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Os maiores críticos do Game Pass estão dentro da própria Xbox

Segundo o jornalista Jason Schreier, líderes de estúdios da Microsoft veem o serviço como um 'prejuízo' para a indústria — e a sensação é de que correram para uma corrida rumo ao zero.

Por Bruno Vazquez · 21 jul 2026 · 08:44 · 4 min de leitura

📷 Reprodução/GameSpot

Tem uma certa ironia cruel nisso tudo: as vozes mais duras contra o Game Pass não vêm de jogadores frustrados ou analistas de mercado — vêm de dentro da própria Xbox. Segundo o jornalista Jason Schreier, do Bloomberg, vários líderes de estúdios da Microsoft enxergam o serviço de assinatura não como um trunfo, mas como um erro estratégico que prejudicou a indústria como um todo. A declaração foi feita no podcast Triple Click.

"Tem muita gente em cargos de liderança de estúdio dentro da Xbox que detesta absolutamente o Game Pass", disse Schreier. "[Elas] acham que ele destruiu o valor dos jogos delas, que tirou o valor de todos os jogos em geral e que foi um prejuízo para a indústria — porque desvalorizou jogos." São palavras fortes. E o detalhe que pesa: essas são pessoas que viveram por dentro o experimento, não críticos de fora olhando pelo vidro.

Um ex-líder de estúdio da Xbox foi além e deu um depoimento ao Windows Central que resume bem o mal-estar: "Entregar jogos 'de graça' no Game Pass desde o primeiro dia manda uma mensagem ao consumidor de que esses títulos não têm valor intrínseco de mercado. Quase cria a suposição de que esses títulos não conseguiriam se vender por conta própria", disse a fonte, que preferiu não se identificar. "Parecia uma corrida rumo ao zero." Essa imagem — corrida rumo ao zero — resume bem o que o serviço acabou provocando.

Outro líder ouvido pelo GameSpot acrescentou que, embora o Game Pass tenha nascido como uma fonte estável de receita para estúdios num momento em que os jogos de serviço contínuo dominavam tudo, a fórmula de engajamento da Microsoft — opaca e difícil de decifrar — tirou a motivação dos times. Por um tempo, o serviço funcionou como tábua de salvação para jogos que passariam despercebidos. Mas esse capítulo, aparentemente, ficou para trás.

Esse debate, vale lembrar, ganhou um capítulo especialmente simbólico com o Call of Duty — a maior franquia da Microsoft e aquela onde o experimento do Game Pass gerou mais tensão interna. O resumo do material apurado pelo GameSpot não detalha o desfecho dessa situação específica, mas o simples fato de o CoD aparecer como ponto crítico já diz muito sobre o tamanho do problema. E sobre o quanto o serviço interferiu até em decisões da franquia mais valiosa do portfólio.

O próprio Mike Brown, diretor criativo de Forza Horizon 5, já havia dado sua versão no fim de semana — e o Acerto Games noticiou. A conclusão dele foi parecida: boa ideia no papel, execução que não chegou nem perto das metas de assinantes. Agora, com várias vozes internas apontando na mesma direção, fica cada vez mais difícil tratar essa crise como ruído passageiro. O Game Pass foi apostado como o futuro da Xbox. Se os próprios construtores desse futuro estão arrependidos, algo saiu muito errado no caminho.

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Com informações de: GameSpot

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