Em The Blood of Dawnwalker, o herói é frágil de dia de propósito: "não queríamos um protagonista superpoderoso"
Konrad Tomaszkiewicz explicou por que Coen perde os poderes vampíricos com o sol alto e fica fácil de matar. A decisão não é de dificuldade, é de narrativa, e muda o jeito de jogar a cada nascer do sol.
Por Bruno Vazquez · 19 ago 2026 · 17:10 · 4 min de leitura

📷 Coen é meio humano, meio vampiro, e isso pesa dos dois lados. Divulgação/Rebel Wolves
Quase todo RPG de fantasia trabalha na mesma direção: você começa fraco e termina capaz de derrubar exército. The Blood of Dawnwalker resolveu fazer isso duas vezes por dia, e ao contrário.
Em entrevista à revista Edge, o diretor Konrad Tomaszkiewicz confirmou que o protagonista Coen vai ser, nas palavras dele, bem fácil de matar durante boa parte do jogo. Por ser um híbrido de humano e vampiro, ele perde a maioria dos poderes vampíricos enquanto o sol está alto. Quando anoitece, vira vampiro de verdade e recupera tudo.
A razão não é dificuldade, é história
Esse é o ponto que separa a declaração de uma escolha de balanceamento qualquer. Tomaszkiewicz disse que isso foi importante para o estúdio porque eles não queriam criar um protagonista superpoderoso, já que isso dificulta contar histórias. A equipe queria alguém que pudesse se machucar e morrer, porque esse risco importa.
É um raciocínio que qualquer roteirista reconhece. Personagem invencível mata a tensão: se nada pode dar errado, nenhuma cena tem peso. O Coen frágil de dia é a forma de manter a ameaça viva num jogo em que, à noite, você é literalmente o monstro.
O que isso faz com a jogabilidade
Na prática, o jogo passa a ter dois personagens no mesmo corpo, e o relógio decide qual deles você é.
De dia, você joga na defensiva: menos poder, mais cautela, provavelmente mais uso de furtividade, diálogo e preparação. De noite, você joga na ofensiva. Isso transforma a decisão de quando fazer cada coisa numa mecânica de verdade. Aquela missão perigosa você resolve esperar escurecer? E se a missão só puder ser feita de dia?
Vale lembrar que o jogo já vinha se apresentando como uma aventura sem estrutura de missão tradicional, em que o tempo é recurso. A fragilidade diurna encaixa nisso como luva.
A missão completa que o estúdio mostrou em julho
Quem está por trás
O Tomaszkiewicz não é nome qualquer nessa conversa: ele dirigiu The Witcher 3 na CD Projekt Red antes de fundar a Rebel Wolves. Boa parte do estúdio veio do mesmo lugar. Quando alguém desse currículo diz que protagonista poderoso demais atrapalha contar história, é uma opinião com quilometragem.
The Blood of Dawnwalker chega em 3 de setembro para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. O jogo já atingiu o status Gold, ou seja, está finalizado e pronto para fabricação, e o estúdio confirmou que os saves poderão ser transferidos para futuras sequências.
Faltam duas semanas. E, das promessas que o jogo fez até agora, essa é a que eu mais quero ver funcionando: um herói que precisa ter medo do próprio relógio.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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Com informações de: Edge Magazine, em entrevista com Konrad Tomaszkiewicz