Kojima acredita que jogos em mídia física podem desaparecer em até três anos
Criador de Metal Gear e Death Stranding prevê avanço acelerado do digital; no PlayStation, novos jogos deixam de receber produção em disco a partir de janeiro de 2028.
Por Bruno Vazquez · 06 out 2026 · 08:44 · 5 min de leitura

📷 Reprodução / Observatório Tech
Hideo Kojima acredita que a mídia física pode estar mais perto do fim do que muitos jogadores imaginam. Durante o retorno do KOJI10, o criador de Metal Gear e Death Stranding afirmou que CDs, Blu-rays e jogos distribuídos em discos podem desaparecer em aproximadamente dois ou três anos.
A declaração é uma previsão pessoal de Kojima, e não uma informação sobre planos de toda a indústria. Ainda assim, ela surge em um momento em que decisões concretas das fabricantes começam a aproximar o mercado desse cenário.
PlayStation já marcou sua transição
Em julho, a Sony Interactive Entertainment anunciou oficialmente que encerrará a produção de discos físicos para novos jogos lançados em consoles PlayStation a partir de janeiro de 2028. Depois dessa data, novos títulos serão oferecidos em formato digital.
A mudança não afeta os jogos lançados antes do prazo, e a Sony deixou claro que a decisão acompanha a preferência crescente do público pela distribuição digital. O anúncio, porém, cria um marco importante para uma transformação que durante anos foi tratada apenas como possibilidade.
Se colocada ao lado da previsão feita por Kojima em outubro de 2026, a janela é próxima. Dois ou três anos levariam a estimativa do desenvolvedor para algum ponto entre 2028 e 2029.
Isso não significa que Nintendo, Microsoft ou outras empresas necessariamente abandonarão discos e cartuchos no mesmo período. Cada fabricante pode seguir uma estratégia diferente. A fala de Kojima deve ser entendida como leitura de tendência, não como confirmação de um calendário para toda a indústria.
Kojima gosta justamente do que acredita estar desaparecendo
O comentário chama atenção porque Kojima é conhecido por sua ligação com objetos físicos. No próprio programa, ele falou sobre a quantidade de livros, filmes e outros materiais que mantém em casa e no escritório.
Esse contraste torna a declaração mais interessante. Kojima não está comemorando o fim da mídia física; ele parece enxergar uma direção de mercado que avança independentemente de sua preferência pessoal.
O disco representa mais do que uma embalagem
Para parte do público, a migração integral para o digital é apenas uma mudança de conveniência. Para outra parcela, ela mexe com preservação, mercado de usados, empréstimos, colecionismo e a própria ideia de possuir um jogo.
Uma biblioteca digital depende das regras da plataforma, da disponibilidade dos servidores e das licenças vinculadas às contas. Já uma edição física pode permitir revenda, troca e preservação do objeto, embora muitos jogos modernos ainda dependam de atualizações e serviços online para funcionar integralmente.
A decisão da Sony para 2028 mostra que a transição já deixou o campo das previsões. O que permanece em aberto é a velocidade com que o restante do mercado seguirá o mesmo caminho.
Se Kojima estiver certo, a atual geração poderá ser lembrada não apenas pelos jogos que recebeu, mas como uma das últimas em que colocar um disco no console ainda fazia parte da rotina de milhões de jogadores.
PlayStation Blog: produção de discos para novos jogos termina em janeiro de 2028
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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