Últimas
▸ "Minha mãe virou uma cratera": Death Stranding Isolations ganha primeiro teaser e estreia em 2027▸ Death Stranding Odradek: Kojima e Niantic levam os BTs para as ruas de Tóquio em realidade aumentada▸ Death Stranding 2 no Xbox? Evento na loja da Microsoft alimenta rumor, mas pode ser só a exposição de Kojima▸ OD - Knock ganha novo visual com Sophia Lillis, e a porta vermelha do teaser vira peça da exposição de Kojima▸ André Colvara transforma em herança a paixão por Nintendo e Zelda▸ "Minha mãe virou uma cratera": Death Stranding Isolations ganha primeiro teaser e estreia em 2027▸ Death Stranding Odradek: Kojima e Niantic levam os BTs para as ruas de Tóquio em realidade aumentada▸ Death Stranding 2 no Xbox? Evento na loja da Microsoft alimenta rumor, mas pode ser só a exposição de Kojima▸ OD - Knock ganha novo visual com Sophia Lillis, e a porta vermelha do teaser vira peça da exposição de Kojima▸ André Colvara transforma em herança a paixão por Nintendo e Zelda
◂ Voltar para a home
notícia

Ken Kutaragi diz entender a revolta com o fim dos discos no PlayStation, mas defende a decisão

O criador do PlayStation afirmou ao VGC que o disco virou metáfora de posse, mas que mantê-lo não é economicamente razoável. Para ele, a Sony de hoje vê o console como um terminal de conteúdo.

Por · 18 out 2026 · 10:30 · 4 min de leitura

Ken Kutaragi, criador do PlayStation, ergue o troféu de Lifetime Achievement no palco do Game Developers Choice Awards de 2014

📷 Official GDC/Flickr (CC BY 2.0)

Ken Kutaragi entrou na discussão sobre o fim dos discos no PlayStation. Em entrevista ao VGC, publicada na sexta-feira (16), o executivo que comandou a criação do console disse entender a reação dos fãs. Também disse que não vê sentido econômico em manter a produção física.

"Entendo que os discos físicos se tornaram uma metáfora para a posse dos jogos. Entendo de verdade essa mentalidade", afirmou. A ressalva veio em seguida: "Entendo [por que algumas pessoas estão chateadas], mas não acho que seja economicamente razoável."

A decisão da Sony

Em julho, a Sony Interactive Entertainment anunciou que deixará de produzir discos para jogos novos lançados em consoles PlayStation a partir de janeiro de 2028. Desde então, o assunto não saiu da pauta. No começo de outubro, Hideo Kojima previu que a mídia física pode desaparecer em até três anos.

Kutaragi falou ao VGC durante o Game Republic New Horizons, evento realizado em Middlesbrough, no Reino Unido. Ele deixou o comando da Sony Computer Entertainment em 2007 e fez questão de marcar distância: "Não sou mais o CEO do PlayStation, mas ainda temos alguns pontos de vista em comum."

O celular como argumento

A defesa dele se apoia numa comparação com o smartphone. "Ninguém acha que [mídia física] seja necessária para um aparelho conectado como um smartphone", disse. "As pessoas sentem que vão manter seu conteúdo. Então é uma questão de mentalidade."

É o argumento da indústria inteira, agora na voz de quem a moldou. A comparação tem um ponto cego conhecido: no celular, ninguém espera revender um aplicativo, emprestá-lo a um amigo ou rodá-lo daqui a vinte anos num aparelho antigo. É exatamente isso que o disco garante ao colecionador de console.

Um terminal de conteúdo

O trecho mais revelador da entrevista é a leitura que Kutaragi faz da Sony atual. Segundo ele, a empresa tem hoje muita gente vinda de fora, "da Gaikai ou de empresas de streaming". Por isso, faz sentido que essas pessoas vejam o PlayStation não só como um console de games, "mas também como um terminal de conteúdo".

A frase seguinte é a mais dura: "Mas isso causou algum atrito com os entusiastas de games." A Gaikai foi comprada pela Sony em 2012 e virou a base do streaming do PlayStation. Ao citá-la, Kutaragi aponta de onde parece vir a visão que levou ao fim do disco.

O homem do CD

A ironia é inevitável. Kutaragi é o engenheiro que levou o PlayStation ao CD-ROM numa geração em que a Nintendo ainda apostava no cartucho com o Nintendo 64. O disco foi uma das armas do PlayStation naquela disputa. Trinta anos depois, o mesmo nome diz que o disco perdeu a razão econômica.

Não chega a ser uma contradição. A escolha do CD nos anos 1990 também foi econômica: mídia mais barata de fabricar e com muito mais espaço que o cartucho. O critério parece ser o mesmo. O que mudou foi a resposta.

O peso da declaração está aí. Ouvir de um executivo atual que o disco não compensa é ouvir a empresa. Ouvir do pai do PlayStation, que diz não falar pela Sony, dá ao fim do disco um aval que nenhum comunicado oficial conseguiria. Para quem vê no disco a garantia de que o jogo é seu, esse é o recado mais difícil de rebater.

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

Ver perfil e matérias →

Newsletter Acerto Games

Dê o start na informação certa

Um resumo diário com as principais notícias de games, direto no seu e-mail.

Você vai receber um e-mail para confirmar a inscrição. Ao se inscrever, concorda com a Política de Privacidade. Dá para sair a qualquer momento, com um clique, no fim de cada e-mail.

Compartilhar:WhatsAppX

Leia no celular

Aponte a câmera e abra esta matéria

▸ Leia também