Últimas
▸ Death Stranding Isolations ganha primeiro teaser; série animada de Kojima estreia no Disney+ em 2027▸ André Colvara transforma em herança a paixão por Nintendo e Zelda▸ Patrick Stewart, de Star Trek e X-Men, morre aos 86 anos; ator foi o imperador de Oblivion▸ Lucro da Konami com games sobe 75% no semestre, puxado por Metal Gear, Silent Hill e eFootball▸ PUBG vai ganhar série live-action na Netflix, escrita, dirigida e estrelada por Donald Glover▸ Death Stranding Isolations ganha primeiro teaser; série animada de Kojima estreia no Disney+ em 2027▸ André Colvara transforma em herança a paixão por Nintendo e Zelda▸ Patrick Stewart, de Star Trek e X-Men, morre aos 86 anos; ator foi o imperador de Oblivion▸ Lucro da Konami com games sobe 75% no semestre, puxado por Metal Gear, Silent Hill e eFootball▸ PUBG vai ganhar série live-action na Netflix, escrita, dirigida e estrelada por Donald Glover
◂ Voltar para a home
retrô

GTA III faz 25 anos: o clássico que só funcionou nos últimos seis meses

O diretor técnico Obbe Vermeij conta que o jogo travava, rodava mal e tinha buracos no mapa até os últimos seis meses. No Brasil, o PS2 nem existia oficialmente quando Liberty City chegou.

Por · 24 out 2026 · 11:20 · 5 min de leitura

Claude caminha ao lado de um táxi em Liberty City, em Grand Theft Auto III

📷 Grand Theft Auto III. Divulgação/Rockstar Games

Grand Theft Auto III completou 25 anos nesta quinta-feira (22). O jogo chegou ao PS2 americano em 22 de outubro de 2001. Dele vem a planta que a série segue até hoje: cidade em 3D, missões de contatos, rádio no carro e polícia em estrelas. O aniversário cai a menos de um mês de GTA VI, que sai em 19 de novembro.

O curioso é que, durante quase todo o desenvolvimento, nada disso funcionava direito. Quem conta é Obbe Vermeij, diretor técnico de GTA III, numa série de posts no X publicada para marcar a data.

Os letreiros de Liberty City à noite em GTA III, lançado em outubro de 2001.
📷 Os letreiros de Liberty City à noite em GTA III, lançado em outubro de 2001. Divulgação/Rockstar Games.

"Um estado lamentável"

"Durante a maior parte do desenvolvimento, GTA3 esteve num estado lamentável", escreveu Vermeij. Segundo ele, o jogo travava com frequência, a taxa de quadros era péssima e o mapa tinha buracos. Tudo só se encaixou nos últimos seis meses.

Por muito tempo, a equipe achou que o jogo rodaria a 20 quadros por segundo. Os 30 só vieram na reta final. A apresentação na E3 de maio de 2001 também foi fraca: segundo Vermeij, pouca gente se interessou, e parte do público achou o jogo violento demais.

A origem foi quase um desvio de rota. Leslie Benzies e Aaron Garbut começaram GTA III por iniciativa própria, no escritório de Edimburgo da DMA Design. O projeto só ganhou sinal verde em 2000, quando um GTA isométrico ambientado em Miami foi cancelado. Nada do código ou da arte de GTA 2 foi reaproveitado.

A história também veio depois. As missões eram testadas conforme as ideias surgiam, e Benzies organizava tudo com post-its coloridos numa parede. Parece pouco para um jogo que ajudaria a definir o mundo aberto, mas explica a sensação que GTA III deixava: a de uma cidade que existia antes da trama.

Crunch até as dez da noite

Vermeij também fala do ritmo de trabalho, e o relato contrasta com a imagem que a Rockstar ganhou depois. "Mesmo na reta final, a maioria saía do escritório por volta das 9 ou 10 da noite", lembrou. Nos fins de semana, segundo ele, quase ninguém aparecia.

É um retrato distante do debate que tomou o estúdio em 2018. Na época, Dan Houser citou semanas de 100 horas no desenvolvimento de Red Dead Redemption 2, e a frase colocou o crunch da Rockstar no centro da discussão sobre a indústria.

Claude, o protagonista mudo de GTA III, nas ruas de Liberty City.
📷 Claude, o protagonista mudo de GTA III, nas ruas de Liberty City. Divulgação/Rockstar Games.

Seis semanas depois do 11 de Setembro

GTA III chegou às lojas seis semanas depois dos atentados de 11 de setembro, com uma Liberty City claramente inspirada em Nova York. A Rockstar adiou o lançamento em três semanas e mexeu em parte do conteúdo antes de liberar o disco.

Mesmo assim, Vermeij descreve a estreia como apenas "ok". O que mudou a história foi o fôlego: segundo ele, as vendas "nunca diminuíram". Um ano depois veio Vice City, e em 2004, San Andreas. A trilogia definiu a geração do PS2.

O PS2 que não existia no Brasil

Por aqui, a história teve outro caminho. Quando GTA III saiu, o PlayStation 2 nem existia oficialmente no Brasil. A Sony só lançou o console no país em novembro de 2009, por R$ 799, nove anos depois da estreia no Japão.

Até lá, o PS2 chegava pela importação, com impostos que podiam somar 60% ao valor do aparelho. Uma estimativa de 2003 já falava em mais de 1 milhão de unidades vendidas no país. A própria Sony citava a pirataria como um dos motivos da demora. Liberty City chegou ao jogador brasileiro pelo mercado paralelo, e foi assim que a série virou fenômeno por aqui.

De Liberty City a Leonida

Vinte e cinco anos depois, GTA VI volta a Vice City, a cidade que a Rockstar apresentou um ano depois de GTA III. A escala é outra, e o lançamento chega com o mercado inteiro de olho. A ideia central, porém, parece a mesma de 2001: o protagonista é a cidade, e o jogador decide o que fazer nela.

Em 2001, GTA III saiu de uma E3 morna e de um adiamento forçado, com o jogo de pé havia só seis meses. GTA VI chega em 19 de novembro, véspera de feriado no Brasil, como o lançamento que a indústria inteira esperava. A pergunta, agora, é quanto daquela liberdade de Liberty City ainda cabe numa produção desse tamanho.

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

Ver perfil e matérias →

Newsletter Acerto Games

Dê o start na informação certa

Um resumo diário com as principais notícias de games, direto no seu e-mail.

Você vai receber um e-mail para confirmar a inscrição. Ao se inscrever, concorda com a Política de Privacidade. Dá para sair a qualquer momento, com um clique, no fim de cada e-mail.

Compartilhar:WhatsAppX

Leia no celular

Aponte a câmera e abra esta matéria

▸ Leia também