O som dos passos do Mario em Sunshine é puro ASMR — e tem gente que percebeu isso 20 anos depois
A Kotaku parou o mundo para falar sobre o click-clack das sapatinhas do Mario no calçamento de Delfino Plaza, e papo reto: ela está completamente certa.
Por Bruno Vazquez · 17 jul 2026 · 22:43 · 3 min de leitura
📷 Reprodução/Kotaku
A jornalista Rebekah Valentine, da Kotaku, publicou um texto no último dia 17 de julho que vai direto ao coração de quem cresceu no GameCube: ela declarou seu amor incondicional pelo som dos passos do Mario em Super Mario Sunshine, e defendeu que aquele click-clack no calçamento branco de Delfino Plaza é, essencialmente, ASMR antes do ASMR virar moda.
Segundo ela, a descoberta vem de longe — de uma infância jogando Sunshine numa TV quadradona de tubo, num porão de casa. Mas só agora, olhando para trás, ela percebeu o que havia naquilo: um design de áudio tão cuidadoso que o simples ato de fazer o Mario correr pela plaza era relaxante de um jeito difícil de explicar. E ela não fala só dos passos no paralelepípedo: os sons na areia das praias de Isle Delfino, nas plataformas de madeira, nos blocos de brinquedo das fases sem o FLUDD — tudo tem uma textura sonora própria que, juntada, vira uma espécie de tapete sensorial.
E cá entre nós, é difícil discordar. Sunshine é um jogo que soa diferente de qualquer outra coisa que Nintendo já fez. Os zunidos mecânicos do FLUDD trocando de modo, os borbulhos e esguichos de água, o famoso 'Baackabaa maaahumbuh!' dos Piantas que não quer dizer absolutamente nada mas fica na cabeça — o jogo é uma obra de design sonoro que a gente raramente para para apreciar porque está ocupado demais tentando não cair nos levels sem o jato d'água.
Valentine inclusive dá uma dica de onde ouvir: a partir de 19:21 de qualquer playthrough completo, quando Mario corre por Bianco Hills passando por pedra, grama, plataformas de madeira e blocos de brinquedo, você tem um showcase involuntário de variedade sonora que qualquer estudante de game design deveria anotar. A fonte não aponta um vídeo específico, mas qualquer playthrough completo no YouTube entrega isso de bandeja.
Super Mario Sunshine saiu em 2002 para o GameCube — um console que, aqui no Brasil, muita gente conheceu mais pela mítica do que pelo bolso, já que era salgado pra caramba importado. Mas quem teve a sorte de jogar sabe: era um mundo que cheirava a protetor solar e soava como férias. Às vezes a saudade bate menos pela jogabilidade e mais por isso — pelo clima, pelo som, pela sensação de que o videogame podia ser férias de verdade.
Com informações de: Kotaku