Phantom Blade Zero: por que meu hype está nas alturas
Não é só o combate. Wuxia, cultura chinesa, folclore, fantasia e terror fazem Phantom Blade Zero parecer diferente de quase tudo que estou esperando para jogar em 2026.
Por Bruno Vazquez · 04 set 2026 · 07:00 · 7 min de leitura

📷 Imagem enviada ao Acerto Games
Eu tento controlar o hype com jogos. Trailer é trailer, demonstração é demonstração e o resultado final só existe quando o controle está na nossa mão. Mas vou admitir: com Phantom Blade Zero está difícil. Meu hype está nas alturas.
E não é simplesmente porque o combate parece espetacular. Há alguma coisa na identidade desse jogo que me pega desde a primeira apresentação. Quanto mais a S-GAME mostra o Phantom World, mais tenho a sensação de estar diante de uma produção que não quer apenas reproduzir fórmulas que já conhecemos.
A China como identidade, não como decoração
Uma das coisas que mais me atraem em Phantom Blade Zero é perceber que sua temática chinesa não parece existir apenas para criar cenários bonitos. Ela está no wuxia, na arquitetura, nas armas, nas roupas, nos movimentos, nas relações entre mestres e guerreiros e até na forma como esse mundo mistura realidade, lenda e sobrenatural.
A própria S-GAME define o jogo como uma mistura de wuxia tradicional, fantasia e terror folclórico. Para mim, essa combinação pode ser um de seus grandes diferenciais. Estamos acostumados a visitar determinadas mitologias repetidamente nos videogames. A tradição chinesa oferece outro repertório de imagens, crenças, criaturas, histórias e ideias para explorar — e Phantom Blade Zero parece disposto a mergulhar nisso sem abandonar sua personalidade.
Wuxia é mais do que gente voando com espada
No Ocidente, é fácil olhar para uma cena de combate e resumir tudo a kung fu. Mas o wuxia carrega um imaginário inteiro: guerreiros errantes, honra, lealdade, vingança, mestres, escolas marciais, códigos pessoais, rivalidades e personagens que frequentemente vivem entre o heroísmo e a tragédia.
É justamente esse tipo de atmosfera que quero encontrar em Phantom Blade Zero. Soul não começa como um escolhido destinado a salvar o mundo. Ele é um assassino acusado de matar o patriarca da Order, gravemente ferido e salvo por uma cura temporária que lhe deixa apenas 66 dias. Já existe urgência, conspiração e tragédia antes mesmo de a jornada realmente começar.
O estranho me interessa tanto quanto o belo
Outro ponto que me deixa curioso é o terror folclórico. Os trailers mostram um mundo que pode ser belíssimo em um momento e profundamente desconfortável no seguinte. Há criaturas deformadas, figuras humanas estranhas, máquinas que parecem pertencer a outra realidade e mestres que não sabemos exatamente onde terminam como homens e começam como monstros.
Esse contraste é importante. Eu não quero apenas atravessar templos impecáveis e florestas bonitas. Quero descobrir histórias que pareçam lendas contadas ao redor de uma fogueira; lugares em que exista a sensação de que alguma coisa aconteceu séculos antes de Soul chegar; criaturas cuja aparência tenha uma razão dentro das crenças daquele mundo.
Kungfupunk pode ser o grande diferencial
Soulframe Liang criou uma palavra para tentar explicar a mistura: Kungfupunk. O Phantom World reúne kung fu chinês, máquinas intrincadas que lembram steampunk, ocultismo e coisas que nem se encaixam perfeitamente nessas categorias. É uma definição estranha. E justamente por isso funciona.
Em vez de perseguir uma China histórica perfeitamente realista, Phantom Blade Zero parece construir uma China fantástica própria. Isso abre espaço para exagerar o cinema de artes marciais, introduzir tecnologia impossível, horror e fantasia sem perder a raiz cultural que dá identidade ao projeto.
Também gosto da decisão de construir um mundo semiaberto, formado por mapas trabalhados individualmente, em vez de simplesmente perseguir tamanho. A S-GAME já disse que prefere áreas de tamanho razoável, feitas à mão e preenchidas com atividades. Se isso resultar em lugares memoráveis em vez de quilômetros de mapa, melhor ainda.
E então existe o combate
É impossível ignorá-lo. As animações parecem coreografias de cinema de Hong Kong. Espadas se chocam em sequências rápidas, personagens mudam de posição constantemente e os confrontos têm uma fluidez que faz cada duelo parecer uma cena de ação dirigida para a câmera.
O State of Play de agosto revelou que haverá mais de 30 armas principais e outras 25 armas secundárias chamadas Phantom Edges. Isso me anima porque o espetáculo visual pode vir acompanhado de variedade real para montar estilos diferentes de combate.
Mas o que mais quero descobrir é se toda essa beleza continuará funcionando depois de vinte ou trinta horas. É aí que Phantom Blade Zero terá de provar que não é apenas um excelente trailer. Combate precisa ter peso, inimigos precisam continuar surpreendendo, exploração precisa recompensar curiosidade e a história precisa fazer esse universo valer mais do que suas imagens.
Talvez seja justamente por isso que estou tão empolgado
Eu ainda não joguei Phantom Blade Zero e não quero escrever como se já soubesse que será extraordinário. Não sei. Essa resposta só virá quando o jogo estiver pronto.
O que sei é que poucas produções atuais me despertam tanta curiosidade. Quero conhecer as lendas desse mundo. Quero entender a Order. Quero descobrir quem está manipulando Soul. Quero encontrar aqueles mestres absurdos mostrados nos trailers. Quero saber até onde a S-GAME vai levar o terror folclórico. E, claro, quero descobrir se controlar essas lutas será tão divertido quanto assisti-las.
Phantom Blade Zero chega em 29 de outubro de 2026 no Brasil para PlayStation 5 e também terá versão para PC. Até lá, meu esforço será exatamente o contrário do que normalmente faço antes de um grande lançamento: tentar baixar um pouco o hype. Porque, neste momento, ele já está alto demais.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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Com informações de: S-GAME / PlayStation