Switch 2 “não tem jogos”? O problema talvez seja a falta de Mario, Zelda e Smash
O catálogo já é grande e os números são fortes. Mesmo assim, parte do público ainda sente que falta algo no Switch 2. A explicação pode estar em quatro franquias que tradicionalmente definem uma geração Nintendo.
Por Bruno Vazquez · 11 ago 2026 · 10:40 · 8 min de leitura

📷 Imagem editorial enviada ao Acerto Games
“Nintendo Switch 2 não tem jogos.” A frase continua aparecendo em redes sociais, comentários e vídeos mesmo depois de um primeiro ano em que a Nintendo e suas parceiras colocaram uma quantidade considerável de lançamentos no console. Talvez o problema, então, não seja exatamente falta de catálogo. Talvez seja a ausência de quatro nomes que, para muita gente, funcionam como selo de que uma geração Nintendo finalmente começou de verdade.
Essa é a provocação que motivou este artigo. O material enviado ao Acerto Games argumenta que Switch 2 só vai deixar de parecer “incompleto” para parte do público quando receber um novo Mario 3D, um novo Super Smash Bros., um Zelda principal inédito e um Animal Crossing pensado para a nova geração. A tese é opinativa, mas os números ajudam a explicar por que ela faz sentido.
O Switch 2 realmente não tem jogos?
Os dados oficiais tornam difícil sustentar a frase literalmente. Até 31 de março de 2026, o Nintendo Switch 2 já havia vendido 19,86 milhões de consoles e 48,71 milhões de jogos. Mario Kart World sozinho chegou a 14,70 milhões de unidades. Donkey Kong Bananza alcançou 4,52 milhões e Pokémon Legends: Z-A – Nintendo Switch 2 Edition, 3,94 milhões.
Além disso, o catálogo já recebeu ou recebeu versões de nomes como Mario Kart World, Donkey Kong Bananza, Metroid Prime 4: Beyond, Pokémon Legends: Z-A, Resident Evil Requiem e vários lançamentos third-party. Portanto, o debate não parece ser de quantidade. É um debate de identidade.
Falta aquele jogo que define a geração
Quando pensamos nas gerações anteriores da Nintendo, alguns títulos viraram praticamente sinônimos de seus consoles. Super Mario 64 ajudou a definir o Nintendo 64. Super Mario Sunshine ficou marcado no GameCube. Galaxy fez isso no Wii. Odyssey foi um dos pilares do primeiro Switch.
Por isso, mesmo com Donkey Kong Bananza ocupando um espaço enorme no catálogo atual, existe uma parcela do público esperando por um novo Mario 3D que faça pelo Switch 2 o que Odyssey fez pelo console anterior.
1. Um novo Mario 3D
O novo Mario 3D é provavelmente o maior buraco de percepção no catálogo atual. Não porque não existam jogos do Mario ou da própria Nintendo, mas porque cada geração cria a expectativa de uma aventura principal capaz de servir como vitrine técnica e criativa do hardware.
Hoje, não existe anúncio oficial de um novo Mario 3D para Switch 2. Qualquer previsão de data seria especulação. Mas basta observar a história da Nintendo para entender por que cada Direct sem essa revelação aumenta a ansiedade.
2. Super Smash Bros.
Super Smash Bros. Ultimate vendeu 37,76 milhões de unidades no primeiro Switch até março de 2026. É um número gigantesco e ajuda a explicar por que Smash deixou de ser apenas uma franquia de luta para virar um dos grandes eventos de cada geração Nintendo.
Também não existe, neste momento, um novo Smash Bros. oficialmente anunciado para Switch 2. E talvez seja exatamente por isso que sua ausência seja tão percebida: Ultimate foi tão completo que imaginar seu sucessor já é uma discussão por si só.
3. O Zelda realmente novo do Switch 2
A Nintendo já anunciou The Legend of Zelda: Ocarina of Time refeito para Switch 2, o que certamente vai ocupar parte do espaço da franquia no calendário. Mas um remake, por mais ambicioso que seja, não responde à pergunta que aparece depois de Breath of the Wild e Tears of the Kingdom: qual será o próximo passo da série principal?
Esse próximo Zelda ainda não foi oficialmente apresentado. E ele carrega uma expectativa diferente da de qualquer remaster ou remake. O público quer descobrir se a Nintendo continuará aprofundando o mundo aberto, se recuperará mais elementos dos Zeldas clássicos ou se encontrará uma terceira direção.
4. Animal Crossing
Animal Crossing: New Horizons chegou a 49,91 milhões de unidades no Switch, tornando-se o segundo jogo mais vendido do console atrás apenas de Mario Kart 8 Deluxe. Isso explica por que Animal Crossing passou a ocupar um espaço que talvez nem a própria Nintendo imaginasse no início da geração.
O Switch 2 já recebeu Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition e atualização de conteúdo, mas isso é diferente de uma sequência construída para o novo hardware. Um Animal Crossing completamente novo ainda não foi anunciado.
Então por que Donkey Kong, Metroid e os outros parecem não bastar?
A resposta é menos justa do que lógica. Franquias como Donkey Kong e Metroid têm enorme importância histórica e crítica, mas Mario 3D, Zelda, Smash e Animal Crossing representam quatro públicos gigantescos e quatro tipos completamente diferentes de jogador.
Quando esses quatro nomes aparecem, a plataforma cobre aventura 3D, ação e exploração, multiplayer competitivo e social/life sim. Eles também estão entre as franquias mais vendidas do primeiro Switch. É natural que, para o público geral, funcionem como pilares psicológicos de uma geração.
O risco de querer tudo no primeiro ano
Existe, porém, o outro lado dessa conversa. Se Nintendo lançasse Mario 3D, Smash, Zelda e Animal Crossing todos nos primeiros 12 ou 18 meses, o que sobraria para sustentar os grandes picos de interesse do console nos anos seguintes?
Plataformas vivem de ritmo. Grandes jogos não servem apenas para vender software: eles reativam vendas de hardware, trazem usuários de volta e renovam a conversa sobre o console. Espalhar esses lançamentos ao longo da geração é uma estratégia muito mais lógica do que despejar todos os cartuchos mais fortes logo no início.
Switch 2 não está sem jogos. Ele está esperando seus símbolos
Essa é a diferença que talvez resolva a discussão. Dizer que Switch 2 “não tem jogos” ignora um catálogo que já produziu milhões de vendas e recebeu títulos importantes. Mas dizer que ainda faltam alguns dos jogos que tradicionalmente dão identidade a um console Nintendo é perfeitamente compreensível.
Talvez seja por isso que esse discurso continue aparecendo. Não é necessariamente fome de quantidade. É fome de Mario, Zelda, Smash e Animal Crossing.
E quando o primeiro desses quatro finalmente for anunciado, provavelmente veremos a mesma conversa mudar de tom quase da noite para o dia.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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Com informações de: Análise Acerto Games; Nintendo IR; Nintendo