Xbox perde a primeira diretora de operações da sua história três meses depois de criar o cargo
Helen Chiang, que comandava Minecraft e foi promovida para conduzir o reset do Xbox, deixou a Microsoft. Asha Sharma não explicou a saída e diz que vai anunciar novidades sobre o cargo.
Por Bruno Vazquez · 24 out 2026 · 16:05 · 3 min de leitura

📷 Asha Sharma. Divulgação/Xbox
O Xbox perdeu a primeira diretora de operações da sua história pouco mais de três meses depois de criar o cargo. Helen Chiang deixou a Microsoft nesta sexta-feira (23), segundo um memorando interno de Asha Sharma, presidente do Xbox, revelado pelo jornalista Tom Warren, do The Verge.
O texto é curto. "Helen Chiang está deixando a Microsoft hoje. Sou grata pelos anos de serviço e desejo tudo de bom a ela", escreveu Sharma. A empresa não explicou o motivo. Ao The Verge, a vice-presidente de comunicação do Xbox, Kari Perez, disse apenas que a companhia não comenta assuntos individuais de pessoal.

Um cargo feito para o reset
A saída pesa por causa do tamanho da função. Chiang foi promovida em julho, no mesmo anúncio do plano que Sharma chamou de reset do Xbox. Como COO, ela tinha responsabilidade de ponta a ponta sobre resultado financeiro em conteúdo, hardware, plataforma e serviços, respondendo direto à presidente.
A missão era juntar essas áreas num único modelo de operação. Em outras palavras, era a executiva encarregada de fazer o corte de 3.200 vagas e a reorganização dos estúdios resultarem numa divisão mais enxuta e lucrativa. Por enquanto, as funções dela vão ser divididas entre outros líderes. Sharma prometeu mais informações sobre o comando de operações "assim que os planos forem finalizados".
21 anos de casa
Chiang não era uma contratação de fora. Ela passou 21 anos na Microsoft, participou da equipe que construiu a Xbox Live e comandava Minecraft desde 2018, primeiro como chefe do estúdio Mojang e depois como vice-presidente da franquia. Saiu de uma das marcas mais lucrativas da empresa para assumir a reestruturação inteira, e deixa o posto antes de o plano chegar à metade.
Um ano de saídas
A troca se soma a uma sequência rara na história da marca. Sharma assumiu em fevereiro, depois das saídas de Phil Spencer e Sarah Bond. Desde então, o Xbox demitiu em ondas, tornou independentes estúdios como Double Fine e Compulsion Games e deu à Arkane Lyon até 13 de novembro para encontrar um comprador.
Na mesma semana, a divisão virou notícia também por uma negociação que não aconteceu. Segundo apuração do Puck, a Netflix ofereceu US$ 500 milhões para licenciar marcas do Xbox para filmes e séries, e a Microsoft pediu US$ 800 milhões por sete anos. O acordo não saiu.
O contexto também inclui a dúvida maior sobre o futuro da divisão. Nesta semana, a Fortune revelou que um estudo apresentado à alta direção avaliou cenários como venda, spinoff ou entrada de investidor externo no Xbox. Sharma já disse que o Xbox não está à venda, mas a saída da executiva que cuidava da operação inteira deve alimentar essa conversa.
Para quem joga, nada muda no curto prazo. Game Pass, lançamentos e o calendário do fim de ano seguem como anunciados. A saída parece mais um sinal de que o reset ainda não encontrou a forma final. As próximas rodadas de demissões, previstas para novembro e janeiro, vão acontecer sem a executiva que deveria conduzi-las.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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