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Os 10 maiores pais dos videogames

Do amor torto de Joel por Ellie à segunda chance de Kratos com Atreus: selecionamos dez personagens que mostraram que, nos games, ser pai vai muito além do sangue.

Por · 09 ago 2026 · 12:40 · 12 min de leitura

📷 The Last of Us / Naughty Dog

Ser pai nos videogames nunca significou apenas compartilhar o mesmo sangue. Alguns dos personagens mais marcantes da história dos jogos se tornaram pais porque escolheram criar, proteger, ensinar e permanecer. Há pais biológicos, adotivos e homens que encontraram numa criança uma segunda chance de formar uma família — às vezes depois de perder a primeira.

Por isso, esta lista do Acerto Games não procura o personagem mais poderoso nem o pai perfeito. O que pesa aqui é a força da relação construída pelos jogos, o quanto a paternidade transforma o personagem e o impacto que essa relação teve em quem estava com o controle nas mãos.

**Aviso:** a lista contém spoilers importantes de The Last of Us, God of War, Red Dead Redemption, Resident Evil Village e outros jogos.

10. Bowser — Super Mario

📷 Bowser e Bowser Jr.

Ele sequestra Peach, enfrenta Mario há décadas e definitivamente não receberia prêmio por bom comportamento. Mas Bowser tem um ponto surpreendentemente humano: Bowser Jr. Ao lado do filho, o Rei dos Koopas deixa aparecer uma relação genuinamente paternal. É protetor, inclui o garoto em seus planos e, do jeito torto de Bowser, demonstra orgulho dele. Abrir a lista com um vilão também ajuda a lembrar que paternidade nos games aparece nos lugares mais improváveis.

9. Geralt de Rívia — The Witcher

📷 Geralt e Ciri em The Witcher 3

Ciri não é filha biológica de Geralt. E isso pouco importa. The Witcher 3 transforma a procura por Ciri em uma das grandes jornadas paternas dos videogames. Geralt ensina, protege, se preocupa e, principalmente, precisa aprender que amar uma filha também significa permitir que ela faça as próprias escolhas. A relação entre os dois é um dos melhores exemplos de que família pode ser construída.

8. Barret Wallace — Final Fantasy VII

📷 Barret e Marlene em Final Fantasy VII Remake

Marlene é filha biológica de Dyne, mas é Barret quem assume sua criação. O contraste é maravilhoso: o homem gigantesco, explosivo e com uma arma no lugar do braço muda completamente diante da menina. Sua luta por um planeta melhor deixa de ser apenas ideológica quando entendemos que ele também está pensando no mundo que Marlene vai herdar.

7. Harry Mason — Silent Hill

📷 Harry Mason e Heather em Silent Hill 3

Harry é uma escolha que resume a proposta desta lista. Cheryl foi adotada por Harry e sua esposa, mas isso nunca torna o vínculo menos real. No primeiro Silent Hill, ele entra em uma cidade que parece saída do pior pesadelo possível porque sua filha desapareceu. Mais tarde, sua relação com Heather reforça ainda mais o papel de Harry como alguém cuja vida foi definida pela decisão de proteger e criar uma filha.

6. Kazuma Kiryu — Yakuza / Like a Dragon

📷 Haruka ao lado de Kazuma Kiryu

Kiryu talvez seja uma das figuras paternas mais completas desta seleção justamente porque sua paternidade vai muito além de sangue. Sua relação com Haruka cresce ao longo da série até assumir claramente um caráter de pai e filha. Depois, o orfanato Morning Glory amplia isso: o Dragão de Dojima, temido nas ruas, encontra propósito cuidando de crianças e tentando oferecer a elas uma vida distante do mundo que o formou.

5. Ethan Winters — Resident Evil

📷 Ethan Winters e Rose em Resident Evil Village

Resident Evil Village é, no fundo, a história de um pai indo até o fim do mundo pela filha. Rose é arrancada de Ethan, e ele atravessa uma vila infestada de horrores, enfrenta criaturas absurdas e suporta coisas que fariam qualquer pessoa desistir. Quando entendemos o tamanho de seu sacrifício, Village deixa de ser apenas uma história de terror e passa a ser também uma história sobre amor paterno.

4. Lee Everett — The Walking Dead

📷 Lee Everett e Clementine

Lee não é pai de Clementine. Ele simplesmente decide que aquela menina não ficará sozinha. Em um mundo que está desmoronando, ele ensina Clementine a sobreviver, tomar decisões e continuar quando ele já não puder estar ao lado dela. A despedida dos dois permanece entre as cenas mais dolorosas dos videogames porque, quando chega aquele momento, ninguém está pensando em laços sanguíneos. Para Clementine — e para quem jogou — Lee já era seu pai.

