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Black Myth: Zhong Kui mostra 15 minutos de jogo e troca o bastão do Wukong pela espada

Um ano depois de anunciar o sucessor de Wukong com uma animação e nenhuma jogabilidade, a Game Science cumpriu a tradição de 20 de agosto e soltou o vídeo. O combate é mais lento, apoiado em defesa e aparo, e não tem data nem plataformas confirmadas.

Por · 20 ago 2026 · 09:00 · 5 min de leitura

📷 O novo protagonista da série troca o bastão pela espada. Divulgação/Game Science

A Game Science tem um ritual: todo 20 de agosto ela para e presta contas aos jogadores sobre o que está fazendo. No ano passado, a data caiu num momento constrangedor. O estúdio tinha acabado de anunciar Black Myth: Zhong Kui na Gamescom e admitiu, com todas as letras, que o projeto era pouco mais que uma pasta vazia, sem nenhuma jogabilidade para mostrar.

Hoje, exatamente um ano depois, a pasta encheu. São 15 minutos de vídeo capturados direto do jogo.

Um herói diferente exige um combate diferente

A mudança que salta aos olhos é a arma. O Wukong lutava com bastão, transformação e acrobacia, num combate que premiava movimento constante. O Zhong Kui é um magistrado caçador de demônios do folclore chinês, e ele luta com espada.

Isso muda o ritmo inteiro. O que o vídeo mostra é um combate mais lento e mais pé no chão, construído em torno de bloquear e aparar em vez de rolar pra fora do golpe o tempo todo. Quem esperava Wukong com roupa nova vai precisar reaprender a jogar.

Um detalhe que a imprensa internacional reparou e que vale registrar: ao longo de vários minutos de luta, nenhuma animação de finalização se repetiu. Ou o estúdio programou uma quantidade absurda delas, ou existe algum sistema gerando variação. A Game Science não explicou qual das duas.

O que aparece no vídeo

O material passeia por mata aberta, uma caverna e a travessia de um rio antes de engatar nas sequências longas de combate, contra inimigos humanos, animais e um chefe no fim.

Tem cena que não é briga, e são as mais curiosas. O protagonista toca música tradicional chinesa junto com um conjunto, uma mulher passa maquiagem no rosto de um homem, aparece o que parece ser uma atividade de captura de espíritos, criaturas com forma de cogumelo andando por aí e um espírito pequeno tomando banho dentro de um caldeirão fervendo.

Tem também um momento que ninguém entendeu: no meio de uma luta contra uma criatura com asas de concha, o controle parece passar para uma segunda figura encapuzada, empunhando uma espada reta chinesa, e depois volta ao protagonista. A Game Science não explicou quem é esse segundo espadachim.

E o vídeo fecha com uma figura, provavelmente o próprio Zhong Kui, cavalgando um bicho parecido com um tigre pela paisagem.

As ressalvas, que são grandes

Aqui é onde a empolgação precisa de freio. O próprio estúdio avisa que o jogo está em fase inicial de produção, que tudo foi gravado numa versão em desenvolvimento, e que visual e sistemas podem mudar até a versão final. No material oficial, a empresa reconhece que parte do que está sendo mostrado ainda é experimental.

E o mais importante para quem já estava fazendo planos: não há data de lançamento, nem janela, nem lista de plataformas. O que a Game Science diz é que o jogo sai para PC e para os principais consoles, sem especificar quais.

O que dá pra concluir

Duas coisas boas e uma cautela.

A primeira coisa boa é que o estúdio manteve o formato: continua sendo um RPG de ação para um jogador, com o mesmo modelo de negócio do anterior. Numa indústria correndo para transformar todo sucesso em serviço com temporada e passe de batalha, a Game Science está repetindo a fórmula que funcionou, que é vender um jogo completo uma vez.

A segunda é que visualmente o salto é visível em relação ao Wukong, com mais detalhe de cenário e iluminação mais complexa.

A cautela é o calendário. Um estúdio que há um ano tinha uma pasta vazia e hoje tem 15 minutos gravados fez progresso real, mas 15 minutos de vídeo não são um jogo pronto. Sem data anunciada e com o próprio estúdio dizendo que está em produção inicial, a espera ainda vai ser longa.

O que dá pra fazer é o que a Game Science pediu no ano passado: deixar o pessoal se impressionar consigo mesmo antes de servir o prato. Até aqui, está indo bem.

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

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Com informações de: Game Science (canal oficial Black Myth)

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