Horizon 3 está sendo tocado por uma equipe minúscula, e a culpa é do jogo multijogador que a Sony resolveu encolher
Relatório da Bloomberg diz que a maior parte da Guerrilla continua no Horizon Hunters Gathering, agora reduzido de serviço ao vivo para um cooperativo menor. A sequência da Aloy segue a anos de distância, e o estúdio tem até dezembro para convencer a Sony.
Por Bruno Vazquez · 19 ago 2026 · 15:35 · 5 min de leitura

📷 A Aloy vai demorar mais a voltar do que os fãs esperavam. Divulgação/Guerrilla Games
Forbidden West terminou em 2022 com um gancho enorme e a promessa de um confronto final. Quatro anos depois, a resposta para quando esse confronto chega ficou pior do que já era.
Um novo relatório do Jason Schreier, na Bloomberg, diz que uma equipe minúscula segue tocando o planejamento de Horizon 3 dentro da Guerrilla Games, e que a sequência para um jogador continua a anos de distância de ficar pronta.
O que engoliu o estúdio
O motivo tem nome: Horizon Hunters Gathering, o cooperativo para três jogadores anunciado no começo do ano. Segundo o relatório, a maior parte do time da Guerrilla está nesse projeto há anos, e não como desvio temporário. Ele virou o jogo principal da casa.
Quando o Hunters Gathering foi anunciado, em fevereiro, já se falava que muita gente do Horizon 3 tinha sido puxada pra lá. O que o relatório de agora mostra é que nada mudou desde então, mesmo com o projeto passando por uma reformulação.
E é aqui que a notícia fica mais interessante. A Sony decidiu encolher o Hunters Gathering: ele deixa de ser o serviço ao vivo ambicioso que era pra virar um cooperativo menor. O relatório aponta ainda que a Guerrilla tem até dezembro pra convencer os executivos da Sony com o resultado.
Traduzindo o que isso significa
Vale a pena separar as duas informações, porque elas puxam pra lados diferentes.
A primeira é ruim para quem espera Horizon 3. Estúdio com uma equipe minúscula em planejamento não é estúdio produzindo. É estúdio segurando o projeto vivo enquanto o resto da casa trabalha em outra coisa.
A segunda é ambígua. Encolher um jogo de serviço ao vivo pode ser derrota, mas também pode ser a Sony finalmente reconhecendo que aquele modelo não estava funcionando. E se o Hunters Gathering ficar menor, ele consome menos gente, o que em tese libera o time mais cedo. O prazo de dezembro sugere que alguém em algum andar da Sony está perdendo a paciência.
O tamanho da espera
Faz a conta com os intervalos da própria série. Horizon Zero Dawn saiu em 2017. Forbidden West, em 2022. Cinco anos entre um e outro, o que fazia 2027 parecer razoável para o terceiro.
Com o cenário de agora, esse prazo virou fantasia. Relatórios anteriores já falavam em algo entre três e cinco anos, com a possibilidade real de Horizon 3 nascer como jogo de PlayStation 6 em vez de PlayStation 5.
E tem um custo narrativo aí que ninguém comenta. Forbidden West fechou com uma ameaça anunciada e uma promessa de continuação. Quanto mais tempo passa, mais o público esquece onde a história parou, e mais o terceiro jogo precisa gastar tempo relembrando em vez de avançar. Nemesis já corre o risco de chegar como aquele vilão que todo mundo precisa procurar no YouTube pra lembrar quem é.
A marca cresceu, a história parou
O contraste é curioso. Enquanto a sequência principal fica parada, o universo Horizon não para de se espalhar: teve o Lego Horizon Adventures, tem um MMO em desenvolvimento com a NCSoft, tem uma série em produção, e agora o cooperativo.
Isso mantém a marca circulando, gera receita e ocupa espaço na loja. Só não faz avançar a única coisa que fez as pessoas se apaixonarem pela franquia, que é a história da Aloy.
É um padrão que a gente tem visto demais nos últimos anos: a franquia vira plataforma antes de terminar de ser história.
O que fica
Nada disso é anúncio oficial. A Guerrilla e a Sony não confirmaram prazos, e o relatório vem de apuração jornalística, não de comunicado. Mas a fonte é das mais confiáveis do setor em assuntos internos de estúdio, e a informação bate com tudo que vinha sendo reportado desde fevereiro.
Se você estava planejando 2027 pra voltar às Terras Proibidas, é melhor soltar essa data. E, sinceramente, prefiro esperar mais e receber um Horizon 3 feito com o estúdio inteiro do que receber em 2027 um jogo feito com as sobras de quem restou.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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Com informações de: Jason Schreier, na Bloomberg