Faker virou policial honorário na Coreia do Sul — e a missão dele é salvar jovens das apostas online
Lee Sang-hyeok, o Faker do League of Legends, foi nomeado oficial honorário da polícia sul-coreana para combater o vício em apostas online entre jovens. O prêmio pra quem se tratar? O uniforme autografado dele.
Por Bruno Vazquez · 22 jul 2026 · 19:56 · 4 min de leitura
📷 Reprodução/GameSpot
Imagina ter a ficha limpa tão boa dentro e fora da tela que um governo inteiro bate na sua porta pedindo ajuda. É exatamente o que aconteceu com Lee Sang-hyeok — sim, o Faker, o maior nome da história do League of Legends. Segundo o Seoul Economic Daily, o governo da Coreia do Sul nomeou o jogador como policial honorário com a patente de Oficial Sênior, numa iniciativa para combater a epidemia de apostas online que está atingindo em cheio a juventude do país.
O problema é sério e crescente por lá. A Coreia do Sul tem visto um aumento expressivo no número de jovens envolvidos com jogos de azar ilegais pela internet — e os casos mais graves chegam a relatos de pessoas que foram a extremos para conseguir dinheiro para apostar ou quitar dívidas de jogo. Com leis rígidas que proíbem grande parte dessas atividades no país, o governo resolveu ir buscar munição onde o jovem sul-coreano presta atenção de verdade: no eSports.
A lógica da escolha do Faker é simples e, convenhamos, bastante acertada. O comunicado oficial cita que ele 'é um jogador de eSports com alto reconhecimento dentro e fora do país e tem praticado consistentemente os valores de autodisciplina e autocontrole ao longo de sua longa carreira, servindo como modelo para os jovens.' Com mais de uma década no topo do cenário competitivo de LoL — três títulos mundiais, incontáveis MVPs, e uma reputação de profissional inabalável —, Faker é exatamente o tipo de figura que carrega peso moral pra esse tipo de mensagem.
Na prática, o papel dele envolve produzir campanhas de utilidade pública: vídeos e pôsteres voltados para promover o Sistema Voluntário de Denúncia de Apostas Cibernéticas para Jovens da Coreia do Sul, um programa que ajuda adolescentes e jovens adultos a buscar tratamento para o vício. E tem um incentivo que, pra qualquer fã de LoL, vale mais que dinheiro: quem participar fielmente do programa de tratamento recebe o uniforme autografado do próprio Faker. O documento da nomeação descreve o item como algo 'que será entregue a jovens que superaram o vício em apostas, servindo de encorajamento para o seu saudável retorno à vida cotidiana.' Honestamente? Faz sentido. Uma camiseta do Faker autografada na prateleira deve lembrar você todos os dias de que valeu a luta.
Não é a primeira vez que a Coreia do Sul reconhece Faker com honrarias fora do universo dos jogos. Ele já foi o primeiro atleta de eSports sul-coreano a receber a Medalha Cheongnyong, uma das maiores honrarias esportivas do país. Além disso, segundo a reportagem da GameSpot, ele deve aparecer em selos postais sul-coreanos em breve — porque aparentemente ainda faltava um título no currículo. A gente brinca, mas é genuinamente bonito ver um jogador de videogame ocupar esse espaço de referência cultural e moral numa sociedade inteira.
Pra quem acompanha o cenário competitivo de LoL há anos, Faker sempre foi mais do que o melhor jogador do mundo. Ele é um símbolo de longevidade, disciplina e amor pelo que faz — qualidades que, aliás, são o oposto do que o vício em apostas representa. Que o governo sul-coreano tenha enxergado isso e construído uma campanha em cima dessa imagem é, no mínimo, inteligente. Ponto pro Faker. Ponto pra Coreia do Sul. E torcer para que os jovens que precisam de ajuda se sintam encorajados a dar o primeiro passo — seja pelo programa, seja pela chance de ter aquela camiseta na mão.
Com informações de: GameSpot