Obscurium, roguelike de cartas com o folclore brasileiro, ganha demo gratuita no Steam
Capelobo, Pisadeira e Caboclo d'Água viram chefes no jogo da Wild Pepper Games, que mistura sacrifício de cartas, arte de cordel e um Brasil mais sombrio que o real. A versão completa sai em 2027.
Por Bruno Vazquez · 23 out 2026 · 12:20 · 3 min de leitura

📷 Obscurium. Divulgação/Wild Pepper Games
O folclore brasileiro ganhou um jogo de cartas de dar medo, e ele já pode ser testado. Obscurium, roguelike de construção de baralho do estúdio brasileiro Wild Pepper Games, recebe nesta sexta-feira (23) uma demo gratuita no Steam. O lançamento completo está previsto para 2027, no PC.
A demo abre ao público as primeiras horas de jogo, que até aqui estavam restritas a um beta fechado.
Um segundo Brasil, mais hostil
A premissa parte da morte. A alma do jogador vai parar no Obscurium, um segundo Brasil, desconhecido e bem mais hostil que o real. Para ganhar uma segunda vida, é preciso caçar as criaturas do folclore que escaparam para o mundo dos vivos.
O mapa atravessa regiões do país, cada uma com as próprias lendas. Os chefes saem direto da tradição oral. O Capelobo é meio humano e meio animal. A Pisadeira senta no peito de quem dorme de barriga cheia. O Caboclo d'Água vira a canoa e espera embaixo. Segundo o estúdio, cada um luta e tem fraquezas do jeito que a lenda conta.

Sacrificar para invocar
O combate é em primeira pessoa, por turnos, numa mesa com quatro colunas. O jogador põe uma carta numa coluna e a criatura responde com uma dela. Toda invocação é paga com outra carta que já está na mesa, então cada boa jogada abre um buraco em outro ponto da linha.
Cada golpe que acerta a assombração acende uma das dez Runas de Selamento. Com as dez acesas, a alma da criatura vai para o grimório. Se o jogador apanhar demais, quem queima até o fim é a vela dele.
A mesa à luz de vela, a visão em primeira pessoa e o sacrifício como moeda de invocação lembram muito Inscryption, o cultuado jogo de Daniel Mullins. A diferença está no tema. Em vez do terror de cabana genérico, Obscurium aposta numa mitologia que o jogador brasileiro conhece desde criança, o que pode ser o seu maior trunfo lá fora.

Entre um duelo e outro, o caminho muda conforme as escolhas. As capturas oficiais mostram um mercador ambulante oferecendo cartas novas e, depois de cada vitória, a escolha de uma recompensa entre três cartas. É a lógica de montar o baralho no percurso, que faz cada partida terminar diferente da anterior.
Morrer, mas não do zero
Como em todo roguelike, perder um combate encerra a partida. O jogador perde o baralho, os amuletos e o caminho andado. O grimório, porém, fica. Tudo o que foi selado e tudo o que matou o jogador continua registrado, e a próxima tentativa começa com mais conhecimento.
A direção de arte reforça a identidade. O estilo sombrio se inspira na xilogravura e nos cordéis do Nordeste, com traço em preto, branco e vermelho que transforma cada carta numa pequena ilustração de folheto.
A demo de Obscurium está disponível gratuitamente no Steam, para PC. O jogo tem dublagem e interface em português do Brasil e chega em versão completa em 2027.
Sobre o autor
Bruno Vazquez
Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.
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