C.L.T. resgata a liberdade dos primeiros GTA e já diverte no acesso antecipado
A câmera do alto, o humor brasileiro e uma cidade que parece ter vida própria trazem de volta o espírito dos primeiros GTA. A versão 0.2.0 chegou no meio da jogatina e deixou tudo mais bonito.
Por Bruno Vazquez · 23 out 2026 · 10:50 · 7 min de leitura

📷 C.L.T. Divulgação/Uniday Studio. Captura feita pelo Acerto Games
Os anos 90 estão vivos. Bastaram alguns minutos com C.L.T. para surgir aquela sensação de estar diante de um velho conhecido. A câmera aérea, os carros cruzando as ruas e a liberdade de sair por aí sem missão nenhuma resgatam a época dos primeiros Grand Theft Auto. Eram jogos que conquistavam pela simplicidade e pela irreverência.
Mas C.L.T. não quer viver só de lembranças. O projeto brasileiro da Uniday Studio constrói identidade própria, com humor, referências culturais e situações do nosso cotidiano. É um jogo leve, bonito, nostálgico e, acima de tudo, divertido. Mesmo nesta fase de acesso antecipado, já dá para perder boas horas explorando, experimentando profissões ou só vendo o que acontece pelas ruas.

O momento da chegada também parece favorável. Enquanto milhões de jogadores esperam GTA 6, C.L.T. aparece como uma homenagem aos primeiros capítulos da franquia. O jogo não pretende competir com a grandiosidade das produções atuais da Rockstar. A ideia é recuperar um tipo de diversão que marcou uma geração.
A versão 0.2.0 chegou no meio da jogatina
Comecei a jogar C.L.T. na versão anterior, e a 0.2.0 saiu no meio da minha jogatina. A diferença apareceu logo: o jogo ficou visivelmente mais bonito. Na visão de cima, o cuidado com a luz, a chuva e o cenário salta aos olhos.
A Uniday Studio não publicou uma lista detalhada do que mudou de uma versão para outra. O estúdio prefere mostrar a evolução do jogo nos vídeos do próprio canal. O botão Enviar Feedback, logo no menu principal, mostra que o estúdio quer ouvir os jogadores a cada versão.

Três câmeras, três jeitos de jogar
Uma das escolhas mais interessantes está nas três opções de câmera. A fixa é a minha favorita até agora. Ela mantém a visão superior clássica e reforça na hora a nostalgia. A padrão acompanha os movimentos e as curvas, com uma apresentação mais fluida e cinematográfica. A dinâmica oferece outra maneira de seguir o personagem.
Parecem alternativas simples, mas mudam bastante a experiência. Cada jogador acaba encontrando a perspectiva mais agradável para o próprio jeito de jogar.

Do táxi ao agiota
A variedade de atividades é outro grande atrativo. Pelo celular, dá para pegar entregas de comida e trabalhar como motorista de táxi, ônibus ou caminhão. Também há profissões ligadas à polícia e à ambulância.

Há ainda um lado menos convencional, acessível pela dark web. Ali entram atividades criminosas, como trabalhar de matador de aluguel ou de agiota. Essa mistura de cotidiano e absurdo constrói o humor peculiar do jogo.

No campo, o trabalho de colheita coloca o jogador ao volante de uma colheitadeira. A missão pede para colher toda a plantação, e a porcentagem colhida sobe no canto da tela. Parece o lado mais pacato de C.L.T., e funciona como contraponto às perseguições da cidade.

Uma cidade com vida própria
O mais interessante é que C.L.T. transmite a sensação de um mundo vivo, mesmo com as limitações atuais. Numa das minhas explorações, eu procurava uma arma. Pela crítica social do jogo, imaginei que encontraria alguma coisa nas regiões mais pobres da cidade.
Segui nessa direção. Logo na chegada, fui surpreendido por um confronto envolvendo policiais. Não sei se era um evento programado ou se aconteceu de forma aleatória. Foi justamente esse tipo de situação inesperada que tornou a exploração mais interessante. Naquele momento, a cidade parecia ter acontecimentos próprios, independentes do que eu fazia.

O comércio também ajuda a dar vida às ruas. Segundo a Uniday Studio, a cidade já tem mais de 50 lojas. Os letreiros são um show à parte: Analanche, Espetinho de Gato, Farma Aura e Deide Costa Imóveis entram na coleção de piadas visuais que fazem rir sem precisar de nenhuma fala.

É uma experiência pequena, mas mostra o potencial do projeto. Um bom mundo aberto não precisa só de um mapa extenso ou de dezenas de atividades. Ele precisa despertar curiosidade e fazer o jogador querer conhecer a próxima rua ou largar o objetivo para ver o que acontece ao redor.

O que ainda precisa melhorar
A diversidade de profissões também levanta uma questão para o futuro. Ela impressiona no começo, mas será preciso ver se as atividades mantêm o interesse depois de muitas horas. Oferecer várias ocupações é diferente de dar a cada uma profundidade, situações variadas e motivos para continuar jogando. Se os sistemas não evoluírem, a repetição pode diminuir o encanto inicial.

Outro ponto que merece refinamento é a visibilidade de certos acontecimentos. Na perspectiva aérea, árvores, construções e outros elementos do cenário podem esconder a ação. Equilibrar a composição visual com a clareza das informações será importante, principalmente em confrontos e perseguições.
Ansiosos pelo modo campanha
É preciso considerar o estágio do desenvolvimento. C.L.T. chegou em acesso antecipado e já tem uma base que diverte. Há ideias interessantes, uma proposta visual agradável e um universo brasileiro que encontra na sátira e na liberdade de exploração seus maiores atrativos.
Estamos ansiosos pelo modo campanha. A Uniday Studio promete história própria e um mapa oficial feito à mão, inspirado nas cidades e paisagens de Santa Catarina. Com personagens, conflitos e uma narrativa estruturada, o jogo tem a chance de transformar as boas ideias em algo ainda mais marcante. O mundo já oferece várias maneiras de se divertir. Falta descobrir como uma história vai conectar tudo isso.

Por enquanto, C.L.T. conquista pelo prazer de jogar. Dá para entrar sem grandes pretensões, assumir uma profissão, explorar a cidade, cair numa situação inesperada e perceber que algumas horas simplesmente passaram.

Há um caminho considerável pela frente, principalmente no aprofundamento das atividades. Mas também existe algo que nem sempre aparece em projetos tão ambiciosos: uma proposta com personalidade, capaz de despertar nostalgia sem abrir mão de criar algo próprio.
C.L.T. ainda tem muito a evoluir, mas já encontrou um jeito de nos lembrar por que era tão divertido sair pelas ruas de uma cidade virtual nos anos 90. Vamos continuar acompanhando de perto cada atualização.
C.L.T. está em acesso antecipado no PC, com Windows 10 ou 11 de 64 bits. O jogo é vendido no site da Uniday Studio e no itch.io.
Agradecimento
O Acerto Games agradece à Uniday Studio e a Guilherme Teres pela liberação do acesso antecipado de C.L.T. e pela oportunidade de conhecer o jogo durante o desenvolvimento.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
Ver perfil e matérias →Newsletter Acerto Games
Dê o start na informação certa
Um resumo diário com as principais notícias de games, direto no seu e-mail.
Leia no celular
Aponte a câmera e abra esta matéria


