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Capcom já vende 92% dos jogos em formato digital, e o PC passou dos consoles

A mídia física ficou com 7,6% das vendas no semestre, e a meta é cair para 4,6%. Só as cópias de PC já respondem por 57% de tudo o que a empresa vende.

Por · 27 out 2026 · 10:23 · 3 min de leitura

Arte oficial do remake de Resident Evil 2 com Leon e Claire armados diante de zumbis em Raccoon City

📷 Resident Evil 2. Divulgação/Capcom

Mais de 92% dos jogos que a Capcom vende hoje são digitais. O dado está no relatório financeiro do primeiro semestre do ano fiscal, divulgado nesta terça-feira (27). A mídia física ficou com só 7,6% das unidades vendidas, e a empresa projeta que essa fatia encolha ainda mais.

A meta é chegar a 95,4% de vendas digitais, o que deixaria apenas 4,6% para as caixinhas nas prateleiras.

O PC já vende mais que os consoles

O detalhe mais interessante está na divisão do digital. Sozinhas, as cópias digitais no PC respondem por 57,1% de todas as vendas da Capcom no semestre. As versões digitais para consoles somam 35,3%.

Ou seja, mais da metade do que a empresa vende passa pelo computador, principalmente pela Steam. Para uma companhia que construiu sua história no fliperama e nos consoles, é uma virada e tanto.

O peso do PC também ajuda a explicar a fatia pequena da mídia física. No computador, praticamente não existe mais jogo vendido em caixa. Cada avanço da Steam nas vendas da Capcom empurra automaticamente o digital para cima.

O catálogo puxa o digital

A explicação passa pelo jeito como a Capcom ganha dinheiro. A empresa registrou o maior volume de vendas de catálogo da sua história num primeiro semestre, com jogos antigos que seguem vendendo anos depois do lançamento. São quase 87% de tudo o que ela vendeu entre abril e setembro.

Esses jogos vivem de promoções em lojas digitais, onde aparecem com descontos fortes de tempos em tempos. Não por acaso, o remake de Resident Evil 2 segue como o jogo mais vendido da série. Lançado em 2019, já soma 20,38 milhões de cópias. Monster Hunter World passou de 30,8 milhões.

Os lançamentos do ano também venderam bem. Pragmata passou de 2,7 milhões de unidades, e Onimusha: Way of the Sword chegou a 1,7 milhão em menos de um mês. Mesmo assim, os dois juntos ficam longe do volume que o catálogo entrega no mesmo período.

O retrato, portanto, tem um viés. Lançamentos novos ainda têm edição física com mais peso, mas o grosso das vendas da Capcom vem de títulos de catálogo comprados em promoção, quase sempre em formato digital.

Um mercado que abandona o disco

Os números chegam num momento em que a indústria inteira se afasta da mídia física. Em julho, a Sony anunciou que vai encerrar a produção de discos para os novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. A decisão provocou reação forte dos fãs e de lojistas.

Na Capcom, essa mudança parece já ter acontecido. Com menos de 8% das vendas em caixa, a mídia física virou nicho para colecionadores e para quem prefere revender ou emprestar os jogos.

O digital mais barato

No Brasil, os números fazem sentido. Os preços regionais e as promoções frequentes tornam o digital muito mais barato que a caixa nas lojas. Neste momento, o remake de Resident Evil 2 sai por R$ 33,80 na Steam brasileira, com 80% de desconto sobre os R$ 169,00 de sempre.

A Capcom também está com promoção na eShop brasileira até 5 de novembro, com Street Fighter 6 por R$ 76,40. É esse tipo de oferta que sustenta o catálogo e empurra a fatia digital para cima.

Capcom cresce 49% no semestre; Pragmata passa de 2,7 milhões e Onimusha de 1,7 milhão

eShop tem promoção da Capcom com Street Fighter 6 por R$ 76,40 até 5 de novembro

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

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