Nintendo coloca Brasil entre os 10 maiores mercados de games do mundo e reforça planos para o país
Na BGS 2026, Devon Pritchard, presidente da Nintendo of America, reconheceu o peso do Brasil no mercado mundial e falou sobre Switch 2, expansão e jogos em português.
Por Bruno Vazquez · 10 out 2026 · 15:00 · 5 min de leitura
📷 Nintendo / Divulgação
O Brasil ocupa um lugar de destaque nos planos da Nintendo. Durante a Brasil Game Show 2026, em São Paulo, Devon Pritchard, presidente da Nintendo of America, apontou o país como um dos dez principais mercados de jogos eletrônicos do mundo e ressaltou a importância da comunidade brasileira para o crescimento da marca nas Américas.
Em entrevista à VEJA, durante sua primeira visita ao país, a executiva afirmou que a Nintendo vem construindo sua presença por aqui ao longo dos últimos seis anos. O entusiasmo dos jogadores, segundo ela, ajuda a explicar por que a companhia vê espaço para ampliar experiências e fortalecer o relacionamento com os consumidores nacionais.
O Brasil é importante, mas o que exatamente significa estar no top 10?
Há uma distinção importante na declaração: Pritchard citou o Brasil entre os dez principais países do mercado global de videogames. Ela não afirmou que o país figura entre os dez maiores mercados da própria Nintendo em faturamento nem divulgou números de vendas ou uma posição específica no ranking.
Mesmo com essa ressalva, a fala da presidente tem peso estratégico. O mercado brasileiro costuma enfrentar obstáculos como preços elevados e variações cambiais, mas mantém uma comunidade ativa, que acompanha anúncios, cobra localização e participa das principais feiras da indústria.
Uma aproximação construída ao longo de seis anos
A relação entre Nintendo e jogadores brasileiros mudou nos últimos anos, com uma presença maior de produtos e jogos localizados para o português. Na avaliação de Pritchard, porém, esse processo ainda está no início. A executiva disse que sua passagem pelo Brasil também serve para conhecer melhor o público e entender como a liderança pode apoiar a equipe responsável pela América Latina.
Não se trata apenas de vender mais aparelhos. Conquistar espaço num mercado diverso como o brasileiro exige presença contínua, compreensão dos hábitos locais e uma oferta de jogos que converse com diferentes públicos. A Nintendo procura aprofundar justamente essa conexão.
Nintendo Switch 2 no centro da estratégia
O Switch 2 aparece como uma peça central dos próximos passos. Pritchard destacou a recepção ao console e afirmou que a prioridade agora é fortalecer a plataforma com jogos próprios e lançamentos de estúdios parceiros. Uma das iniciativas lembradas na entrevista foi o pacote do Switch 2 com EA Sports FC 27, uma associação especialmente relevante num país em que futebol e videogames frequentemente caminham juntos.
A própria Brasil Game Show é uma vitrine dessa estratégia. Em 2026, a Nintendo ocupa um espaço de cerca de mil metros quadrados, com demonstrações do Switch 2 e de títulos ainda não lançados. A aproximação com o público acontece, portanto, tanto na oferta comercial quanto na oportunidade de experimentar novidades presencialmente.
Jogos em português ainda são parte do desafio
A entrevista também abordou uma demanda antiga dos fãs: a localização para o português brasileiro. De acordo com Pritchard, cerca de dois terços dos jogos desenvolvidos pela própria Nintendo desde a chegada do Switch 2 receberam localização em português. Ela reconheceu, no entanto, que há espaço para avançar.
Esse reconhecimento importa porque nem todos os grandes lançamentos oferecem o idioma. Para parte da comunidade, tradução e dublagem não são detalhes adicionais, mas condições que tornam experiências mais acessíveis. A ampliação do suporte ao português será um dos indicadores concretos da atenção que a Nintendo pretende dar ao Brasil.
Reconhecimento agora precisa se transformar em resultados
A visita da presidente e sua avaliação positiva do mercado brasileiro são sinais de interesse, mas não equivalem a anúncios de redução de preços, novos investimentos específicos ou alterações na política de distribuição. Nenhuma dessas medidas foi confirmada na entrevista.
Para os jogadores, o que vem a seguir será mais importante do que qualquer posição em ranking: lançamentos disponíveis no país, produtos com oferta consistente e mais jogos acessíveis em português. A Nintendo já reconhece a dimensão do Brasil. O próximo capítulo dessa relação dependerá de como a empresa transforma essa percepção em ações duradouras.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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