Vinte e cinco anos depois, Final Fantasy X ainda tem a melhor abertura da série — e tem ranking pra provar
A Kotaku fez o levantamento das melhores introduções da franquia, e o clássico do PS2 — que chega ao Switch 2 esta semana — saiu na frente, deixando até o lendário Final Fantasy VII em segundo lugar.
Por Bruno Vazquez · 22 jul 2026 · 15:06 · 5 min de leitura
📷 Reprodução/Kotaku
A chegada do remaster em HD de Final Fantasy X ao Switch 2 esta semana deu ao redator Ethan Gach, da Kotaku, uma boa desculpa pra fazer o que todo fã de Final Fantasy faz pelo menos uma vez na vida: sentar, rever as aberturas da série e discutir qual delas é a melhor de todas. A conclusão dele, depois de jogar o início do jogo pela décima segunda vez, foi que Final Fantasy X ainda carrega a coroa — 25 anos depois do lançamento original no PS2.
Antes de chegar ao número 1, o ranking passa por cinco jogos da franquia. Em quinto lugar ficou Final Fantasy VI: a cena das armaduras Magitek marchando pela neve era impressionante pro padrão do Super Nintendo, mas hoje não tem mais o mesmo impacto visual. O que ainda sustenta a abertura do VI, segundo a Kotaku, é a trilha sonora de Nobuo Uematsu e o ritmo da narrativa, que joga o jogador direto numa fuga frenética. Em quarto, Final Fantasy XIII — aquele do PS3 e do Xbox 360 com Lightning como protagonista. A abertura cinematográfica era deslumbrante, a luta com os soldados inimigos e os cenários de ficção científica empolgavam, mas o texto da Kotaku alfineta: era boa demais, como um trailer de evento que prometia mais do que o jogo inteiro conseguiu entregar.
O terceiro lugar foi pro Final Fantasy IX, e é fácil entender por quê. A abertura do IX tem uma estrutura em três atos que funciona lindamente: primeiro você explora Alexandria como o pequeno Vivi — personagem cujo tema musical é considerado pela Kotaku como um dos melhores de Uematsu na série —, depois acompanha o show teatral dos ladrões tentando sequestrar a princesa, e o tudo termina numa fuga que culmina num acidente no meio da floresta. Variado, bem-ritmado e com personalidade. O segundo lugar ficou com quem a maioria esperaria que fosse o primeiro: Final Fantasy VII. A câmera saindo das estrelas até chegar na garota das flores num beco escuro, depois deslizando pela metrópole industrial pra pousar num trem a todo vapor — são dois minutos que mudaram o que se entendia por abertura de videogame. O combate contra o robô-escorpião na Usina de Mako ainda impressiona. E a ideia de começar a aventura no meio de um ataque terrorista já em andamento, com contador regressivo e tudo, era ousada pra qualquer padrão da época.
Mas, no entendimento da Kotaku, Final Fantasy X supera tudo isso. A abertura do jogo lança o jogador numa cidade futurista no meio do oceano durante uma partida de blitzball — o esporte aquático icônico da franquia, jogado dentro de uma enorme esfera de água —, enquanto a música pesada 'Otherworld' toca ao fundo. O protagonista Tidus perambula pelos alto dos arranha-céus enquanto uma ameaça colossal chamada Sin avança pelo mar em direção à cidade, e é a montagem desses elementos — a explosão, o silêncio repentino quando a bota de Auron bate numa poça d'água e os respingos começam a flutuar pra cima — que faz a Kotaku cravar o primeiro lugar. É direção de cinema dentro de um jogo de PS2. O texto admite que as batalhas da abertura são fracas — monstros genéricos e um pilar com tentáculos —, mas defende que a história compensa com maestria: você não entende quase nada do que está acontecendo, e é exatamente isso que te prende.
Pra quem vai experimentar tudo isso pela primeira vez, ou pela décima segunda como o Ethan Gach: Final Fantasy X HD Remaster chegou ao Switch 2 nesta semana. No Brasil, o título ainda não tem preço oficial confirmado na eShop para o novo console — vale ficar de olho na loja da Nintendo.
Olha, a gente pode discutir o ranking o dia todo — e no grupo do zap com certeza vai. Final Fantasy VII tem um argumento histórico muito sólido, e quem cresceu com o VII no PS1 vai sentir aquela abertura na alma de um jeito que nenhum ranking consegue medir direito. Mas o ponto da Kotaku é válido: o que o Final Fantasy X faz nos primeiros quinze minutos é construir uma atmosfera tão densa, tão singular, que você literalmente não consegue parar. Vinte e cinco anos e o mistério de Sin ainda fisga. Isso não é pouca coisa.
Com informações de: Kotaku (EUA)