Sindicato se reúne com Rockstar pela primeira vez e chama conversa sobre crunch de 'passo na direção certa'
Depois de denunciar que horas extras estão embutidas nos contratos dos devs de GTA 6, o sindicato britânico IWGB diz que o primeiro encontro com a gestão da Rockstar foi positivo — mas a luta está longe de acabar.
Por Bruno Vazquez · 23 jul 2026 · 08:47 · 4 min de leitura
📷 Reprodução/GamesRadar+
O IWGB Game Workers — sindicato britânico que representa trabalhadores do setor de games no Reino Unido — divulgou nesta quinta-feira (23) que realizou sua primeira reunião formal com a gestão da Rockstar Games para discutir as condições de trabalho na empresa, especialmente o crunch (aquelas semanas intermináveis de horas extras que viram rotina perto do lançamento de um jogo grande). A organização classificou o encontro como 'um passo na direção certa', segundo reportagem do GamesRadar+.
O contexto, pra quem chegou agora: há algumas semanas, o mesmo sindicato havia feito uma denúncia pesada, afirmando que funcionários envolvidos no desenvolvimento de GTA 6 têm o crunch literalmente embutido nos contratos — ou seja, não é um favor que a empresa pede em momentos de aperto, é uma obrigação prevista em papel assinado. Isso é diferente de qualquer estúdio que pratique horas extras de forma informal. É crunch institucionalizado. E com um jogo do porte de GTA 6 a caminho, a pressão sobre esses trabalhadores é proporcional às expectativas absurdas que o mundo tem pelo título.
Sobre o que foi discutido no encontro, o IWGB usou uma frase que diz bastante sem dizer muito: 'fomos capazes de argumentar que as vozes dos trabalhadores precisam ser ouvidas'. É diplomatese sindical, mas o tom positivo — chamando de 'passo na direção certa' — indica que pelo menos a Rockstar concordou em sentar à mesa, o que já não era garantido. Reunião com gestão de empresa que não reconhece sindicato formalmente é sempre uma vitória inicial, ainda que simbólica.
Vale lembrar que a Rockstar tem um histórico pesado quando o assunto é cultura de trabalho. Em 2018, o co-fundador Dan Houser chegou a dizer, numa entrevista, que a equipe trabalhava 100 horas por semana durante o desenvolvimento de Red Dead Redemption 2 — e fez isso soar quase como orgulho. A declaração gerou uma reação enorme da indústria e acelerou conversas sobre sindicalização no setor de games mundo afora. O que o IWGB está fazendo agora é o desdobramento direto daquele momento.
O que a Rockstar disse oficialmente sobre a reunião? Até o fechamento desta matéria, a empresa não havia se pronunciado publicamente, de acordo com a cobertura do GamesRadar+. Silêncio que pode ser estratégia, pode ser cautela — mas que os trabalhadores e o sindicato certamente estão monitorando de perto. GTA 6 está previsto para 2026, e quanto mais a data se aproxima, mais a pressão sobre a equipe tende a crescer. Se o crunch está no contrato agora, imagine como ficará nos meses finais de produção.
Primeira reunião feita. A Rockstar ouviu — pelo menos dessa vez. Mas entre ouvir e mudar contratos que colocam horas extras como obrigação existe uma distância do tamanho de Los Santos. A torcida é que o sindicato continue pressionando e que a indústria como um todo entenda o recado: jogo nenhum, nem GTA 6, vale destruir a saúde de quem o faz.
Com informações de: GamesRadar+