A edição de R$ 600 do GTA 6 está dominando os charts de pré-venda — e isso diz muito sobre o jogador de console
Apesar das reclamações na internet, a versão Ultimate de GTA 6, a mais cara, é a mais pré-vendida em nove territórios pelo mundo. Dados de pré-venda na PlayStation Store mostram que o jogador hardcore está disposto a pagar bem mais do que R$ 500 por um jogo.
Por Bruno Vazquez · 21 jul 2026 · 19:49 · 4 min de leitura
📷 Reprodução/Kotaku
Você passou as últimas semanas vendo alguém reclamar nas redes de que GTA 6 está caro demais? Pois é — mas os dados de pré-venda não estão lendo esses posts. Segundo levantamento da Tweaktown, que acompanhou os charts públicos de pré-venda da PlayStation Store, a edição Ultimate de Grand Theft Auto 6, a versão digital que custa US$ 100 (algo em torno de R$ 600 na conversão atual), é a mais pré-vendida do jogo em nove territórios ao redor do mundo — incluindo Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França e Japão, de acordo com dados coletados até 20 de julho.
Pra entender o tamanho da coisa: o jogo base já custa US$ 80, um valor acima dos US$ 60 e US$ 70 que eram o padrão até bem pouco tempo atrás. A edição Ultimate, revelada pela Rockstar e pela Take-Two no início de julho, vai além — cobra mais US$ 20 por acesso a lojas exclusivas dentro do jogo, skins de armas, garagens e outros conteúdos que quem comprar a versão básica não vai ter. Boa parte da galera online apontou exatamente isso: que a Ultimate seria o 'jogo de verdade', e que a versão mais barata é uma versão incompleta. Reclamação legítima. E mesmo assim, é a edição mais cara que lidera os charts.
Esse comportamento não é um acidente. Daniel Ahmad, diretor de pesquisa e análise da Niko Partners — uma das firmas mais respeitadas em dados de mercado de games —, colocou o dedo na ferida em publicação no Twitter citada pelo Kotaku: a grande tendência do mercado de consoles na última década não é a base de jogadores crescendo, mas cada jogador gastando mais. O perfil que está comprando a Ultimate Edition é o mesmo que assina o PlayStation Plus Premium, compra o console Pro no lançamento, paga pelo passe de batalha todo semestre. Esse público existe, é fiel e, aparentemente, não pisca diante de uma tag de R$ 600.
A Tweaktown também apontou que o fenômeno não é exclusivo de GTA 6. As edições mais caras de Halo: Campaign Evolved e do Wolverine da Insomniac também aparecem na frente das versões padrão nos charts de pré-venda no PlayStation. Em parte, porque essas versões costumam garantir acesso antecipado — ou seja, quem não paga o preço maior simplesmente fica de fora por alguns dias. É um modelo que a indústria já naturalizou, mas que, olhado com calma, funciona assim: a versão barata não chega mais devagar porque há benefício técnico nisso. Ela chega mais devagar porque o estúdio decidiu que deveria chegar. Mas esse é um debate pra outro dia.
O recado que os números mandam pra indústria é bem claro: a barulheira online sobre preços altos e a ausência de mídia física ainda não está se traduzindo em queda de pré-vendas — pelo menos não entre o público que tem cartão cadastrado no PlayStation e costume de comprar no lançamento. GTA 6 chega em novembro, e tudo indica que vai quebrar recordes com ou sem o disco. Se isso é bom ou ruim pra você como jogador depende muito de onde você está nessa equação. Pra quem faz as planilhas lá na Take-Two, parece que as coisas estão indo exatamente como planejado.
Com informações de: Kotaku