Microsoft oferece saída voluntária a 60 mil funcionários, e o Xbox está na lista
O programa alcança um quarto da empresa nos EUA, no Canadá, no Reino Unido e na Índia. O prazo vai até dezembro, e o Brasil ficou de fora.
Por Bruno Vazquez · 27 out 2026 · 10:18 · 3 min de leitura

📷 Divulgação/Xbox
A Microsoft ofereceu um programa de saída voluntária a cerca de 60 mil funcionários, perto de um quarto da empresa. O anúncio saiu nesta segunda-feira (26), num memorando interno. O plano alcança equipes nos Estados Unidos, no Canadá, no Reino Unido e na Índia, e a divisão Xbox está entre as áreas incluídas, segundo a Reuters.
É o movimento mais amplo da empresa para enxugar o quadro sem recorrer, por enquanto, a demissões forçadas. A Microsoft tinha 223 mil funcionários em tempo integral no fim de junho, contra 228 mil um ano antes.
Como funciona a oferta
O programa vale para funcionários até o nível de vice-presidente. Não há exigência de idade nem de tempo de casa, e o desempenho não entra na conta. Quem aceitar recebe o equivalente à indenização padrão da empresa. O pacote inclui salário proporcional ao tempo de casa e ao cargo, as ações a receber e plano de saúde por um período, além de apoio para recolocação.
O prazo para decidir vai até a primeira semana de dezembro. Os funcionários elegíveis receberam os detalhes por e-mail.
"Esta oferta dá aos funcionários elegíveis que pensam num futuro fora da empresa a escolha de fazer essa transição agora, com apoio", escreveu Amy Coleman, diretora de pessoas da Microsoft. Segundo ela, o programa também dá às áreas participantes outra forma de adaptar as equipes às novas necessidades.
O Xbox no meio da conta
Nem toda a empresa entrou no programa. Segundo a Reuters, ficam de fora áreas como marketing, vendas corporativas e segurança. A lista de setores elegíveis inclui o Xbox, além de Windows, finanças, recursos humanos e as equipes de inteligência artificial.
Para a divisão de games, a oferta chega depois de um ano duro. Em julho, a Microsoft cortou 4,8 mil vagas, muitas delas no Xbox. A reestruturação também levou estúdios a virar independentes ou a procurar novos donos.
A Arkane Lyon, de Marvel's Blade, tem até 13 de novembro para encontrar um comprador. A presidente do Xbox, Asha Sharma, negou recentemente que a divisão esteja à venda.
Dinheiro para a inteligência artificial
O pano de fundo é o gasto com inteligência artificial. A Microsoft prevê investir US$ 175 bilhões em infraestrutura de IA só em 2026, principalmente em data centers. Equipes ligadas a data centers, aliás, não podem aderir à oferta.
A empresa diz que o programa não é sinal de que precisa de menos gente, e sim uma das formas de se ajustar ao negócio. Ainda assim, é a segunda oferta do tipo no ano. A primeira, de aposentadoria voluntária, foi aceita por cerca de 30% dos convidados, mas mirava funcionários antigos, mais propensos a sair. Para esta, a Microsoft espera uma adesão bem menor.
Fora do programa
O Brasil não está entre os países do programa, então os funcionários da Microsoft por aqui não podem aderir. Para quem joga, não há efeito imediato nos jogos nem no Game Pass.
A preocupação é de médio prazo. Se a adesão no Xbox for alta, estúdios que já perderam gente nos cortes de julho podem ficar ainda mais enxutos. Isso parece pesar sobretudo nos projetos que ainda não têm data.
Arkane Lyon tem até 13 de novembro para encontrar comprador, e Marvel's Blade estaria na reta final
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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