PHYSINT: as músicas e os pôsteres de Kojima podem estar escondendo pistas sobre a história?
De Here Comes the Feeling a Resistance, os dois pôsteres de PHYSINT podem formar uma narrativa sobre retorno, traição, dois agentes e uma nova Guerra Fria. Entramos no território da especulação.
Por Bruno Vazquez · 17 set 2026 · 08:44 · 8 min de leitura

📷 Kojima Productions/Xbox/Divulgação
Hideo Kojima gosta de música. Isso não é novidade. O que torna PHYSINT particularmente interessante, porém, é que as poucas imagens divulgadas até agora parecem estar sendo acompanhadas por escolhas musicais extremamente específicas.
Talvez seja apenas gosto musical. Ou talvez Kojima esteja fazendo aquilo que sempre gostou de fazer: contar alguma coisa antes mesmo de contar a história.
Desde que PHYSINT começou a ganhar forma publicamente, duas músicas acompanharam momentos importantes de sua divulgação: Here Comes the Feeling, do Asia, e agora Resistance, do Muse. Quando colocamos as ideias presentes nas duas canções lado a lado com os dois pôsteres divulgados até agora, surge uma interpretação bastante curiosa.
E aqui entramos deliberadamente no território da especulação.
O primeiro pôster: Here Comes the Feeling
O primeiro pôster de PHYSINT foi revelado em setembro de 2025, durante o evento de 10 anos da Kojima Productions, quando o projeto ainda estava associado à PlayStation. A arte mostrava uma figura praticamente engolida pelas sombras, segurando uma arma, enquanto o rosto permanecia deliberadamente escondido.
No pôster aparecia uma frase: Here Comes the Feeling. O mesmo título de uma música do Asia, lançada no álbum de estreia da banda em 1982. Kojima também utilizou a canção em sua divulgação da arte, tornando a associação especialmente interessante.

A canção trabalha com ideias de ausência, retorno, dúvida e a possibilidade de traição. Existe alguém que esteve longe e cuja volta muda completamente a percepção do narrador. Isso abre uma possibilidade fascinante para PHYSINT: e se o primeiro pôster não estivesse simplesmente escondendo a identidade do protagonista, mas sugerindo tematicamente alguém que está voltando?
Um agente desaparecido? Alguém considerado morto? Um antigo aliado? Ou alguém que abandonou determinada organização e precisa retornar ao mundo da espionagem? Não sabemos. Mas então chegou o segundo pôster — e a música mudou.
Uma nova Guerra Fria começa
No Tokyo Game Show 2026, Kojima finalmente revelou que Bill Skarsgård será o protagonista de PHYSINT. O ator aparece ao lado de Charlee Fraser na nova imagem promocional fotografada pelo próprio Hideo Kojima. A Kojima Productions confirmou que os dois participaram de provas de figurino, escaneamentos e testes de câmera no início de 2026.

Agora não existe mais uma figura sem rosto. Existem duas pessoas. E a nova arte traz uma mensagem muito mais direta: The Next Cold War Begins — uma nova Guerra Fria começa.
A composição é interessante por si só. Bill ocupa a parte superior da imagem enquanto Charlee aparece abaixo, olhando em sua direção. Podemos estar vendo simplesmente dois personagens importantes. Mas também podemos estar vendo dois lados de uma mesma história.
E então Kojima escolhe outra música para acompanhar a divulgação: Resistance, do Muse.
Resistance fala sobre duas pessoas contra algo maior
Resistance faz parte do álbum The Resistance, lançado pelo Muse em 2009. A música trabalha com duas pessoas que precisam esconder sua relação, o medo de serem descobertas, vigilância, perseguição e a necessidade de escapar. O próprio álbum é marcado por temas de controle, autoritarismo e resistência.
Coloque isso ao lado da imagem: Bill Skarsgård, Charlee Fraser, duas figuras frente a frente e a frase uma nova Guerra Fria começa. Pode ser coincidência. Mas a combinação é perfeita para alimentar uma hipótese.
E se PHYSINT for uma história sobre dois agentes de lados diferentes?
Talvez PHYSINT não seja apenas uma história sobre impedir uma guerra. Pode ser uma história sobre duas pessoas presas dentro dela.
Imagine Bill Skarsgård interpretando um agente ligado a uma potência ou organização, enquanto Charlee Fraser pertence ao outro lado. Eles deveriam ser inimigos. Talvez tenham sido aliados no passado. Talvez exista entre eles uma relação que nenhuma das organizações pode descobrir. Ou talvez um dos dois possua uma informação capaz de alterar completamente o equilíbrio político desse universo.
Nesse cenário, as músicas começam quase a formar uma pequena narrativa. Here Comes the Feeling: alguém desapareceu, existe distância, dúvida e a possibilidade de traição — então essa pessoa retorna. Resistance: agora existem duas pessoas ligadas por algo que precisa permanecer escondido, cercadas por vigilância e pela necessidade de escapar. E finalmente: uma nova Guerra Fria começa.
Não seria difícil imaginar PHYSINT construindo sua espionagem justamente em torno dessa relação.
A ideia de traição merece atenção
Em uma história de espionagem, palavras como confiança e traição ganham outro peso. Quem está dizendo a verdade? Quem trabalha para quem? Quem desapareceu? Quem retornou? Quem traiu quem? Talvez a figura escondida no primeiro pôster representasse justamente essa incerteza.
Agora sabemos que Bill Skarsgård é o protagonista. Mas ainda não sabemos quem é esse personagem, para quem trabalha ou de que lado da nova Guerra Fria ele estará.
E existe outra pista: os anos 1980
Here Comes the Feeling foi lançada em 1982, em plena Guerra Fria. O primeiro álbum do Asia contém ainda Only Time Will Tell, música que apareceu em Metal Gear Solid V: The Phantom Pain. A coincidência já havia alimentado discussões sobre a possibilidade de PHYSINT dialogar com a estética e o clima político daquele período.
Mas a nova frase muda um detalhe fundamental: o pôster não fala simplesmente em Guerra Fria. Ele fala em uma nova Guerra Fria.
Isso abre espaço para outra possibilidade: PHYSINT pode não acontecer durante a Guerra Fria histórica, mas em um conflito contemporâneo ou de futuro próximo que reproduz aquela lógica de espionagem, blocos rivais, operações clandestinas, informação e desconfiança.
Seria uma maneira de Kojima revisitar temas que marcaram seus jogos de espionagem — armas, ideologia, fronteiras, vigilância e lealdade — sem simplesmente recriar Metal Gear.
Kojima pode estar montando a história diante dos nossos olhos
Nada disso confirma o enredo de PHYSINT. Oficialmente, sabemos que Bill Skarsgård interpreta o protagonista, que Charlee Fraser, Don Lee e Minami Hamabe também estão no elenco e que a Kojima Productions descreve o projeto como uma experiência de ação e espionagem que pretende estabelecer um novo patamar para o gênero. A Xbox agora é a parceira de publicação do projeto.
Mas talvez seja justamente por sabermos tão pouco que cada escolha mereça atenção.
Primeiro: Here Comes the Feeling. Uma figura sem rosto. Retorno. Ausência. Possível traição. Depois: Resistance. Duas pessoas. Segredos. Vigilância. Separação. Fuga. E finalmente uma frase: uma nova Guerra Fria começa.
Pode ser apenas Kojima escolhendo duas músicas de que gosta. Mas também pode ser a primeira camada de uma história sobre dois agentes, dois lados e um segredo capaz de colocá-los contra o mundo inteiro.
E se for isso, Kojima talvez já tenha começado a contar PHYSINT. Só ainda não percebemos como.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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