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CEO da GameStop sobre jogos físicos: 'Não importa. Não importa nada'

Ryan Cohen, chefão da GameStop, declarou que games físicos são totalmente irrelevantes para o negócio — e os números da empresa dão razão a ele, mesmo que doa um pouquinho aceitar isso.

Por Bruno Vazquez · 18 jul 2026 · 14:48 · 4 min de leitura

📷 Reprodução/GameSpot

A GameStop, a maior rede de lojas físicas de games dos Estados Unidos, está virando as costas para os jogos físicos — e o CEO Ryan Cohen não tem o menor pudor de dizer isso em voz alta. Em entrevista à Bloomberg, quando questionado sobre como a decisão da Sony de abandonar os discos físicos a partir de 2028 impactaria os negócios da empresa, Cohen foi direto ao ponto: 'Não importa. Não importa nada.' Segundo a GameSpot, que publicou a notícia nesta sexta-feira, 17 de julho, a frase causou surpresa — mas os relatórios financeiros da companhia explicam o raciocínio.

Papo reto: a palavra 'game' está no nome da empresa, mas jogos de verdade representam menos de 12% da receita da GameStop hoje, conforme declarado pelo próprio Cohen na mesma entrevista. O vilão da vez pra quem cresceu trocando cartucho na fila da locadora é o seguinte: colecionáveis — como cards de Pokémon — corresponderam a 41,8% da receita total da empresa no primeiro trimestre de 2026, de acordo com os relatórios financeiros da GameStop. Hardware e acessórios chegam perto dos 40%. Software de games ficou lá embaixo, sozinho, como o menor pedaço do bolo.

E cá entre nós, faz sentido doloroso. A GameStop que a gente conhecia — aquela de entrar na loja só pra manusear as capas e sair com um jogo usado ganhando — já não existe há tempos. A migração digital acelerou, a Sony jogou a pá de cal com o anúncio do fim dos discos, e a empresa foi se reinventando nas gôndolas enquanto a gente não estava olhando. Hoje ela vende mais cartas de TCG do que cópias de qualquer blockbuster.

A Bloomberg também jogou na mesa o caso do Grand Theft Auto 6, que deve ser lançado sem versão em disco — o que, na prática, zera o mercado de revenda para redes como a GameStop. Cohen desconversou na hora. Segundo a GameSpot, o CEO desviou o assunto para falar do eBay — mais especificamente, da sua ambição de adquirir o marketplace e transformar uma entidade GameStop-eBay em um 'negócio de US$ 1 trilhão' (algo em torno de R$ 5,7 trilhões na cotação atual, em conversão aproximada). Como ele pretende fazer isso acontecer? Boa pergunta. A entrevista não esclareceu.

O mercado, curiosamente, não se assustou com a declaração da Sony que motivou a conversa: segundo a GameSpot, as ações da GameStop até subiram depois do anúncio do fim dos discos físicos — o que sugere que os investidores já tinham absorvido a ideia de que a empresa virou outra coisa faz tempo. O único que parece ainda não ter processado completamente o que tudo isso significa para o legado da empresa é, talvez, quem cresceu vendendo os próprios jogos lá dentro pra comprar um novo. Mas isso é saudade falando mais alto do que balanço financeiro.

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Com informações de: GameSpot

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