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Antes de Phantom Blade Zero: conheça os jogos que deram origem ao universo da S-GAME

Antes de Phantom Blade Zero existiram Rainblood, Mirage e outros capítulos de uma franquia que começou em um RPG Maker e cresceu até se transformar no ambicioso Kungfupunk da S-GAME.

Por · 03 set 2026 · 21:42 · 8 min de leitura

📷 Imagem enviada ao Acerto Games

Para muita gente, Phantom Blade Zero apareceu de repente no PlayStation Showcase de 2023. Um guerreiro chamado Soul, espadas, movimentos de kung fu quase cinematográficos e um mundo chinês sombrio imediatamente chamaram atenção. Mas aquela apresentação não era o nascimento de uma franquia. Era o retorno de uma história iniciada mais de quinze anos atrás.

A própria S-GAME define Phantom Blade Zero como um renascimento espiritual de Rainblood, projeto independente criado por Soulframe Liang em 2010. Para entender por que personagens, lugares e símbolos de Zero despertam tantas teorias entre os jogadores chineses, vale voltar ao começo.

Rainblood: Town of Death (2010)

Tudo começou quando Liang ainda estudava arquitetura. Trabalhando praticamente sozinho e usando RPG Maker, ele criou Rainblood: Town of Death. O protagonista já era Soul, um espadachim que chegava a uma cidade envolvida por chuva, violência e conspirações. Pang Town, cenário daquele pequeno RPG, tornou-se tão importante que a S-GAME decidiu reconstruí-lo em Phantom Blade Zero. Em 2025, o estúdio mostrou Pangzhen Township recriada em 3D com locais chineses reais usados como referência. É uma ponte direta entre o primeiro Rainblood e o novo jogo.

Rainblood 2: City of Flame (2011)

A continuação expandiu a jornada de Soul e a mitologia que começava a se formar ao redor dele. City of Flame manteve a estrutura de RPG, mas ampliou personagens, conflitos e conspirações. O que inicialmente parecia uma aventura independente começava a ganhar identidade própria e um universo capaz de sustentar outras histórias.

RainBlood Chronicles: Mirage (2013)

Mirage marcou uma mudança importante. O universo de Rainblood deixou para trás boa parte da estrutura tradicional de RPG e abraçou a ação 2D. Soul passou a dividir espaço com Shang, e os combates ganharam velocidade, combos, contra-ataques e aquela preocupação com coreografia que hoje é uma das grandes vitrines de Phantom Blade Zero.

Phantom Blade: quando Rainblood ganhou uma nova identidade

Depois de retornar à China, Liang fundou a S-GAME e Rainblood cresceu. A franquia passou a usar o nome Phantom Blade e recebeu diferentes produções, principalmente para smartphones. É justamente aqui que existe um enorme ponto cego para boa parte do público brasileiro: muitos desses títulos ficaram concentrados no mercado chinês e nunca tiveram um lançamento internacional amplo.

Segundo o próprio fundador da S-GAME, mesmo com essa presença predominantemente chinesa, a franquia construiu uma comunidade de mais de 20 milhões de jogadores. Phantom Blade Zero é, portanto, a primeira oportunidade para muita gente no Ocidente conhecer em grande escala um universo que já possui história, personagens e público há anos.

Phantom Blade 3 (2021)

Phantom Blade 3 consolidou vários nomes e conceitos importantes da fase moderna da série. Soul permanece no centro do universo, acompanhado por personagens como Mu Xiaokui e outras figuras relacionadas à misteriosa organização que permeia a franquia. Visualmente, a combinação de wuxia, fantasia sombria, tecnologia estranha, mecanismos e elementos sobrenaturais se aproxima cada vez mais daquilo que a S-GAME hoje chama de Kungfupunk.

Phantom Blade: Executioners (2023)

Executioners é particularmente interessante para quem está chegando agora porque recebeu lançamento internacional. O RPG de ação 2D permite controlar Soul, Mu Xiaokui, Zuo Shang e The Chord, personagens com estilos próprios e técnicas inspiradas no wuxia. Eles estão ligados à misteriosa Order e investigam uma série de assassinatos no Phantom World.

Executioners também ajuda a perceber que Phantom Blade nunca foi apenas sobre um protagonista. Existe uma rede de organizações, clãs, assassinos, mestres marciais e relações pessoais que atravessa esse universo. É justamente por conhecerem essas versões anteriores que fãs chineses estão analisando cada personagem mostrado em Zero e tentando descobrir quem está retornando sob uma nova interpretação.

E então chegamos a Phantom Blade Zero

Phantom Blade Zero não deve ser encarado simplesmente como Phantom Blade 4. Soulframe Liang escolheu uma expressão muito mais interessante: o jogo é o renascimento espiritual do Rainblood original. A mudança de escala é gigantesca — do RPG Maker de 2010 para uma produção em Unreal Engine 5 —, mas a S-GAME insiste que o núcleo da obra continua ali.

O próprio Phantom World foi reconstruído sob a filosofia Kungfupunk: kung fu chinês, máquinas intrincadas, ocultismo, fantasia e elementos que não pertencem perfeitamente a nenhuma dessas categorias. Soul novamente ocupa o centro da história, agora como um assassino de elite acusado de matar o patriarca da Order. Gravemente ferido, ele recebe uma cura temporária que lhe concede apenas 66 dias para descobrir quem está por trás da conspiração.

O mais importante é não tratar automaticamente todos os acontecimentos dos jogos antigos como cânone literal de Zero. A ideia de renascimento permite à S-GAME recuperar personagens, lugares, relações e conceitos e reinterpretá-los para uma nova história. Isso torna os capítulos anteriores ainda mais interessantes: eles funcionam quase como uma mitologia que ajuda a enxergar detalhes que um novo jogador provavelmente deixaria passar.

Pang Town é o melhor exemplo. O local que recebeu Soul no pequeno Rainblood de 2010 voltou quinze anos depois completamente reconstruído em Phantom Blade Zero. Se a S-GAME está disposta a recuperar até o lugar onde tudo começou, qualquer personagem ou conceito antigo pode ganhar uma nova vida.

E é justamente daqui que começa nosso Especial Phantom Blade Zero. Nas próximas matérias vamos entrar no Phantom World, conhecer Soul, Zuo Shang, Mu Xiaokui, a Order, os personagens que podem estar retornando e as teorias que os fãs chineses estão construindo a partir dos trailers. Antes de tentar desvendar Phantom Blade Zero, era preciso conhecer suas raízes.

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

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Com informações de: S-GAME / PlayStation

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