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Menos de 10 pessoas sabiam: a Nintendo guardou o anúncio de Tears of the Kingdom com sigilo de operação militar

Ex-gerentes de PR da Nintendo of America revelaram que a existência de Tears of the Kingdom era tão secreta que nem o chefe direto de Kit Ellis sabia — e descobriu ao vivo, na plateia da E3 2019.

Por · 19 jul 2026 · 19:45 · 4 min de leitura

Menos de 10 pessoas sabiam: a Nintendo guardou o anúncio de Tears of the Kingdom com sigilo de operação militar

📷 Reprodução/Kotaku

Lembra daquele trailer de The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom caindo do nada no final da E3 2019, com aquela música sombria e a mão do Link coberta de Malice? A sensação de chão saindo debaixo dos pés foi real — e, ao que tudo indica, era exatamente isso que a Nintendo queria. Segundo Kit Ellis e Krysta Yang, ex-gerentes de relações públicas da Nintendo of America que hoje comandam o canal Kit & Krysta no YouTube, menos de dez pessoas dentro da Nintendo of America tinham qualquer conhecimento sobre a existência do jogo antes do anúncio acontecer. A informação foi reportada originalmente pelo GamesRadar.

O nível de controle era impressionante. De acordo com Ellis, a lista dos informados se resumia a ele mesmo, ao então presidente da Nintendo of America, Doug Bowser, e a 'um par de pessoas da liaison com o Japão' — a equipe responsável pela ponte entre a matriz japonesa e o escritório americano. E olha que não estamos falando de um estagiário esquecido fora do loop: o próprio chefe direto de Ellis estava completamente no escuro. Yang lembrou, bem-humorada, que durante o anúncio na E3 esse mesmo chefe estava do lado dela na plateia, reagindo com o mesmo espanto de qualquer fã na sala.

Ellis conta que foi selecionado para o seleto grupo justamente por causa do seu trabalho de PR e marketing em The Legend of Zelda: Breath of the Wild — o antecessor direto de Tears of the Kingdom. Mas a 'honraria' veio com um preço. No começo, ele achava que teria pouco a fazer com uma equipe tão pequena sabendo do projeto. A realidade foi outra, bem outra. 'Ficou claro que eu tinha que fazer o trabalho de vários times diferentes, em segredo', explicou Ellis. Com toda a máquina de comunicação da E3 funcionando a todo vapor ao redor dele, mas sem poder incluir quase ninguém no projeto, ele acabou concentrando uma quantidade absurda de tarefas nas próprias mãos.

A história toda fica ainda mais curiosa quando a gente coloca ao lado do cenário atual. O próprio Kotaku faz a comparação: o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time para o Nintendo Switch 2 — jogo cujo anúncio, aliás, já rendeu matéria aqui no Acerto Games — foi praticamente cantado em bola antes de qualquer Direct oficial, graças ao podcast do NateTheHate. São dois mundos completamente diferentes, separados por menos de uma década.

E é difícil não sentir um pouco de nostalgia disso. A E3 2019 foi justamente a última edição do evento antes de sua dissolução final, e aquele trailer de Tears of the Kingdom foi um dos seus momentos mais marcantes — uma surpresa de verdade, do jeito que a gente raramente tem hoje em dia. Que saudade de quando 'já vi tudo sobre esse jogo' não era a regra, né? O mérito de ter blindado um segredo assim numa empresa grande, com fornecedores, parceiros e jornalistas circulando por todo lado, é genuinamente difícil de dimensionar. A Nintendo pode ser misteriosa até irritar — mas, quando funciona, ela entrega o tipo de momento que nenhum leak consegue recriar.

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

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