3. John Marston — Red Dead Redemption

📷 John e Jack Marston

John Marston passou boa parte da vida sendo exatamente o tipo de homem que não queria que o filho se tornasse. Red Dead Redemption ganha força porque sua busca por liberdade não é apenas pessoal: John quer voltar para Abigail e Jack e dar à família a possibilidade de viver longe da violência da gangue Van der Linde.

O relacionamento com Jack está longe de ser perfeito. John perdeu anos da infância do filho e nem sempre sabe como se aproximar dele. Justamente por isso funciona. Ele tenta recuperar o tempo perdido, ensinar o garoto e construir uma vida normal em Beecher's Hope. A tragédia é que John sacrifica tudo para interromper aquele ciclo, mas Jack acaba seguindo exatamente o caminho de violência que o pai tentou evitar.

2. Kratos — God of War

📷 Kratos e Atreus em God of War Ragnarök

Quando God of War reapresentou Kratos como pai de Atreus, a franquia encontrou uma nova maneira de olhar para um personagem que durante anos foi definido pela raiva. Só que Atreus não é sua primeira experiência como pai. Antes dele existiu Calliope, filha de Kratos com Lysandra. Kratos perdeu as duas de forma brutal — e carrega a responsabilidade e a culpa dessa tragédia por toda a vida.

Depois, já no mundo nórdico, ele constrói uma nova família com Faye e Atreus. E perde novamente a mulher que ama. God of War de 2018 começa justamente depois da morte de Faye, colocando pai e filho numa jornada para cumprir seu último desejo. Kratos precisa aprender algo muito mais difícil do que matar deuses: precisa conversar, ensinar, demonstrar afeto e permitir que o filho seja diferente dele.

É por isso que a relação com Atreus funciona tão bem. Kratos não está apenas criando um filho. Está tentando quebrar um ciclo. Depois de perder Calliope, Lysandra e Faye, proteger Atreus significa provar a si mesmo que sua história não precisa terminar sempre em destruição.

1. Joel Miller — The Last of Us

📷 Joel e Ellie em The Last of Us

Antes de Ellie, existiu Sarah. E sem Sarah é impossível entender Joel. Nas primeiras horas do surto, Joel perde sua filha nos braços. Aquela morte não funciona apenas como prólogo: ela explica o homem emocionalmente fechado que encontramos vinte anos depois. Joel sobreviveu ao apocalipse, mas uma parte dele ficou naquela noite.

Então aparece Ellie. No começo, ela é carga. Uma missão. Alguém que ele precisa levar de um ponto a outro. Aos poucos, porém, a relação atravessa exatamente as barreiras que Joel passou duas décadas construindo. A própria Naughty Dog descreve a jornada dos dois como a transformação de estranhos em uma família substituta. Ellie não toma o lugar de Sarah — e essa diferença é fundamental. Ela faz Joel perceber que ainda é capaz de amar alguém como filha.

Isso também torna Joel a escolha mais complexa desta lista. Seu amor por Ellie não o transforma automaticamente em herói. Pelo contrário: no hospital dos Vaga-Lumes, sua decisão de salvá-la coloca o amor paterno acima de qualquer possível consequência para o restante da humanidade. Podemos discutir por anos se ele estava certo ou errado. O que não dá para discutir é o motivo.

Joel ocupa o primeiro lugar porque The Last of Us constrói sua paternidade a partir de duas experiências opostas: perder uma filha e escolher amar outra. Sarah explica o trauma; Ellie revela que ele ainda consegue formar uma família. É bonito, egoísta, humano e moralmente desconfortável — exatamente por isso continua sendo uma das representações de paternidade mais poderosas que os videogames já produziram.

Pai é quem fica

Talvez seja isso que una personagens tão diferentes. Joel, Geralt, Lee, Barret, Kiryu e Harry mostram que sangue não determina sozinho quem é pai. Kratos, John e Ethan mostram homens tentando proteger os filhos enquanto carregam erros, perdas e mundos violentos nas costas. Até Bowser encontra espaço para ser pai no meio de seus planos para dominar o Reino Cogumelo.

Os videogames conseguem fazer algo especial com essas relações porque não apenas assistimos a esses pais: caminhamos com eles. Protegemos, ensinamos, falhamos e tomamos decisões ao lado deles. E, quando um jogo acerta essa relação, o personagem deixa de ser apenas o herói da história. Ele vira pai.

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

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Com informações de: Acerto Games

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