As caçadas de Monster Hunter sobreviveram: Peace Walker mantém a parceria com a Capcom na Master Collection Vol. 2
A lista de troféus da coletânea vazou o que a comunidade queria ouvir há meses: as missões contra Rathalos, Tigrex e Gear REX continuam no jogo. E o troféu de recrutar o Hideo Kojima também.
Por Bruno Vazquez · 12 ago 2026 · 11:10 · 4 min de leitura

📷 A parceria que juntou Big Boss e a fauna da Capcom em 2010. Reprodução/Konami
Playa del Alba, 1974. Você entra na Extra Ops 29 só pra pegar um contêiner, resolve descer até o píer antes da extração e o Miller avisa pelo rádio que tem um bicho estranho ali. O bicho é um gato falante de chapéu. E é ele quem abre a porta pra uma das coisas mais deliciosamente sem sentido que a Konami já colocou num Metal Gear.
Pois essa porta continua aberta. Segundo o perfil brasileiro Ludens, em publicação conjunta com o Revil BR, a lista de troféus de Metal Gear Solid: Peace Walker na Master Collection Vol. 2 confirma que os conteúdos da colaboração com Monster Hunter seguem no jogo — as missões de caça incluídas. A coletânea chega em 27 de agosto.
Por que a comunidade estava com o coração na mão
Quem acompanha relançamento sabe que conteúdo licenciado de outra empresa é sempre a primeira peça a cair. Aquelas missões não são da Konami: nasceram de um acordo com a Capcom, feito em 2010, quando Monster Hunter era o fenômeno absoluto do Japão portátil. Renovar uma parceria de dezesseis anos atrás, com duas gigantes envolvidas e advogados no meio, dá trabalho — e a saída mais barata seria simplesmente apagar tudo e não falar no assunto.
Não foi o que aconteceu. E a confirmação veio pelo caminho mais improvável e mais confiável que existe: a lista de troféus, que ninguém publica sem o conteúdo estar lá dentro.

O que são as missões de caça, pra quem nunca chegou lá
Depois de destravar o acesso com o gato lá da praia, o Peace Walker abre um punhado de missões numa área chamada Isla del Monstruo, onde o Big Boss encara três alvos: o Rathalos e o Tigrex, emprestados diretamente do Monster Hunter Freedom 2, e o Gear REX. Esse terceiro é o detalhe que quase ninguém sabe — o Gear REX não pertence à Capcom. Foi criado pelo próprio time do Metal Gear pra essa colaboração e nunca apareceu em nenhum jogo da série Monster Hunter.
Na prática é o Snake trocando o soldado raso pelo dragão. Mesma engrenagem de gerenciamento de recursos, mesma logística de armamento, mesmo Fulton — só que o alvo agora tem asas e cospe fogo. Funciona muito melhor do que tem direito de funcionar.
E a via era de mão dupla: do outro lado da parceria, em Monster Hunter Portable 3rd, uma missão de download liberava o material pra forjar uma armadura com a cara do Snake. Os dois lados se homenagearam, cada um dentro do próprio jogo. Coisa que praticamente não se vê mais hoje, na era do crossover que é só uma skin de loja.

O troféu do Kojima também está lá
A lista traz ainda outras conquistas ligadas a conteúdos específicos do jogo, e a mais saborosa delas é a de recrutar o Hideo Kojima. Não é figura de linguagem: o criador da série aparece como soldado recrutável, escondido num caminhão da Crater Base. A placa é 63824 — que são os números da data de nascimento dele, 24 de agosto de 1963, na ordem japonesa de ano, mês e dia. O tipo de piada interna que o Kojima planta e leva quinze anos pra todo mundo entender.
O que já sabíamos sobre o pacote
A Master Collection Vol. 2 sai em 27 de agosto de 2026 para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch, Switch 2 e PC, reunindo Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, o Peace Walker e o spin-off Metal Gear: Ghost Babel. O modo cooperativo online do Peace Walker foi preservado, com campanha em dupla, missões pra até quatro jogadores e o Versus Ops pra seis.
Konami confirma legendas em português para a coletânea
Sobre o português, o que vale é o que a própria Konami disse: as legendas em PT-BR estão confirmadas, mas a empresa pediu atenção aos avisos sobre QUANDO o suporte ao idioma vai estar disponível. Ou seja, ainda não há garantia de que elas chegam no dia 27 junto com o jogo. A gente segue de olho.
Tudo que a Konami acertou (e o que ainda dói) no Vol. 2
Pra mim, essa notícia vale mais do que o tamanho dela sugere. As missões de caça não mudam a história do Peace Walker, não afetam a campanha, não estão na linha do tempo. São puro excesso — daquele excesso que só existia quando um estúdio tinha liberdade pra fazer uma bobagem gloriosa porque achava divertido. Manter isso vivo num relançamento, com todo o trabalho contratual que dá, é a Konami dizendo que entendeu o que aquele jogo é.
Agora só falta o gato aparecer no píer de novo.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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Com informações de: Ludens Brasil (@ludensbrasil, em publicação conjunta com o Revil BR)