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Miyamoto revela: The Legend of Zelda nasceu inspirado nos RPGs de PC ocidentais

Numa entrevista à Famitsu, o criador da Nintendo conta que se espelhou em RPGs oitentistas de PC — quase desconhecidos no Japão da época — pra inventar Hyrule. O objetivo? Fazer um jogo não-linear com o revolucionário recurso de salvar o progresso.

Por Bruno Vazquez · 29 jul 2026 · 10:30 · 3 min de leitura

📷 Reprodução/Nintendo

Toda lenda tem uma origem — e a de The Legend of Zelda passa por um lugar que talvez você não imaginasse: os RPGs de computador ocidentais dos anos 1980. Numa entrevista recente à Famitsu, Shigeru Miyamoto abriu o baú da memória e contou como aquelas aventuras estrangeiras, praticamente desconhecidas no Japão da época, plantaram a semente da jornada do Link por Hyrule.

A missão: fugir do jogo linear

Miyamoto explicou que, no começo do Famicom (o NES japonês), a Nintendo tinha jogos de fliperama e de esporte — mas queria fisgar um público muito maior. E, pra isso, precisava inventar tipos novos de jogo. Segundo ele, a ideia era criar algo diferente, em que você não avançasse em linha reta até o objetivo, como acontecia na maioria dos títulos da época.

Pra entender o tamanho da sacada: naquele tempo, quase todo jogo era focado em fazer pontuação alta e não guardava seu progresso. Em jogos mais longos, como Super Mario Bros., existiam gambiarras engenhosas pra 'avançar' — sistemas de senha, seleção de fase, ou até os canos de warp secretos do Mario. Salvar o jogo de verdade era luxo raro.

O Disk System entra na história

E é aqui que entra uma peça curiosa do quebra-cabeça: o Famicom Disk System. Miyamoto queria muito um jogo em que o personagem fosse o centro de tudo e que aproveitasse dados de save. Foi com esse desafio em mente que a Nintendo criou o Disk System — um acessório japonês que rodava jogos via disquetes regraváveis, permitindo guardar o progresso. (Curiosidade triste: esse hardware nunca chegou ao Ocidente.) Só depois de resolver essa questão técnica é que a equipe começou a pensar no design do jogo em si.

📷 Shigeru Miyamoto, criador de Zelda e Mario. Reprodução/Nintendo

O olho no Ocidente

O ponto mais interessante é de onde veio a referência. Desde o início dos anos 80, RPGs enormes de PC, como a série Wizardry, faziam sucesso lá fora — mas eram raríssimos no Japão, onde os jogadores estavam concentrados no mercado local. Segundo Miyamoto, a Nintendo pegou a tecnologia que já tinha desenvolvido, juntou os elementos mais interessantes desses jogos estrangeiros e recriou tudo pra funcionar no Famicom. 'Foi assim que cheguei a um design parecido pra The Legend of Zelda', resume ele.

Por que isso importa até hoje

É fascinante pensar que uma das franquias mais japonesas e influentes da história começou olhando pra fora — pegando a essência dos RPGs ocidentais e traduzindo pra uma linguagem própria, com exploração não-linear e mundo aberto antes de a expressão 'mundo aberto' virar moda. Zelda basicamente pegou ideias que existiam e as reinventou tão bem que virou referência mundial. Da próxima vez que você abrir um baú no Breath of the Wild, lembra: aquilo começou com uns disquetes e uma boa dose de inspiração importada.

Você imaginava que Zelda tinha DNA de RPG de PC? Comenta aí embaixo.

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Com informações de: Famitsu (via GamesRadar+)

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