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Analista avisa: o fim dos jogos físicos no PS5 pode fechar as lojas de games de vez

Michael Pachter, da Wedbush Securities, foi à CNBC dizer o que muita gente já sentia: a decisão da Sony de enterrar os discos em janeiro de 2028 é uma sentença de morte para o varejo físico de games.

Por Bruno Vazquez · 22 jul 2026 · 15:05 · 4 min de leitura

📷 Reprodução/GameSpot

A Sony confirmou que vai encerrar a produção de jogos físicos para PlayStation 5 em janeiro de 2028 — e o mercado não está deixando essa decisão passar em branco. No dia 21 de julho, Michael Pachter, diretor de planejamento estratégico da Wedbush Securities, uma das maiores firmas de serviços financeiros de Los Angeles, foi à CNBC para colocar números e consequências na mesa. O diagnóstico dele é duro: o varejo físico de games está condenado.

Pachter lembrou um dado que muita gente esquece quando a conversa gira em torno de disco versus digital: historicamente, pelo menos um terço de todos os jogos vendidos no mundo passaram pelo mercado de usados. E esse mercado não é só uma segunda chance pra quem não pôde pagar o preço cheio no lançamento — ele também funciona como uma espécie de troco que permite ao jogador trocar um jogo seminovo e usar esse crédito pra comprar o próximo lançamento. Com o disco sumindo, essa cadeia inteira quebra. 'O varejo físico de games está condenado', ele disse, sem rodeios, segundo a GameSpot.

O interessante é que essa conclusão vai na direção oposta do que o CEO da GameStop, Ryan Cohen, disse poucos dias antes, em 17 de julho. Cohen declarou que jogos físicos são 'completamente irrelevantes' para o negócio atual da empresa — e os números até sustentam essa tese do ponto de vista da GameStop especificamente: vendas de software representam apenas 12% da receita da rede, enquanto colecionáveis como cards de Pokémon chegam a quase 42% e hardware e acessórios perto de 40%. A GameStop já se reinventou em outra coisa há um bom tempo. Mas a questão de Pachter é mais ampla: o que acontece com as lojas menores, as que ainda dependem do fluxo de troca e venda de usados pra sobreviver?

E o impacto não é só econômico — é cultural. Tem mais de uma petição circulando pela internet pedindo que a Sony reveja a decisão, com centenas de milhares de assinaturas. A criadora de Disgaea, franquia de RPG tático da Nippon Ichi Software, chegou a sugerir que, se não vai ter mais jogo físico, a Sony deveria simplesmente parar de fabricar consoles. É um nível de insatisfação que vai muito além do reclamão de plantão nas redes sociais.

A internet, como de costume, tratou o assunto com o humor que a situação merecia: rolou uma onda de memes alfinetando o slogan mais famoso da Sony, 'Play has no limits' — que em bom português significa 'o jogo não tem limites'. Bem, pelo visto tem sim: tem o limite do leitor de disco. A ironia praticamente escreveu sozinha.

Pra ser justo com a Sony, os dados mostram que as vendas de jogos físicos para PS5 já vinham encolhendo faz tempo — a empresa claramente tomou a decisão com planilha na mão. Mas planilha não captura tudo. Não captura o cara que compra usado porque é a única forma que cabe no orçamento. Não captura a loja de bairro que sobrevive da troca de seminovos. E não captura a sensação de segurar a caixa, ver a arte da capa e saber que aquilo é seu de verdade, sem depender de servidor ou licença digital. Esse é o tipo de coisa que números de margem de lucro nunca vão conseguir medir — e que a gente vai sentir falta quando sumir de vez.

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Com informações de: GameSpot

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