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Game Pass foi boa ideia, mas não funcionou: diretor de Forza Horizon 5 desabafa sobre o colapso do Xbox

Mike Brown, ex-diretor criativo de Forza Horizon 5, quebrou o silêncio sobre o momento doloroso que o Xbox atravessa — e apontou o dedo direto pro Game Pass como centro do problema.

Por Bruno Vazquez · 20 jul 2026 · 19:53 · 4 min de leitura

📷 Reprodução/GameSpot

Mike Brown, diretor criativo que passou anos na Playground Games — o estúdio por trás de Forza Horizon 5 — antes de sair para fundar sua própria empresa, concedeu uma entrevista ao canal MinnMax em que falou abertamente sobre o que está acontecendo com o Xbox. E a leitura dele dói, porque é honesta: o Game Pass era uma boa ideia, mas simplesmente não conseguiu se sustentar como negócio. Segundo o Kotaku, que repercutiu os trechos mais relevantes da conversa, Brown resumiu a situação sem rodeios.

O coração do problema, na visão dele, está nos números. A Microsoft esperava ter algo em torno de 77 milhões de assinantes do Game Pass até agora. O que existe de fato? Cerca de 30 milhões. É uma lacuna enorme, do tipo que não se tapa com ajuste fino — e foi exatamente essa diferença entre a projeção e a realidade que deixou o ecossistema Xbox em situação tão delicada. A própria CEO do Xbox, Asha Sharma, reconheceu publicamente que o Game Pass foi uma aposta que não se pagou, depois de a Microsoft ter investido mais de 80 bilhões de dólares — algo como R$ 480 bilhões na cotação atual — em aquisições de estúdios para abastecer o serviço de conteúdo.

Brown foi enfático ao dizer que a ideia, em si, não era errada. O Game Pass tinha uma lógica generosa: colocar jogos novos direto no serviço, dar ao jogador uma biblioteca enorme por uma mensalidade acessível, e crescer em assinantes até o modelo se pagar. Só que mais gente precisaria ter entrado. 'Se mais pessoas tivessem assinado, dinheiro suficiente entraria, o modelo funcionaria, e todos esses estúdios continuariam de pé fazendo jogos', ele disse, conforme reportado pelo Kotaku. 'Infelizmente, não foi assim.'

O que torna o relato ainda mais pesado é que Brown não está falando de estatística fria — ele está falando de colegas. 'Isso é realmente muito triste, porque a gente vai ver estúdios sendo fechados ou vendidos. Muita gente vai perder o emprego. E isso é, honestamente, o resultado de um conceito bem-intencionado e focado no jogador — o Xbox Game Pass — que não aterrisou direito', ele lamentou. Quem acompanhou os fechamentos e demissões em cascata pelo Xbox nos últimos tempos sabe que não é força de expressão. A conta chegou, e quem pagou foi quem estava nos estúdios.

Um detalhe que a reportagem do GameSpot traz e que merece destaque: não foi como se todo mundo dentro da Microsoft tivesse abraçado o Game Pass com entusiasmo. Houve, segundo relatos já apurados anteriormente pela imprensa, vozes internas que alertaram os executivos sobre os riscos — inclusive o risco real de o serviço canibalizar as vendas de jogos avulsos. O alerta existia. A aposta foi feita mesmo assim. Agora, a indústria inteira observa as consequências.

A gente pode debater as decisões estratégicas da Microsoft por horas, mas o que Brown articula com clareza é algo que vai além do balanço financeiro: foi uma visão de mundo sobre como jogar que não se converteu em adesão suficiente para se manter de pé. E a tragédia real não está nos gráficos de assinatura — está nos times que ficaram no caminho. Que esse capítulo, pelo menos, sirva de lição honesta pra toda a indústria sobre o peso que uma aposta mal calibrada carrega.

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Com informações de: GameSpot

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