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Sony tenta justificar saída de PHYSINT após romper com Kojima?

Após abandonar PHYSINT, a decisão da Sony volta ao centro do debate com relatos sobre orçamento, rentabilidade, prazos e o desempenho comercial dos jogos de Kojima.

Por · 18 set 2026 · 21:10 · 6 min de leitura

Sony tenta justificar saída de PHYSINT após romper com Kojima?

📷 Kojima Productions / Divulgação

A saída da Sony da publicação de PHYSINT ganhou um novo capítulo. Depois de a Bloomberg revelar os bastidores da decisão da PlayStation de abandonar o projeto de Hideo Kojima, a repercussão internacional passou a enfatizar custos, rentabilidade, prazos e o desempenho comercial dos jogos anteriores do diretor — um conjunto de argumentos que, na prática, ajuda a explicar publicamente por que a empresa decidiu sair do projeto.

Isso não significa que exista prova de uma campanha coordenada da Sony para atacar Kojima. A reportagem original de Jason Schreier é baseada em fontes familiarizadas com o projeto, enquanto análises posteriores de veículos como GamesRadar+ passaram a relacionar os dados comerciais mais recentes ao rompimento. O ponto central é outro: depois de uma separação de enorme repercussão, começaram a surgir informações que apresentam a decisão da PlayStation sob uma lógica essencialmente financeira.

O que a Bloomberg revelou sobre a saída da Sony

Segundo a Bloomberg, a PlayStation abandonou PHYSINT por preocupações com orçamento, potencial de rentabilidade e exclusividade. Fontes ouvidas pela publicação afirmaram que o projeto havia perdido prazos internos e caminhava para ultrapassar significativamente o orçamento, apesar de ainda estar a anos do lançamento.

A reportagem também afirma que Death Stranding e Death Stranding 2 não alcançaram as expectativas de receita da PlayStation. Outro ponto citado foi a resistência da Sony em investir centenas de milhões de dólares em um projeto que não permaneceria permanentemente exclusivo de seu hardware.

São informações atribuídas a fontes da Bloomberg, e não uma explicação pública detalhada apresentada pela Sony. Oficialmente, a PlayStation havia comunicado apenas a difícil decisão de se afastar do projeto.

Wolverine entra na discussão — mas não foi o motivo do cancelamento

Agora, uma nova estimativa da Alinea Analytics colocou Marvel's Wolverine e Death Stranding 2 lado a lado. Segundo a consultoria, Wolverine vendeu aproximadamente 1,9 milhão de cópias em seus três primeiros dias e gerou cerca de US$ 130 milhões em receita.

Pela mesma estimativa, Death Stranding 2 acumulou cerca de 1,8 milhão de cópias e US$ 129 milhões de receita no PS5. Os números não são dados oficiais divulgados pela Sony e devem ser tratados como estimativas de mercado.

O GamesRadar+ repercutiu justamente esse contraste e afirmou que os números ajudam a colocar em perspectiva a decisão da PlayStation de abandonar PHYSINT. É daí que nasce parte da discussão atual sobre a Sony estar encontrando uma justificativa comercial para o rompimento.

Mas a cronologia precisa ficar clara: Wolverine não provocou a saída da Sony de PHYSINT. A decisão de abandonar o projeto ocorreu antes desses resultados comerciais. Wolverine aparece agora apenas como comparação para ilustrar o tipo de retorno financeiro que a PlayStation consegue obter com outras propriedades.

Uma justificativa financeira depois de uma ruptura de enorme repercussão

A questão mais interessante está no momento em que essas informações aparecem. Kojima afirmou que sua empresa recebeu inesperadamente, durante o verão, a notificação de que a PlayStation deixaria PHYSINT. A Kojima Productions passou então cerca de três meses procurando outro parceiro para manter o projeto vivo.

Pouco depois de a parceria com o Xbox se tornar pública, a Bloomberg publicou uma reportagem detalhando os problemas que, segundo suas fontes, estavam por trás da decisão da Sony. Orçamento, atrasos, rentabilidade, exclusividade e o desempenho de Death Stranding passaram a formar uma explicação muito mais ampla do que a apresentada inicialmente pelas empresas.

Isso permite discutir se a Sony está tentando justificar sua decisão perante o mercado e o público, mas não permite afirmar que a companhia plantou essas informações na imprensa. Não há evidência pública apresentada pelas reportagens consultadas que demonstre uma operação coordenada desse tipo.

PHYSINT segue vivo com o Xbox

O rompimento com a PlayStation não encerrou PHYSINT. A Kojima Productions encontrou no Xbox um novo parceiro para continuar o projeto. A Microsoft afirmou à Bloomberg que apostar em Kojima era uma decisão fácil e destacou sua confiança na capacidade do estúdio de criar novas propriedades AAA.

A mudança também altera a estratégia de plataformas. Segundo a Bloomberg, o Xbox pretende publicar PHYSINT tanto em seus consoles quanto no PC, plataforma na qual os jogos Death Stranding também encontraram público.

Assim, a discussão atual não é sobre Wolverine ter causado o cancelamento. É sobre como, depois de abrir mão de um dos projetos mais aguardados de Kojima, a decisão da Sony passou a ser contextualizada por uma série de argumentos financeiros — justamente no momento em que outro lançamento da PlayStation apresenta um desempenho comercial muito mais rápido.

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

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