Vendas de consoles nos EUA têm pior agosto desde 2013; Xbox cai 31% e Switch 2 lidera
Circana registra 559 mil aparelhos vendidos, preços recordes e retração de 15% no volume; dados brasileiros ajudam a contextualizar o cenário sem confundir os mercados.
Por Bruno Vazquez · 09 out 2026 · 09:25 · 6 min de leitura

📷 Arte editorial gerada para o Acerto Games
Os Estados Unidos compraram menos consoles em agosto de 2026 do que em qualquer agosto desde 2013. Foram 559 mil aparelhos, queda de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o levantamento da Circana divulgado em 8 de outubro. O dado resume uma contradição do setor: há lançamentos de grande porte, mas o preço de entrada para jogar continua aumentando.
O que dizem os números
Os gastos com hardware ficaram em US$ 302 milhões no mês, 3% abaixo de agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, o segmento movimentou aproximadamente US$ 2,5 bilhões, retração de 11%. A queda em unidades foi mais forte que a queda em receita porque o preço médio pago por um aparelho novo alcançou US$ 541, contra US$ 476 um ano antes, um recorde para o mês.
A retração atingiu todas as fabricantes em volume de aparelhos. As unidades de Xbox caíram 31% na comparação anual, o pior agosto da marca desde 2020; PlayStation caiu 11%, seu menor agosto desde 2013; e Nintendo recuou 15%. Ainda assim, o Switch 2 liderou agosto e o acumulado de 2026 tanto em unidades quanto em faturamento, com o PS5 na segunda posição.
Há uma distinção essencial: a receita do PS5 cresceu 17%, mesmo com menos unidades vendidas. Já os gastos com Xbox Series e Switch 2 recuaram 13% cada. Uma fabricante pode arrecadar mais com menos aparelhos vendidos quando o preço médio aumenta. Por isso, usar apenas receita para falar de popularidade seria enganoso.
O mercado de games como um todo também encolheu
Somando jogos, consoles e acessórios, o consumidor americano gastou cerca de US$ 4,26 bilhões em agosto, queda de 9%. O conteúdo respondeu por US$ 3,78 bilhões, recuo de 10%; os acessórios somaram US$ 176 milhões, alta de 3%. Jogos de PC cresceram 13% e assinaturas avançaram 3%, enquanto o consumo de jogos para consoles caiu 7% e o segmento mobile recuou 18%.
O retrato não é simplesmente o de pessoas abandonando videogames. O gasto migra entre plataformas e modelos de negócio. O custo do hardware, por sua vez, torna a troca de geração mais difícil, especialmente quando os consoles atuais continuam recebendo jogos e atualizações.
E o Brasil? O que podemos afirmar com segurança
Não existe nesse relatório da Circana uma contagem equivalente de consoles vendidos no Brasil em agosto de 2026. Portanto, seria incorreto transportar os 559 mil aparelhos ou os percentuais americanos para o nosso mercado. A Pesquisa Game Brasil 2026, porém, oferece contexto sobre o público nacional: 75,3% dos entrevistados declararam consumir jogos digitais, ante 82,8% na edição anterior. A pesquisa ouviu 7.115 pessoas entre 16 e 55 anos, de 5 a 13 de março.
A mesma pesquisa aponta que 86,7% dos entrevistados consideram games uma das principais formas de entretenimento. Isso mostra uma audiência relevante, mas não informa a quantidade de PS5, Xbox Series ou Switch 2 vendida no país. São indicadores diferentes e não podem ser usados como substitutos.
Para os brasileiros, a discussão sobre preços é ainda mais sensível: impostos, câmbio, importação e poder de compra influenciam o custo final de cada console. A queda americana não prova que as vendas brasileiras estejam caindo na mesma proporção. Ela sinaliza, contudo, um desafio internacional: conquistar compradores novos quando a entrada no ecossistema exige investimento cada vez maior.
O que esperar
O Switch 2 lidera um mercado em retração, enquanto o PS5 transforma menos unidades em mais receita e o Xbox enfrenta a queda mais acentuada em volume. A evolução dos próximos meses mostrará se os grandes lançamentos conseguem reaquecer a demanda ou se os preços continuarão limitando as vendas. Para entender o cenário brasileiro com a mesma precisão, serão necessários dados locais de varejo, e não extrapolações do relatório americano.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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