Cofundador da BioWare diz que compra da EA pela Arábia Saudita foi "o último prego no caixão" do estúdio
Greg Zeschuk critica a aposta em IA e em jogos de esporte, defende a venda para a EA em 2007 e descarta voltar à indústria.
Por Bruno Vazquez · 29 out 2026 · 10:27 · 4 min de leitura

📷 Mass Effect Legendary Edition. Divulgação/EA
Um dos fundadores da BioWare falou pela primeira vez sobre o fim do estúdio. Em entrevista ao site 80 Level, Greg Zeschuk avaliou a compra da EA por um grupo liderado pelo fundo soberano da Arábia Saudita. Para ele, foi "o último prego no caixão" da empresa que ajudou a criar em 1995.
"Acho que foi isso, no fundo. De novo, é uma empresa completamente diferente agora", afirmou. Zeschuk deixou a BioWare em 2012, junto com o outro cofundador, Ray Muzyka, pouco depois do lançamento de Mass Effect 3. Desde então, não tem informação interna sobre o estúdio.
BioWare vai fechar, e o próximo Mass Effect foi cancelado
"Mais fácil lançar jogo de esporte todo ano"
A BioWare foi fechada na semana passada, dentro de um corte de 400 vagas na EA, e o próximo Mass Effect foi cancelado. A compra da EA pelo fundo saudita PIF, pela Silver Lake e pela Affinity Partners foi concluída em agosto.
Para Zeschuk, os novos donos devem priorizar o que dá retorno garantido. "Imagino que esportes e talvez Battlefield. O resto é meio supérfluo", disse. "A BioWare faz jogos incomuns, que levam muito tempo e são complicados. Então é mais fácil lançar jogos de esporte todo ano, e isso é um modelo de negócio melhor, de certa forma."

Críticas à gestão e à IA
O ex-diretor também criticou quem comanda as grandes empresas do setor. "Existe essa crença estranha de que dá para recriar grandes jogos com pessoas aleatórias e IA. Não funciona", disse. Para ele, os executivos que seguem a carreira de negócios quase nunca vieram do desenvolvimento e, por isso, não sabem como um jogo é feito.
A fala chega na mesma semana em que funcionários da EA relataram pressão para usar inteligência artificial e demissões feitas em segredo. O ex-diretor parece dar voz, de fora, ao que os relatos descrevem de dentro.
"A moral está péssima": funcionários da EA relatam pressão por IA e demissões em segredo
Sem arrependimento, e sem volta
Zeschuk contestou a ideia de que a BioWare estava em perigo quando aceitou ser comprada pela EA, em 2007. Segundo ele, o estúdio estava em boa situação e buscava dinheiro para bancar Star Wars: The Old Republic. "Tínhamos opções", disse. "Achamos que escolhemos a melhor disponível na época."
Ele também descartou voltar à indústria ou tentar recuperar o nome BioWare e a marca Mass Effect. "Estou feliz sendo consumidor e jogando. Depois de passar pelo cadinho do desenvolvimento, não vou voltar para lá." Ele lamentou, porém, o impacto em Edmonton, cidade do estúdio. Para Zeschuk, a BioWare era um farol de esperança para a região.
Mass Effect sem português
A BioWare deixa uma relação curiosa com o português. A trilogia Mass Effect, na Legendary Edition, não tem português na lista de idiomas da Steam, nem nas legendas. Já Dragon Age: The Veilguard, o último jogo do estúdio, chegou com textos em português do Brasil.
Os dois jogos custam hoje R$ 249 cada na Steam brasileira. Com o estúdio fechado, a tendência é que nenhum deles ganhe mais suporte, o que torna difícil imaginar uma tradução tardia para a trilogia do comandante Shepard.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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