Crimson Desert no Switch 2: a Pearl Abyss mira o primeiro semestre de 2027 e admite que hoje o console só roda "o básico"
Na teleconferência de resultados, o estúdio detalhou o futuro do jogo: DLC ainda em 2026, versão de Switch 2 em estudo técnico, multiplayer sendo avaliado e a porta aberta para sequência. Também disse o que NÃO vai acontecer.
Por Bruno Vazquez · 13 ago 2026 · 16:00 · 5 min de leitura

📷 Kliff e sua montaria em Pywel. Divulgação/Pearl Abyss
Tem um tipo de anúncio que sai sem trailer, sem música épica e sem contagem regressiva: o que a empresa faz na frente de investidor, respondendo pergunta de analista. E costuma ser o mais honesto do ano — porque ali mentir tem consequência jurídica.
Foi nessa reunião, a teleconferência de resultados do segundo trimestre, que a Pearl Abyss abriu o plano completo do Crimson Desert. Tem coisa boa, tem prazo, e tem um recado desconfortável sobre o Switch 2.
O Switch 2 está no radar, mas com o pé no chão
A pergunta veio direta: vai ter Crimson Desert no Switch 2? A resposta do estúdio foi mais franca do que o normal nesse tipo de conversa. A empresa disse que quer o jogo no maior número possível de plataformas, mas que porte não é só recompilar — o que importa é preservar os gráficos, a ação e a experiência de mundo aberto no aparelho de destino.
E aí veio a parte reveladora: no Switch 2, o jogo está atualmente num nível em que a jogatina básica é possível, e a equipe segue fazendo avaliação técnica de otimização de desempenho e padrão de qualidade. Data de lançamento, disse a Pearl Abyss, é difícil de confirmar — a mira é o primeiro semestre de 2027.
Traduzindo do investidorês: roda, mas ainda não está bom. "Jogatina básica é possível" é uma frase que um estúdio só usa quando o resultado atual não seria aceitável de vender. Considerando que o Crimson Desert é construído sobre a BlackSpace Engine — a mesma tecnologia que acabou de levar o prêmio de melhor inovação técnica no Develop:Star Awards, em Brighton —, a distância entre o que ele é no PS5 e o que ele pode ser num portátil é real. Prometer 2027 e não jurar data é a atitude certa.
O DLC sai este ano, e os detalhes vêm até setembro
A confirmação mais concreta é o primeiro DLC de verdade. Ele está em desenvolvimento com meta de lançamento ainda dentro de 2026, e a empresa disse que composição, preço e cronograma serão anunciados no terceiro trimestre — ou seja, até o fim de setembro.
A Pearl Abyss também deixou claro o que ainda não sabe: quantos DLCs virão e com que frequência não está definido. O foco todo, por ora, é na qualidade e no desempenho de vendas do primeiro. É uma resposta prudente pra quem se lembra de estúdios que anunciaram passe de temporada com quatro pacotes antes de saber se o primeiro prestava.
Crimson Desert soma 17 atualizações em cinco meses
Multiplayer: estudando, sem promessa
O ponto que mais deve mexer com a comunidade é o multiplayer. A Pearl Abyss reconheceu que o jogo tem potencial pra isso pela natureza da ação e pela estrutura de mundo aberto, mas fez questão de baixar a bola: não é adicionar um modo, é rever estrutura de servidor, balanceamento, estabilidade em cada plataforma e sistema de operação.
Boa resposta. O Crimson Desert foi elogiado justamente pela campanha solo, e enfiar multiplayer com pressa costuma estragar as duas coisas ao mesmo tempo. Melhor estudar do que anunciar.
O que NÃO vai acontecer
Versão mobile está fora. A empresa foi taxativa: não há planos, porque o valor central do jogo está nos gráficos, na ação e no mundo aberto, e isso precisaria ser comprovado no celular antes de qualquer coisa. Ela continua pesquisando a escalabilidade da BlackSpace Engine pra esse ambiente, mas a prioridade declarada é o DLC e os projetos de próxima geração.
Sobre a China, também nada: o mercado é monitorado, mas não há plano de pedir a licença ISBN por enquanto.
Desconto vem aí — e a franquia também
Duas informações que valem pro seu bolso e pro seu calendário. A primeira: a Pearl Abyss está desenhando internamente uma estratégia de desconto, avaliando percentual e momento certo. Ela avisou que o objetivo é maximizar receita a longo prazo e ampliar a base de jogadores novos, não simplesmente baixar preço — o que sugere promoção pensada, não queima de estoque.
A segunda: o estúdio classificou o Crimson Desert como IP central, não como jogo de uma vez só, e disse manter em aberto as possibilidades de conteúdo adicional, expansão de plataforma e sequência.
Fecha o calendário a Gamescom, que abre em 26 de agosto: a Pearl Abyss vai apresentar uma palestra sobre a experiência de desenvolvimento com a BlackSpace Engine e levar demos jogáveis do Crimson Desert.
Lendo tudo junto, dá pra ver uma empresa que vendeu bem, levou um susto com o resultado abaixo do esperado no trimestre e agora está fazendo o dever de casa em vez de fingir que está tudo perfeito. É mais raro do que deveria ser.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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Com informações de: Pearl Abyss (teleconferência de resultados do 2º trimestre de 2026), via Inven Global