Epic Games adia jogo de Marvel e Star Wars e determina uso intensivo de inteligência artificial
Projeto de tiro em parceria com a Disney perde previsão interna de lançamento, enquanto equipe recebe orientação para priorizar IA na criação de código e arte, segundo a Bloomberg.
Por Redação Acerto Games · 13 out 2026 · 00:25 · 5 min de leitura

📷 Imagem ilustrativa: Darth Vader em Fortnite / Epic Games
A Epic Games adiou um jogo de tiro ainda não anunciado, desenvolvido em parceria com a Disney e que reuniria personagens dos universos de Marvel e Star Wars. O projeto, que tinha uma previsão interna de lançamento para março de 2027, está agora sem uma nova data comunicada à equipe. A informação foi revelada em 12 de outubro pelo jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, com base em relatos de pessoas familiarizadas com a produção.
O adiamento vem acompanhado de uma mudança que pode ter consequências muito além de um único jogo. Segundo a reportagem, a Epic orientou os desenvolvedores a adotar um modelo de produção que coloca ferramentas de inteligência artificial no centro da criação de código e recursos visuais. Entre as tecnologias mencionadas está o Claude, da Anthropic.
Um jogo de Marvel e Star Wars que ainda não foi apresentado
O título não recebeu anúncio público, nome oficial, imagens de jogabilidade ou data de lançamento. Por isso, a previsão de março de 2027 mencionada na reportagem não deve ser confundida com uma promessa feita aos consumidores. Trata-se de um cronograma interno que, segundo a apuração, foi abandonado.
A combinação de personagens de Marvel e Star Wars, duas das marcas mais reconhecidas do entretenimento, torna o projeto especialmente ambicioso. A parceria entre Disney e Epic ganhou dimensão em 2024, quando a Disney anunciou um investimento de US$ 1,5 bilhão na empresa responsável por Fortnite e pela Unreal Engine.
A ordem interna para priorizar inteligência artificial
De acordo com mensagens internas examinadas pela Bloomberg, os profissionais receberam a orientação de utilizar fluxos de trabalho baseados em IA para desenvolver programação e arte. Uma das mensagens atribuídas à direção do projeto dizia que não haveria mais código escrito manualmente. A ideia apresentada à equipe seria que os profissionais humanos passassem a orientar, supervisionar e corrigir resultados produzidos pelas ferramentas.
É importante distinguir essa descrição dos documentos internos da posição pública da Epic. Em declaração à Bloomberg, o diretor de comunicação Jake Jones confirmou a adoção de desenvolvimento acelerado por IA, mas ressaltou que os desenvolvedores da empresa continuam responsáveis pela visão e pelas decisões criativas.
O CEO Tim Sweeney também defendeu publicamente a mudança, afirmando que o objetivo é permitir que as equipes produzam mais e melhor, e não simplesmente executar as mesmas tarefas com menos profissionais. A justificativa, porém, não elimina as dúvidas sobre o impacto prático de uma transformação tão profunda na rotina de desenvolvimento.
Por que o projeto foi adiado?
As dificuldades não começaram com a nova orientação tecnológica. Segundo pessoas ouvidas pela Bloomberg, o andamento do jogo já estava abaixo do esperado porque a Epic subestimou a quantidade de profissionais e o tempo necessários para concluir a produção.
Nesse contexto, a adoção de IA surge como uma tentativa de acelerar o trabalho em um projeto que já enfrentava obstáculos. A reportagem relata surpresa e ceticismo entre integrantes da equipe, incluindo questionamentos sobre a qualidade do código gerado e o esforço necessário para corrigir eventuais erros.
Ainda não há informações públicas suficientes para determinar se essa estratégia conseguirá recuperar o cronograma ou se trará novos problemas ao desenvolvimento. Tampouco existem detalhes oficiais sobre jogabilidade, plataformas ou modelo comercial do jogo.
Uma mudança que interessa à indústria inteira
O caso chama atenção porque envolve a criadora da Unreal Engine, uma das tecnologias mais utilizadas na produção de jogos em diferentes escalas. Se uma empresa desse porte reorganiza seus processos em torno da inteligência artificial, os efeitos da decisão podem influenciar expectativas de produtividade, contratação e organização de equipes em outros estúdios.
O debate também alcança o Brasil, onde desenvolvedoras independentes e profissionais especializados utilizam ferramentas da Epic em projetos próprios e em trabalhos para o mercado internacional. A possibilidade de acelerar tarefas repetitivas convive com preocupações sobre qualidade, autoria, formação profissional e condições de trabalho.
A questão central, neste momento, não é se a inteligência artificial será utilizada no desenvolvimento de jogos — ela já faz parte de diferentes processos —, mas até que ponto uma produção de grande porte pode depender dessas ferramentas sem comprometer a consistência técnica e criativa do resultado.
O que acontece agora?
A Epic não anunciou publicamente uma nova janela para o projeto de Marvel e Star Wars. Também não apresentou materiais oficiais do jogo que permitam avaliar o estágio atual de desenvolvimento. Até que isso aconteça, o adiamento e as mudanças de produção permanecem conhecidos principalmente pela investigação da Bloomberg e pelas declarações da própria empresa sobre sua estratégia de IA.
O próximo passo será observar se a reorganização conseguirá transformar a promessa de maior produtividade em um jogo efetivamente concluído. Para uma parceria com personagens tão populares e investimento tão expressivo, o desafio será demonstrar que velocidade e qualidade podem caminhar juntas.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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