Tsuru Reef é o maior mapa de Battlefield 6 — e pode ser aquele que você nunca joga de novo
A Temporada 4 de BF6 chega com o mapa mais ambicioso do jogo, cheio de combate naval, jatos e nove pontos de captura. Mas uma prévia da Eurogamer levanta uma dúvida honesta: grandioso não é o mesmo que favorito.
Por Bruno Vazquez · 20 jul 2026 · 23:02 · 5 min de leitura
📷 Reprodução/Eurogamer
A Temporada 4 de Battlefield 6 chega oficialmente nesta terça-feira, 22 de julho, trazendo Tsuru Reef — o mapa mais extenso que o jogo já teve. Nove pontos de captura, combate terrestre, aéreo e naval integrados num único cenário, veículos de praticamente todo tipo que existe no jogo e ondas no mar sincronizadas com o servidor (homenagem direta ao clássico BF4). No papel, é exatamente o mapa que a franquia precisava. Na prática? A Eurogamer passou três horas testando numa prévia e deixou um alerta que vale a pena levar a sério.
O jornalista Ed Nightingale, do site britânico, comparou Tsuru Reef àquele prato do cardápio que você sempre pensa em pedir mas acaba voltando pro de sempre. A metáfora é certeira. O mapa foi claramente projetado pra ser a vitrine do multiplayer de BF6 — aquela coisa que você mostra pra um amigo que nunca jogou Battlefield pra convencê-lo a entrar. E como vitrine, funciona: jatos cruzando o céu enquanto helicópteros de transporte despejam jogadores sobre pontos de captura, um tanque avançando pela estrada enquanto um barco encosta na praia. É Battlefield na essência. O problema é que o que impressiona numa primeira visita pode não ser o que te faz voltar toda semana.
O elogio mais genuíno da prévia vai pras asas aéreas e navais. A escala do mapa dá espaço real pra jatos e helicópteros respirarem — cada equipe começa com dois helicópteros de transporte, o que faz todo sentido quando você precisa cruzar distâncias assim. Já os barcos trazem de volta as ondas sincronizadas de BF4, que deixam as águas com movimento de verdade e criam esconderijos tanto pra veículos quanto pra infantaria. A Battlefield Studios claramente fez o dever de casa no combate naval. Só que tem um porém: Tsuru Reef é o único mapa do jogo com essa mecânica até agora, o que torna difícil avaliar se os problemas percebidos são do design do mapa ou do combate naval em si. A principal reclamação é sobre morteiros montados em barcos — você ancora numa posição de difícil acesso e bombardeia o mesmo ponto por minutos a fio, esperando alguém te tirar de lá. Aborrecimento com prazo de validade longo.
Na infantaria, a novidade mais impactante não é o mapa em si, mas uma atualização de jogabilidade recente que tornou as armas menos precisas em distâncias longas, exigindo que os jogadores controlem melhor o ritmo dos disparos. Segundo a Eurogamer, essa mudança foi bem-vinda justamente num mapa do tamanho de Tsuru Reef — com o sistema antigo, cruzar áreas abertas seria frustrante demais. Entre as três armas novas da temporada, o destaque vai pro Bren 3 Carbine e pro VSSM, especialmente com o mod de tiro automático (caro, mas divertido). A ressalva é que as duas provavelmente vão brilhar mais em outros mapas do que nesse.
E aí chegamos no ponto mais curioso da análise. O mapa é grande o suficiente pra todo tipo de combate, mas o design ainda segue a filosofia que a BF Studios vem aplicando desde o lançamento: cada área tem refúgio pra quem não quer lidar com veículos. Isso é confortável, mas enfraquece a pressão que veículos deveriam exercer nas áreas abertas. Pelotões ficaram confortavelmente presos nos dois pontos que combinavam com o estilo deles. Atiradores de elite se entocaram nas montanhas, aproveitando as sombras pesadas do terreno. O mapa é grande, mas o jogo aconteceu em ilhas separadas dentro dele.
Vale lembrar que esse cenário vem depois de um ciclo importante: o remake de Golmud (de BF4), lançado na Temporada 3, fez sucesso exatamente porque mostrou que a comunidade tinha fome de mapas maiores. Tsuru Reef é a resposta da BF Studios a esse apetite — e, segundo a Eurogamer, foi desenvolvido em paralelo enquanto o Golmud já estava rodando. É o tipo de aposta que o estúdio faz quando quer provar alguma coisa. Que tenha dado certo como experiência pontual, não se discute. Que vá dominar a rotação de mapas, isso é uma outra conversa.
Tsuru Reef parece ser um mapa essencial pra Battlefield 6 existir como produto completo — aquele cenário que prova que o jogo tem escala e ambição de sobra. Mas os mapas que a gente realmente joga de novo e de novo costumam ser os que oferecem momentos inesperados a cada partida, não os que impressionam pela vastidão. Talvez o combate naval ganhe mais personalidade quando outros mapas entrarem nessa brincadeira. Até lá, Tsuru Reef vai ser aquela ótima opção que a galera vai curtir de vez em quando — e não tem nada de errado nisso.
Com informações de: Eurogamer