As novelas turcas estão na moda, mas muito gamer conheceu Istambul pelos olhos de Ezio
Quinze anos antes da febre na TV, Assassin's Creed Revelations levou jogadores aos telhados da Hagia Sophia, da Torre de Gálata e de uma cidade que continua de pé.
Por Bruno Vazquez · 21 out 2026 · 14:30 · 6 min de leitura

📷 Divulgação/Ubisoft
As novelas turcas viraram febre no Brasil. Estão nos streamings, na TV aberta e nas conversas de quem nunca pensou em assistir a uma trama gravada às margens do Bósforo. Muita gente está descobrindo Istambul agora, pela tela da sala.
Para uma parte dos gamers, essa cidade não é novidade. Em 2011, Ezio Auditore desembarcou em Constantinopla, e quem jogou Assassin's Creed Revelations passou semanas correndo pelos telhados de uma das cidades mais antigas do mundo.
A ansiedade antes de entrar na cidade
Revelations é um dos meus jogos preferidos. Lembro bem da ansiedade antes do lançamento, revendo cada trailer à procura de um detalhe novo. Ainda hoje volto a eles, e rejoguei a campanha recentemente.
O trailer da E3 2011 resumia a promessa. Um Ezio mais velho, de barba grisalha, chegava a uma cidade que não era a Itália de Assassin's Creed II e Brotherhood. As cúpulas, os minaretes e o porto lotado anunciavam outro mundo.

O jogo saiu em 15 de novembro de 2011 para PlayStation 3 e Xbox 360, com a versão de PC chegando no fim daquele mês. Foi desenvolvido pela Ubisoft Montreal, com direção criativa de Alexandre Amancio.
Constantinopla em 1511
Há um detalhe que deixa a história ainda melhor. Ezio chega à cidade entre 1511 e 1512, quando ela já era otomana havia mais de meio século, desde a queda de Bizâncio em 1453.
Ou seja, o jogo não mostra a Constantinopla bizantina. Mostra o nascimento da Istambul que aparece nas novelas, ainda chamada oficialmente de Constantinopla. O nome Istambul só passou a ser o oficial em 1930.

A cidade do jogo é dividida em quatro distritos: Constantino, Bayezid, Imperial e Gálata. Cada um tem cara própria, dos bairros mais pobres ao porto movimentado do outro lado do Chifre de Ouro.
Amancio, na época, definiu a escolha sem rodeios. Para ele, Constantinopla era "o centro do mundo conhecido" naquele período, por onde passavam as especiarias e o comércio entre a Europa e a Ásia.

Os telhados que ainda estão de pé
O que torna Revelations especial é que boa parte do que se escala no jogo continua lá. Dá para sair do console e encontrar os mesmos lugares num roteiro de viagem.
A Hagia Sophia é o maior exemplo. Erguida em 537 como basílica, virou mesquita depois de 1453 e é justamente assim que aparece no jogo. Hoje, ela voltou a funcionar como mesquita.

A Torre de Gálata, construída pelos genoveses em 1348, é outro ponto de escalada e segue dominando a paisagem sobre o Chifre de Ouro. O Palácio de Topkapı, sede do poder otomano, também está no jogo e hoje é um museu.
Embaixo da cidade, o jogo leva Ezio à Cisterna de Yerebatan, o reservatório subterrâneo do século 6, com suas colunas na penumbra. Hoje, é uma das atrações mais visitadas de Istambul.
O Grande Bazar também está lá. O mercado coberto, erguido logo depois da conquista otomana, é onde Ezio encontra o cartógrafo Piri Reis, que o ensina a montar bombas numa loja escondida entre as vielas. Hoje, segue funcionando com milhares de lojas.
Outros dois monumentos completam o roteiro. O Aqueduto de Valente, obra de engenharia romana do século 4, ainda corta a cidade com seus arcos de pedra. Já a Torre da Donzela, numa ilhota no Bósforo, aparece na passagem de Ezio e hoje recebe visitantes.
Tão interessante quanto o que está no jogo é o que ficou de fora. A Mesquita Azul, um dos cartões-postais da cidade, só foi construída no começo do século 17, quase cem anos depois da passagem de Ezio.

O gancho que mudou a corrida
Para atravessar tudo isso, Revelations trouxe a lâmina-gancho, que substituiu uma das lâminas ocultas de Ezio. Ela acelerava a escalada e permitia descer por cordas esticadas entre os prédios, as tirolesas que cruzavam a cidade.

A ferramenta mudou o ritmo da exploração. Constantinopla tem ladeiras, cúpulas e um porto inteiro entre os bairros, e o gancho transformava esse relevo num caminho contínuo pelo alto.

O jogo também apostou em bombas montadas pelo próprio jogador e num modo de defesa de esconderijos contra os Templários. Nem tudo envelheceu igual, mas a cidade segura o resto.

Suleiman, Sofia e o adeus de Ezio
A cultura otomana não aparece só na arquitetura. Ezio cruza o caminho do jovem Suleiman, que se tornaria um dos sultões mais poderosos da história, e trabalha ao lado de Yusuf Tazim, líder dos Assassinos da cidade.
É também em Constantinopla que ele conhece Sofia Sartor, dona de uma livraria. O romance dá ao personagem um tom de despedida, de alguém que finalmente pensa em parar.
Em paralelo, o jogo revisita Altaïr em Masyaf e encerra o arco dos dois protagonistas. Ezio vira, ali, o primeiro herói da série com começo, meio e fim.

Quinze anos depois
Revelations completa 15 anos no mês que vem. Ele voltou em 2016 na Ezio Collection, para PS4 e Xbox One, e em 2022 no Nintendo Switch. Ainda hoje, é uma das portas de entrada mais fáceis para essa Istambul de 500 anos atrás.
As novelas mostram a cidade de hoje, com seus casarões, o Bósforo e o trânsito. Ezio mostrou o momento em que ela estava nascendo. Talvez o próximo turista brasileiro na Hagia Sophia olhe para as cúpulas e, antes de pensar em qualquer novela, procure o melhor caminho para subir.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
Ver perfil e matérias →Newsletter Acerto Games
Dê o start na informação certa
Um resumo diário com as principais notícias de games, direto no seu e-mail.
Leia no celular
Aponte a câmera e abra esta matéria


