e nuvem)
- Desenvolvedora
- Behold Studios
- Distribuidora
- Raw Fury
Agradecimento
O Acerto Games agradece à Raw Fury e à Behold Studios pelo envio antecipado da chave de Deep Dish Dungeon e pela oportunidade de conhecer e analisar o jogo antes de seu lançamento.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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