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O próximo Fallout que a gente mais quer jogar não é da Bethesda — é um mod de Doom feito por fãs

Enquanto a Xbox tenta apagar incêndio com promessas de remakes, Fallout: Bakersfield aparece como o projeto mais animador da franquia — e ele vive num WAD de Doom.

Por · 19 jul 2026 · 19:44 · 4 min de leitura

O próximo Fallout que a gente mais quer jogar não é da Bethesda — é um mod de Doom feito por fãs

📷 Reprodução/Kotaku

Num momento em que a Xbox está tentando conter a hemorragia de críticas após uma rodada pesada de demissões nos seus estúdios, a Bethesda foi colocada em cena para lembrar ao mundo que as franquias amadas ainda estão de pé. Todd Howard prometeu Elder Scrolls, prometeu um remake de New Vegas, prometeu continuidade. Tudo certo, tudo esperado. Mas o projeto de Fallout que mais está animando a comunidade agora não tem Microsoft, não tem Bethesda, não tem orçamento de blockbuster. É um mod de Doom. Feito por fãs. E ele parece incrível.

Fallout: Bakersfield — anunciado formalmente quase um ano atrás, segundo a Kotaku — é uma conversão total do motor do Doom, desenvolvida pelos irmãos Denis e Alexander 'Saur X' Berezin. O projeto se ambienta no wasteland clássico da série, aquele do Interplay original dos anos 90, antes de Bethesda entrar na equação. As imagens divulgadas mostram uma violência gostosa e pixelada, com aquela estética de mídia comprimida que remete direto ao Fallout 1 e 2 — e tem até clipes de voz do ator Brad Garrett no meio. A sensação, segundo a Kotaku, é a de imaginar como seria se Fallout tivesse evoluído na mesma direção de Duke Nukem 3D em vez de Oblivion.

Quando o projeto foi revelado, os irmãos Berezin estimavam que o jogo estava 60% concluído, com possibilidade de lançamento já em 2027. É um prazo relativamente próximo — e com o nível de ambição que o material apresenta, é difícil não ficar de olho.

A história dos projetos de fãs de Fallout é longa e cheia de altos e baixos. Muitos não sobrevivem, outros aparecem com promessas enormes e somem. Mas Bakersfield tem algo que poucos conseguem entregar: uma identidade própria e afiada, sem tentar imitar o que a Bethesda faz, e sim explorar o que a franquia poderia ter se tornado por outro caminho. Essa escolha consciente — de não competir com o Fallout moderno, mas de resgatar o DNA do clássico de dentro de um motor de 1993 — é o que torna o projeto genuinamente especial.

O colunista Zack Kotzer, da Kotaku, argumenta que projetos como Bakersfield e Sonic Mania revelam algo essencial sobre franquias queridas: às vezes, são exatamente as pessoas de fora — sem pressão de investidor, sem reunião de produto — que enxergam a beleza original de uma série com mais clareza do que os próprios estúdios. Não é um argumento para terceirizar tudo para fãs, mas é uma observação honesta de que o amor pela coisa frequentemente produz trabalho mais certeiro do que a fórmula segura.

A gente viu isso com Sonic Mania. Pode ver de novo com Bakersfield. E enquanto a Xbox reorganiza os cacos e Todd Howard faz as promessas de sempre, é um mod de Doom feito por dois irmãos que está conseguindo devolver aquela fagulha de entusiasmo pelo wasteland. Torçamos para que ele chegue em 2027 — e que chegue inteiro.

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

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