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Epic Games diz que seus engenheiros não escrevem mais a maior parte do código da Unreal e do Fortnite

"Sim, estamos fazendo vibe coding", afirma vice-presidente da empresa. Unreal Engine 6, Fortnite e o editor do jogo já são desenvolvidos com ferramentas de IA.

Por · 28 out 2026 · 19:58 · 4 min de leitura

Arte oficial do State of Unreal sobre a Unreal Engine 6, com o logo da Unreal e personagens de Fortnite em painéis translúcidos

📷 Unreal Engine 6. Divulgação/Epic Games

A Epic Games admitiu sem rodeios que boa parte do código da Unreal Engine e do Fortnite já sai de ferramentas de inteligência artificial. "Sim, estamos fazendo vibe coding", disse Marcus Wassmer, vice-presidente executivo de desenvolvimento da empresa, em declaração ao programa This Week in Videogames. "Isso significa que nossos engenheiros não escrevem mais a maior parte do código."

Wassmer fez questão de explicar que os programadores continuam no comando. Segundo ele, a equipe guia as ferramentas para chegar ao resultado de arquitetura desejado. "Não estamos fazendo a engine de uma vez só", afirmou. A ideia é iterar com a IA para entregar recursos e manter a engine dentro dos limites de memória, desempenho e escala.

Fortnite, UEFN e Unreal Engine 6

O uso não é pontual. Segundo Wassmer, quase todo o desenvolvimento em curso na Epic acontece nas frentes ligadas ao Fortnite, ao editor de criações do jogo (UEFN) e à Unreal Engine 6. Entre as ferramentas, ele citou nominalmente o Claude Code, da Anthropic, e o Codex, da OpenAI.

O executivo listou ganhos concretos. A IA ajudou a eliminar quase por completo um tipo de bug de compilação de conteúdo que a equipe combatia havia uma década, e acelerou a compressão de shaders. As duas frentes reduzem o tamanho das atualizações.

Outro exemplo foi a reescrita de boa parte da camada de renderização em DirectX 12. Wassmer estimava de três a seis semanas de trabalho para um engenheiro, e a tarefa ficou pronta em cerca de uma semana, com menos bugs e ganho de desempenho no processador.

"Não dá para ir pela metade"

O tom da declaração é de quem já decidiu. "Estamos mais preocupados com os riscos de andar devagar do que com o ceticismo em relação à IA", disse Wassmer. Para ele, não é viável adotar a tecnologia pela metade, e a melhor resposta aos críticos é a qualidade dos jogos e das ferramentas entregues.

Nada disso surge do nada. Em junho, ao apresentar a Unreal Engine 6, a Epic já dizia que modelos de linguagem e IA generativa teriam papel central na nova versão. A UE6 vai unir a Unreal Engine 5 e o editor do Fortnite num só produto, com acesso antecipado previsto para o fim de 2027.

Em outubro, uma reportagem já havia mostrado a empresa orientando os desenvolvedores a colocar a IA no centro da produção, junto com o adiamento de um jogo de Marvel e Star Wars. A fala de agora parece confirmar, pela boca da própria Epic, que a mudança é estrutural.

Epic Games adia jogo de Marvel e Star Wars e determina uso intensivo de inteligência artificial

Quem usa a Unreal

A conversa vai além do Fortnite. A Unreal é uma das engines mais usadas pela indústria, inclusive por estúdios independentes daqui. Ela é gratuita até US$ 1 milhão de receita bruta por jogo, o que ajuda a explicar a presença em projetos de equipes pequenas.

Se a ferramenta muda de rumo, quem trabalha com ela muda junto. A promessa da Epic é de uma engine feita mais rápido e com menos bugs. A dúvida fica com quem programa ou estuda para entrar na área. Como fica o trabalho humano quando a própria fabricante diz que a máquina escreve a maior parte do código?

Também chama atenção a contradição de outra frente da empresa. Na semana passada, o presidente-executivo da Epic, Tim Sweeney, criticou os avisos de uso de IA exigidos pela Steam, dizendo que obrigam os desenvolvedores a escrever uma declaração política. A Epic, ao menos, está sendo clara sobre o que faz.

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Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

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