EA fechou a BioWare para apostar em Star Wars Battlefront 3, diz Bloomberg
Com dívida de US$ 18 bilhões após a venda, a empresa teria escolhido entre Mass Effect e Battlefront. Star Wars venceu, mesmo sem ter saído do papel.
Por Bruno Vazquez · 30 out 2026 · 12:00 · 4 min de leitura

📷 Star Wars Battlefront II. Divulgação/EA
O fim da BioWare pode ter tido um motivo bem mais simples do que se imaginava: Star Wars. Segundo apuração da Bloomberg, publicada nesta sexta-feira (30), a Electronic Arts fechou o estúdio e cancelou o próximo Mass Effect principalmente para concentrar dinheiro em Star Wars Battlefront 3.
De acordo com fontes ouvidas pela agência sob anonimato, a direção da EA revisou os planos para os próximos anos. E percebeu que tinha dois jogos de ação de ficção científica na fila. Cada um custaria centenas de milhões de dólares. Um era Mass Effect Universe, como o projeto da BioWare parece ter sido chamado internamente. O outro era o novo Battlefront.
A empresa escolheu o segundo. Para os executivos, um novo Star Wars teria mais chance de sucesso do que um novo Mass Effect. Ainda segundo a Bloomberg, Battlefront 3 sequer tinha entrado em desenvolvimento quando a decisão foi tomada.
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A conta da venda bilionária
O pano de fundo é a venda da EA. Em agosto, a empresa foi comprada por um consórcio liderado pelo PIF, o fundo soberano da Arábia Saudita, numa operação de cerca de US$ 55 bilhões. A transação deixou a publicadora com uma dívida de US$ 18 bilhões, e foi com esse peso nas costas que o portfólio passou a ser revisto.
Nesse cenário, o shooter multiplayer pareceu a aposta mais segura. A EA costuma financiar jogos de tiro com mais facilidade do que RPGs longos e caros. E Battlefront conversa com um público muito maior do que o de Mass Effect.

Não foi só Battlefront
A reportagem deixa claro que houve outros fatores. Os jogos mais recentes da BioWare, Mass Effect: Andromeda, Anthem e Dragon Age: The Veilguard, não repetiram o sucesso dos primeiros títulos do estúdio. E a política interna também pesou.
Segundo a Bloomberg, executivos que defendiam a BioWare dentro da EA, como Laura Miele, ex-diretora de operações e de estúdios, foram substituídos por nomes vindos da EA Sports. Hoje quem ocupa esses cargos são David Tinson e Cam Weber, os mesmos que assinaram a carta aos funcionários anunciando os cortes.
Procurada, a EA não comentou os detalhes. Em nota, a empresa disse que chegou à decisão "depois de meses de planejamento, revisão e análise". O processo, segundo a EA, incluiu "uma avaliação cuidadosa das condições de negócio, da dinâmica do setor e das nossas prioridades de longo prazo".
"Isso nunca é fácil, mas no fim temos que tomar decisões difíceis para concentrar nossas equipes nas maiores oportunidades para o nosso futuro", completou a publicadora. Isso inclui, segundo ela, "investir em novos projetos em todo o nosso portfólio".
DICE e Respawn no comando
A peça que faltava já estava no próprio anúncio da reestruturação. No memorando que fechou a BioWare, a EA disse que DICE e Respawn vão trabalhar juntas num projeto futuro. Dias depois, a Variety apurou que se trata justamente de Star Wars Battlefront 3, algo que a empresa ainda não confirma oficialmente.
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Para quem jogou Mass Effect, a nova versão dos fatos parece ainda mais amarga. A série não foi encerrada por falta de público, mas por perder uma disputa de orçamento com outro jogo que nem existia. É uma lógica de planilha, em que o risco pesa mais do que a história do estúdio.

Fãs ainda tentam salvar Mass Effect
Enquanto isso, a comunidade segue mobilizada. A petição Save Mass Effect passou de 200 mil assinaturas. Mas há um racha entre quem quer ver o projeto cancelado recuperado e quem aceitaria entregar a série a outro estúdio só para mantê-la viva.
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Do lado de fora dos jogos, a série de Mass Effect da Amazon segue em produção. É, por ora, o único pedaço do universo de Shepard com futuro confirmado. Mass Effect Legendary Edition, que reúne a trilogia original remasterizada, custa R$ 249 na Steam, ainda sem tradução para o português.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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